


 Sabor da seduo
  The Desert Virgin
  Sandra Marton
  Irmos Knight 1





 CAPITULO UM

   Aos trinta e dois anos, Cameron Knight tinha um metro e noventa e trs de altura. Os olhos eram ver_des e o corpo, musculoso, herana do pai ingls. Os cabelos
pretos e as mas do rosto salientes eram gra_as  me, uma mestia da tribo indgena Comanche. Cameron gostava de belas mulheres, de carros velo_zes e do perigo.
   Cam continuava sendo o garoto mau, bonito e pe_rigoso, desejado por metade das meninas de Dallas, no Texas. A nica mudana foi que o jovem havia transformado
a paixo pelo perigo em uma carreira. Primeiro, nas Foras Especiais. Depois, no Servio Secreto. E, agora, na empresa que fundara com os ir_mos.
   O rapaz enriquecera com Knight, Knight e Knight. Homens dos trs continentes lhe pediam ajuda quan_do a situao saa do controle. Agora, fora o prprio pai quem
fizera isso. E o rapaz havia concordado em ajud-lo. Por esse motivo Cameron estava sobre_voando o Atlntico em um pequeno jatinho particu_lar, dirigindo-se a um
ponto no mapa chamado Baslaam.
   Cameron deu uma olhada no relgio. Meia hora para aterrissar. Tudo acontecera to rapidamente que o rapaz teve de passar a maior parte do vo lendo os arquivos
sobre o pai. Agora, tinha tempo para rela_xar.
   Cam inclinou para trs o assento da poltrona, fe_chou os olhos e deixou o pensamento vagar. O rapaz refletiu sobre a prpria vida, sobre o quanto havia chegado
perto das amargas previses do pai. "Voc  um intil. Nunca vai chegar a nada", era comum o pai dizer isso quando Cameron era criana.
   Cam tinha de admitir que parecera determinado a provar que o pai estava certo. O rapaz matara aulas, ficara bbado e fumara maconha, embora no por muito tempo.
No gostava da perda do autocontrole que vinha com a rpida euforia.
   Aos dezessete anos, Cam era um jovem com pro_blemas. Vivia zangado com a me por esta estar mor_rendo, e com o pai, que se preocupava mais com di_nheiro do que
com a esposa e os filhos.
   Certa vez, tarde da noite, ao dirigir um caminho em alta velocidade por uma estrada, o rapaz percebeu que passara pela casa de um policial. H um ano, esse tira
o tratara de forma rude a pedido do Senhor Khight. "Seu velho pai queria que eu desse ao jovem algo para que pensasse a respeito", Cam ouviu o po_licial dizer ao 
parceiro.
   Com aquelas palavras ecoando na mente, Came_ron desviou o caminho da estrada, subiu em uma r_vore, abriu uma janela com um p-de-cabra e ficou observando o 
policial, que dormia e roncava. Depois, Cam foi embora da mesma forma que entrou.
   Foi uma experincia to divertida que o rapaz fize_ra isso algumas vezes, invadindo as casas daqueles que obedeciam ao pai dele. Cameron no levava nada dessas 
invases, exceto a satisfao do sucesso.
   Certa noite, tudo desmoronou. Naquela poca, Cam estava na faculdade. Ento, foi para casa para um longo fim de semana... E se deparara com um sus_surro de que 
seria capturado.
   Brincar com jogos perigosos era uma coisa. Ser es_tpido era outra. Cam largou os estudos, entrou para o Exrcito e foi recrutado pelas Foras Especiais. Quando 
o Servio Secreto demonstrou interesse, o rapaz respondeu sim. Pensava ter encontrado um lar. No era verdade. s vezes, o governo pedia coisas que o faziam sentir-se 
um estranho.
   Seus irmos trilharam caminhos semelhantes - carros velozes, mulheres bonitas, roleta-russa. Os trs freqentaram a mesma faculdade, com bolsa de estudos devido 
ao futebol americano. Todos, inclusi_ve, marcaram pontos no mesmo jogo, numa tempora_da memorvel de campeonato.
   Depois, largaram os estudos e entraram para o Exrcito. Em seguida, as Foras Especiais e, final_mente, o Servio Secreto.
   Como se desiludiram com o que encontraram l, retornaram a Dallas e montaram um negcio juntos. Knight, Knight e Knight: Especialistas em Gerencia_mento de Risco. 
Cam surgira com o nome.
   - Mas o que isso significa? - Matt perguntara.
   - Significa que vamos ganhar uma fortuna - Alex respondeu, sorrindo. E foi o que aconteceu. Clientes poderosos pagavam quantias exorbitantes para que os rapazes 
fizessem coisas que deixariam os estmagos de muitos homens embrulhados por conta do medo. Coisas que a lei no daria conta - ou tal_vez no pudesse resolver.
   A nica pessoa que parecia no saber do sucesso dos Knight era o pai dos rapazes... Ento, na noite an_terior, Avery aparecera no apartamento de Cam.
   O pai explicou que o negociador dos contratos de petrleo em Baslaam no dava notcias h quase uma semana. E que no era possvel fazer contato por ce_lular 
ou computador.
   Cam ouvira, quieto. Depois, Avery ficou em siln_cio. O filho continuou sem dizer nada, embora sou_besse o que havia levado o pai at ali. O tempo pare_cia correr 
devagar. Avery comeou a se sentir enver_gonhado.
   - Que inferno, Cameron, voc sabe o que estou pedindo.
   - Me desculpe, pai. Vai ter que me dizer.
   Por um segundo, Cam imaginou que Avery iria embora. Em vez disso, o pai respirou fundo.
   - Quero que pegue o avio e v para Baslaam ver que diabos est acontecendo. No importa qual seja o seu preo, eu dobro o valor.
   - No quero o seu dinheiro.
   - Ento, o que quer?
   Quero que implore, Cam pensou. Mas o maldito cdigo de honra martelava em sua cabea, devido  influncia do Exrcito, das Foras Especiais, do Ser_vio Secreto 
e talvez at mesmo por causa das pr_prias convices. E, assim, o rapaz no pde dizer tais palavras.
   Aquele era o pai dele, o mesmo sangue. E foi por isso que, menos de dezoito horas depois, o rapaz de_sembarcava no deserto. Um homem baixo, vestindo um traje 
branco, correu em direo ao rapaz e disse:
   - Bem-vindo a Baslaam, Senhor Knight. Sou Salah Adair, o assessor pessoal do sulto.
   - Senhor Adair. Que bom conhec-lo! O repre_sentante das Indstrias Knight no est com voc?
   - Ele foi visitar as plancies alm das Montanhas Azuis. No o avisou?
   - Tenho certeza de que comunicou ao meu pai. Deve ter esquecido de me falar.
   Adair o conduziu a uma limusine preta, parte de um comboio de velhos jipes e novos Hummers. Em todos os veculos havia soldados armados.  .
   - O sulto enviou uma escolta em sua honra - Adair disse.
   Pior que era verdade. Nenhuma escolta teria en_volvido tantos homens armados. E onde estavam to_dos os cidados de Baslaam? A estrada pavimentada que conduzia 
 cidade estava vazia. Entretanto, deve_ria haver trnsito ali. Afinal, era a nica estrada em um pas que tentava entrar no sculo XXI.
   - O sulto preparou uma festa. Voc vai provar muitas iguarias. Gastronmicas... E relacionadas aos prazeres da carne.
   - Maravilha - Cam comentou, reprimindo um tremor. Naquela parte do mundo, iguarias gastron_micas podiam embrulhar o estmago de um homem. E com relao aos prazeres 
da carne... O rapaz prefe_ria escolher por conta prpria suas parceiras de cama, e no que algum fizesse isso por ele.
   Algo estava errado. Knight tinha de se manter alerta. Isso significava nada de comidas estranhas. Nem bebedeira. Nem mulheres.
   Onde se encontravam as mulheres?
   Leanna no sabia h quanto tempo estava trancada naquela cela suja e sem ventilao. Dois dias, talvez dois dias e meio. E ainda no vira um rosto feminino. Esperava 
ver um porque uma mulher a escutaria e a ajudaria a escapar dali.
   Leanna deu uma olhadela no pouco de gua que ainda restava no balde que lhe fora dado naquela ma_nh. Se a bebesse, ser que lhe dariam mais? A gar_ganta da moa 
estava seca.
   A jovem no tinha relgio - os homens que a se_qestraram o haviam arrancado do pulso dela. Entre_tanto, a moa sabia que a luz do sol j comeara a cair por 
trs das montanhas porque as sombras naquela priso aumentavam. E, com a escurido, as lacraias e as aranhas apareciam.
   Leanna fechou os olhos, respirou fundo e disse a si mesma para no pensar mais. Havia coisas piores do que lacraias e aranhas  espera dela naquela noite. Um 
dos guardas, que falava um pouco de ingls, lhe contara isso. Ao se lembrar da risada dele, a moa es_tremeceu.
   A noite, Leanna seria levada  presena do homem que a comprara - o rei ou o chefe daquele lugar. Os insetos, o calor, os insultos dos seqestradores pare_ceriam 
lembranas agradveis.
   - O Grande Asaad vai t-la esta noite - o guarda dissera, e o sorriso e o gesto obsceno garantiram que a moa compreendesse a mensagem.
   Leanna comeou a tremer. A moa abraou a si mesma, querendo que a tremedeira parasse. Dizia a si mesma que seria um grande erro ter medo. Era apenas difcil 
imaginar como isso acontecera.
   Em um minuto, a jovem estava ensaiando "O Lago dos Cisnes" com o resto do corpo de baile no palco de um antigo teatro em Ankara, capital da Tur_quia. No minuto 
seguinte, a bailarina sara dali para um intervalo. E, ento, fora agarrada e jogada na par_te detrs de um furgo fedorento...
   A porta se abriu. Dois homens entraram na cela. Um deles gesticulava e resmungava algo. A moa presumia que fosse para acompanhar ambos.
   A bailarina queria sentar e gritar. Em vez disso, permaneceu em p e fitou os seqestradores. O que quer que fosse que viesse em seguida, a moa enfren_taria 
com toda a coragem possvel.
   - Aonde vo me levar? - A jovem notou que os surpreendeu. Por que no? Surpreendera a si mesma.
   - Voc vir.
   - Vou pro inferno!
   Os homens vieram na direo da bailarina. Quan_do colocaram as mos nos braos dela, a jovem fin_cou os calcanhares na palha que cobria o cho. Mas isso no adiantou. 
Ambos a ergueram e a arrastaram.
   Ainda assim, a moa lutou. Os dois eram fortes, mas ela tambm era. Durante anos, o treino em ficar na ponta dos ps e na barra haviam enrijecido os ms_culos 
da bailarina. Leanna tambm chutava alto. E foi graas a essa habilidade que, uma vez, a moa conseguira uma vaga em um musical, em Las Vegas. E a danarina colocava 
isso em prtica no momento.
   Leanna acertou um dos gigantes bem naquele lu_gar vital para um homem. O seqestrador se contorceu de tanta dor. O comparsa achou a situao engra_ada. Porm, 
antes que a danarina pudesse lhe dispensar o mesmo tratamento, o outro gigante puxou um dos braos da moa para trs das costas dela. De_pois, encostou o rosto 
no da bailarina e rosnou algo que a jovem no conseguiu entender. Nem precisava. A mensagem era clara, bastava sentir o cheiro da res_pirao e o hlito ruim daquele 
homem.
   Ainda assim, por que aquilo a deteria? A moa sa_bia o que viria em seguida. O gigante falante lhe dis_sera de manh, embora a jovem j suspeitasse. Duas outras 
garotas da trupe haviam sido seqestradas tambm. Uma, assim como Leanna, conclura que elas tinham sido seqestradas para serem trocadas por resgate. Porm, a outra 
logo descartou essa possi_bilidade.
   - Eles negociam escravos, vo nos vender - a outra moa havia sussurrado, horrorizada.
   Comerciantes de escravos? Neste sculo? Leanna teria dado uma risada, mas a garota acrescentou que vira uma reportagem na televiso sobre o comrcio de escravas 
brancas.
   - Mas para quem nos venderiam? - a primeira garota indagou.
   - Para qualquer patife que possa pagar por ns - a terceira moa respondeu, a voz trmula. Ento, adi_cionou detalhes, o suficiente para fazer com que a ou_tra 
vomitasse.
   Leanna nunca fora o tipo de pessoa que costumas_se vomitar ou desmaiar. No palco, as bailarinas pare_ciam princesas de contos de fada. Mas a verdade  que a vida 
de quem dana  difcil. Principalmente se voc faz parte de um programa de dana de uma fun_dao pblica, e no de um estdio caro de Manhat_tan.
   Enquanto uma garota vomitava e a outra tremia, Leanna lutava para se livrar das cordas que a amarra_vam. Mas os seqestradores entraram, derrubaram-nas e injetaram 
algo nos braos das trs. Assim, Leanna viera parar naquela cela horrvel, sozinha, sa_bendo que fora vendida...
   Tratava-se apenas de uma questo de tempo at que o dono a reivindicasse. Agora, a hora havia che_gado. Os gigantes a arrastaram por um longo corre_dor que fedia 
a suor e misria humana. Os dois a em_purraram para dentro de um cmodo pequeno com paredes de concreto manchadas e um escoadouro no meio do cho. A, fecharam a 
porta. A moa ouviu o som de um ferrolho, mas jogou-se de encontro  porta assim mesmo, batendo nela at se machucar.
   Ento, deixou-se cair no cho frio e cobriu o rosto com as mos. Muito tempo depois, a moa ouviu o ferrolho se abrindo. Leanna comeou a tremer.
   - No deixe que vejam o quanto est assustada - a moa disse a si mesma. A bailarina sabia que isso s iria piorar as coisas. Lentamente, a jovem se levantou 
e ergueu o queixo.
   Uma mulher entrou no cmodo. Leanna arqueou, aliviada. Dois homens com olhos frios e mortais per_maneceram atrs dela. Mas o comportamento da mu_lher deixou claro 
que ela estava ali a trabalho.
   - Voc fala ingls? - Leanna perguntou. Nenhu_ma resposta, mas isso no provava nada.
   - Espero que sim. Houve um terrvel enga...
   - Voc vai se despir.
   - Voc fala ingls! Oh, estou to...
   - Deixe suas roupas no cho.
   - Me escute, por favor! Sou uma danarina. No sei o que pensa que eu...
   - Faa isso rapidamente, ou estes homens vo fa_zer isso por voc.
   - Esta me escutando? Sou uma danarina! Uma cidad americana. Minha embaixada...
   - No h nenhuma embaixada em Baslaam. Meu amo no reconhece o seu pas.
   - Bem, deveria. Do contrrio...
   A mulher virou a cabea na direo dos homens. Leanna gritou quando um deles a agarrou pela gola da camiseta.
   - Pare! Tire suas mos da...
   A camiseta foi rasgada. Leanna tentou atac-lo, mas o homem riu e prendeu as mos da moa, erguendo-a para que o comparsa pudesse tirar-lhe os tnis e as calas.
   Quando a jovem estava apenas de calcinha e suti, os dois a colocaram no cho. Leanna se encostou na parede e fechou os olhos. Talvez estivesse sonhando. Isso 
no podia ser real.
   A moa gritou quando lhe jogaram gua morna no rosto. Leanna abriu os olhos. Havia criadas ao redor dela. Algumas com jarros de gua quente, outras com sabonete 
e toalhas. Os homens tinham levado uma enorme tina de madeira para dentro do cmodo...
   - Tire suas roupas ntimas e lave-se direito. Se no estiver limpa o suficiente, ser punida. Meu amo, o sulto Asaad, no vai tolerar sujeira - a mulher en_carregada 
de arrum-la disse.
   Leanna piscou. Ela estava em um banheiro impro_visado. Era por isso que havia o escoadouro no cho.
   A moa sentiu vontade de dar uma risada histrica. O dirigente daquele lugar esquecido por Deus a havia comprado e jogado em um buraco no cho, infestado de vermes. 
E agora faria dela seu mais novo brinque_do sexual.
   De repente, tudo parecia inacreditvel. Leanna riu. As criadas a fitaram, descrentes. Uma soltou uma risadinha e logo levou uma das mos  boca, mas no foi rpida 
o suficiente. A mulher encarregada do ba_nho da bailarina deu um tapa na criada que ousou rir e gritou com outra. Depois, com raiva, aproximou-se da danarina.
   - Talvez prefira aparecer antes que meu amo a deixe roxa de pancada!
   Leanna a fitou, cansada de sentir medo. Alm dis_so, considerando tudo, o que poderia perder?
   - Talvez voc prefira aparecer diante dele para lhe explicar o quanto tentou danificar a mercadoria.
   A mulher ficou plida. O corao de Leanna batia acelerado. Porm, a moa sorriu com frieza.
   - Diga aos seus capangas para sarem daqui e eu entro na tina.
   A mulher ordenou e os homens foram embora. Leanna se despiu e entrou na tina. A moa deixou que o corpo relaxasse enquanto imaginava um plano de fuga.
   Infelizmente, quando a avisaram que j estava lim_pa, a moa ainda no havia pensado em nada. Impro_visao era para atores, no para danarinas clssi_cas.
   Mas Leanna nunca fora covarde. Se fosse preciso, morreria provando isso.
   
   
   CAPTULO DOIS
   
   Cam vira muitos lugares em convulso social ou po_ltica.
   Baslaam no estava nessa situao, e sim em co_lapso. No era preciso ser um espio para ver isso. Sem pessoas. Sem veculos. Um cu cinza, repleto de fumaa. 
E os abutres sobrevoando o local. A situao no era boa.
   Adair no deu nenhuma explicao. Cameron, que no era idiota, tambm no pediu. Limitava-se a pen_sar que a pistola que escondera na mala poderia ser til.
   O sulto o esperava em um corredor de mrmore, sentado em uma poltrona dourada elevada em uma pla_taforma de prata. E no era o homem que Avery des_crevera. Segundo 
o pai, o sulto tinha uns oitenta anos. Era pequeno, magro, de olhar duro e determinado.
   O homem sentado no trono tinha cerca de quarenta anos. Era grande e musculoso, podendo ser conside_rado gordo. A nica semelhana com a figura que Avery havia 
descrito era com relao aos olhos. Mas a dureza refletida neles falava mais de crueldade do que de determinao.
   Ser que houvera um golpe? Isso explicaria muitas coisas, inclusive o desaparecimento do representante de Avery. Talvez o pobre homem fosse uma das al_mas infelizes 
atraindo a ateno dos abutres.
   Cam tinha apenas uma pergunta. Por que no ha_viam acabado com ele tambm? O homem no trono devia querer algo. O qu? Knight tinha de descobrir, e fazer isso 
sem revelar o jogo.
   Adair fez as apresentaes:
   - Excelncia, este  o Senhor Cameron Knight. Senhor Knight, este  o nosso amado sulto, Abdul Asaad.
   - Boa-tarde, Senhor Knight.
   - Excelncia. - Cam sorriu, educado, e comen_tou: - Esperava que fosse mais velho.
   - Voc pensava que encontraria meu tio, que, in_felizmente, faleceu de forma inesperada na semana passada.
   - Meus sentimentos.
   - Obrigado. Sentimos falta dele. Tambm pensei que o dono da empresa Knight Petrleo fosse mais velho.
   - Meu pai  o dono da empresa. Sou um emiss_rio dele.
   - De fato. E o que o traz  nossa humilde nao?
   - Meu pai pensou que o sulto - devo dizer que ele pensou que voc preferisse discutir os detalhes fi_nais do contrato comigo a faz-lo com o negociador usual.
   - E por que eu desejaria isso?
   - Porque o represento integralmente. E posso chegar a um acordo em nome dele. Sem nenhum in_termedirio para retardar o processo.
   - Excelente sugesto. Seu antecessor e eu discor_damos de alguns pontos. Ele queria fazer alteraes no contrato aceito por seu pai e por mim.
   - Nesse caso, foi bom eu ter vindo, Excelncia.
   - Tenho certeza de que Adair explicou que o ca_valheiro em questo foi visitar as plancies alm das Montanhas Azuis.
   - Sim, Adair comentou.
   - A sugesto foi minha. Pensei que fosse bom para ele sair um pouco da cidade. As plancies so muito bonitas nessa poca do ano.
   A mentira acabou com a ltima esperana de que o representante do pai pudesse estar vivo. Era feroz o desejo que Cam sentia de agarrar o sulto pela gar_ganta. 
Entretanto, o americano forou um sorriso educado.
   - Boa idia. Tenho certeza de que ele est apro_veitando.
   - Oh, posso garantir que est descansando bas_tante.
   O patife abriu um largo sorriso devido ao comen_trio de duplo sentido, Mais uma vez, Cam conteve o desejo de avanar rumo ao sulto. O rapaz seria mor_to antes 
que se aproximasse uns trezentos metros.
   - Enquanto ele descansa, voc e eu podemos fi_nalizar as coisas - o sulto disse e bateu palmas. Adair correu em direo a Asaad com uma caneta e um mao de papis 
que Cam logo reconheceu.
   - S  necessria a sua assinatura, Senhor Knight. Poderia fazer a gentileza...?
   Foi por isso que o negociador morrera e Cam ainda estava vivo. Asaad precisava de uma assinatura para prosseguir com a negociao.
   - Claro. Porm, primeiro, gostaria de descansar. A viagem foi longa.
   - Assinar um documento no  algo to difcil.
   - Certamente, e  por isso que d para esperar at amanh.
   - Nesse caso, permita que eu ajude a diminuir o estresse da viagem. Preparei uma pequena comemo_rao para a sua chegada.
   - Aprecio seu gesto, senhor, mas realmente...
   - No vai me desapontar, rejeitando minha hos_pitalidade.
   Ser que a tal comemorao era parte de um plano para aliciar Cam de forma que o rapaz se submetesse ao acordo? Ou teria outras razes mais sinistras? De qualquer 
forma, Cameron fora apanhado em uma ar_madilha. O sulto havia planejado uma festa. No ha_via como escapar.
   - Senhor Knight? O que diz? Vai ser meu convi_dado? - Asaad indagou.
   - Obrigado, Excelncia. Ficaria encantado - Cam respondeu.
   Trs horas mais tarde, as festividades se encerra_vam. A noite comeara com um banquete. Travessas de carnes grelhadas, doces, pastis... E tigelas com outras 
especiarias que tinham sido costume em dca_das passadas.
   Da primeira vez que tal prato apareceu, Cam sen_tiu o estmago embrulhar. O rapaz sorriu, educado, e comeou a balanar a cabea. Foi quando percebeu que o silncio 
caiu sobre dzias de homens armados, sentados ao longo da mesa. Todos os olhos voltados para o visitante. O sulto ergueu as sobrancelhas e comentou:
   - Trata-se de uma iguaria deliciosa, Senhor Knight. Mas vamos entender se no estiver prepara_do para com-la. Nem todos podem ser como os ho_mens de Baslaam.
   Seria isso uma disputa idiota? Uma verso baaslmica de "Sou mais forte que voc"? Se fosse, Cam no poderia perder. O rapaz sorriu e serviu-se daque_la comida.
   - Uma iguaria, Excelncia? Nesse caso, no pos_so passar adiante.
   Cameron comeu rapidamente, sentindo um gosto ruim, contendo-se para que o estmago no se rebe_lasse. Lembrava-se de que j havia comido coisas muito ruins antes. 
Um soldado em campo no podia escolher. Insetos, lagartos, cobras... Tudo era prote_na, disse a si mesmo.
   Houve um murmurinho quando o rapaz ingeriu o ltimo pedao da refeio. Cam sorriu. O sulto no retribuiu o sorriso. A fisionomia dele era de mau hu_mor. O patife 
perdera a primeira rodada e no havia gostado disso.
   - Delicioso - Cam disse, educado.
   Asaad bateu palmas. Um criado entrou, carregan_do um vaso enorme.
   - Uma vez que gostou tanto dessa iguaria, talvez queira experimentar outra. Uma bebida, feita de... No vou lhe contar os ingredientes. Mas asseguro que  mais 
potente do que qualquer coisa que tenha experimentado antes.
   Ao aceno da cabea do sulto, o criado encheu duas taas com um lquido marrom. Asaad pegou uma e entregou a outra a Cam, provocando-o:
   - A menos que no queira...
   Era uma disputa idiota. Mas que escolha Cameron teria exceto aceitar o desafio? Qualquer demonstrao de fraqueza e o americano poderia acabar se jun_tando ao 
representante da empresa do pai. Asaad pre_cisava da assinatura do rapaz e havia formas de con_seguir isso sem precisar fingir que eram uma famlia feliz.
   - Senhor Knight?
   - Excelncia - Cam disse, levantando a taa at os lbios. O lquido cheirava a peixe podre, mas o ra_paz sobrevivera ao enfrentar coisas piores em Belarus, ex-Repblica 
da antiga Unio Sovitica, quando bebera doses infindveis de vodka caseira durante uma discusso com um lder guerrilheiro estpido. O americano conteve a respirao 
e bebeu tudo com um s gole.
   - Maravilhoso - Cam disse, mostrando a taa vazia. Ouviu-se outro murmrio de aprovao. A fi_sionomia do sulto ficava cada vez mais sombria.
   - Sabe andar a cavalo? - Asaad indagou. Talvez o sulto fosse estpido tambm. Perguntar a um texano se ele sabia andar a cavalo era a mesma coisa que perguntar 
se um pombo podia voar.
   - Sim - Cameron respondeu, educado.
   Momentos mais tarde, ambos estavam do lado de fora, em um ptio iluminado por tochas. Competiam com pneis semi-selvagens que saltavam por cima de sacos de areia. 
Tratava-se de um jogo que envolvia bastes to espessos quanto os de beisebol, uma bola de couro e uma corda, sob a forma de ala, pendurada em uma rvore.
   Cam no tinha a menor idia de quais eram as re_gras. Porm, permaneceu montado enquanto tentava no ser atingido pelos homens que manejavam os bastes e arremessavam 
a bola na direo do lao.
   Os homens do sulto aplaudiram. O rosto de Asaad ficou roxo. E o sulto gritou, pedindo silncio.
   - Voc  um adversrio de valor, e devo recom_pens-lo.
   Com o qu? Uma faca atravessada na garganta? Uma bala na cabea? Perca o jogo e est morto. Ven_a, e est morto tambm. Asaad era um psicopata.
   Cam ficou tenso e lutou para manter a calma ao di_zer:
   - Obrigado, Excelncia, mas a nica recompensa que quero ...
   As palavras ficaram presas na garganta. Dois dos homens de Asaad vinham na direo deles. Eram maiores do que o sulto... E duas vezes maiores do que a mulher 
que arrastavam junto. A primeira coisa que Cam notou foi que as mos da jovem estavam amarradas. E a segunda foi que a moa estava nua. No. Apenas a pele dela era 
de um dourado-claro e o pouco que vestia era uma sombra mais escura.
   Tudo era dourado - o que lhe cobria os seios, a tira na barriga. A corrente fina que enfeitava-lhe a cintura esguia. As fitas que pendiam da corrente e os_cilavam 
a cada movimento das pernas.
   Nos ps, sandlias tambm douradas. Minsculos sinos pendiam das tiras das sandlias e tiniam suave_mente a cada passo da moa. Os cabelos eram doura_dos tambm, 
e caam desordenados ao redor do rosto abatido.
   - Gosta da sua recompensa? - O sulto questio_nou.
   - Ela ...
   Droga! Cam pigarreou. No havia esperado nada como essa criatura dourada e acabara atordoado. E o sulto notou o abalo.
   - Uma viso surpreendente, Excelncia - o americano comentou.
   - De fato. Posso mandar que a tragam para mais perto, sim? - Asaad perguntou.
   A resposta bvia era no. Aquela mulher era uma armadilha. No era preciso ser um gnio para saber disso. Cam comera e bebera. Tambm fora entretido com um jogo 
maluco de plo no deserto. Asaad o amolecera e agora iria mat-lo. Uma hora com aquele anjo e o rapaz assinaria o contrato, sem fazer pergun_tas. Estaria satisfeito 
demais para fazer qualquer ou_tra coisa.
   Ao menos, era isso que Asaad imaginava. E, dro_ga, era uma tentao. Cam podia imaginar como seria lanar as mos naqueles cabelos, erguer o rosto da mulher de 
forma que pudesse ver se era to perfeito quanto o resto. Podia se imaginar saboreando os seios da moa, atirando longe aquela tira dourada...
   - Senhor Knight? - Asaad perguntou.
   - Como desejar, Excelncia - Cam respondeu. O sulto estalou os dedos. Os homens arrastaram a mulher, aproximando-a. A moa ergueu a cabea e fi_tou Cam.
   O rapaz ficou com a respirao presa na garganta. A jovem tinha olhos da cor do Mediterrneo, margea_dos por clios escuros. Um nariz pequeno e reto. Um queixo 
delicado e uma boca... Era tudo com o que um homem poderia sonhar. Cam sentiu-se ficar rgido como uma pedra, to excitado que teve de se mexer para aliviar o desconforto.
   Asaad gritou uma ordem. Os guardas empurraram a mulher para a frente. Ela tropeou. Mas, depois, re_cuperou o equilbrio. Um dos homens disse algo em tom rspido, 
e a moa obedeceu ao que deve ter sido uma ordem para curvar a cabea novamente.
   - O que acha? - sorrindo, o sulto se aproxi_mou, pegou algumas mechas dos cabelos da moa e levantou-lhe a cabea, indagando:
   - No  primorosa?
   - Muito bonita.
   - Sim. Tambm  corajosa. Uma criatura magn_fica, certo?
   Quem era? Uma mulher do harm? Mas as mos estavam amarradas. Por qu?
   - Sim, Excelncia. - Cam fez uma pausa. No queria parecer curioso. Se parecesse, Asaad esticaria o jogo.
   - Uma prisioneira? - o rapaz indagou. O sulto suspirou e explicou:
   - Sim. Infelizmente, no concorda? O que pode ver dela  belo. - Aslaad deslizou uma das mos pelo pescoo da moa, passando pelos seios. Primei_ro, um. Depois, 
o outro. Quando a jovem _HYPERLINK "http://tentou.se"_tentou se _afastar, o sulto agarrou-lhe um dos pulsos.
   - Mas a alma dela  feia - Asaad acrescentou. Cam olhou para os dedos do sulto machucando a pele da moa. E o rapaz comentou:
   -  difcil imaginar que uma mulher como essa pudesse fazer algo to terrvel que irritasse um ho_mem como voc, Excelncia - Knight disse, espe_rando que a mentira 
funcionasse.
   Parecia ter dado certo. Asaad afrouxou a mo que apertava o pulso da moa, e comentou:
   - Voc est certo, Senhor Knight. Sou um ho_mem gentil, generoso. Mas Layla me persuadiu alm da resistncia humana.
   O nome combinava com o cenrio. Assim como o traje. Mas os olhos azuis e os cabelos dourados o con_fundiram. Eram raros naquele lugar, desconhecidos.
   - Imagino que esteja pensando que ela no  da_qui - o sulto comentou.
   Acertou em cheio, seu patife. Cam sorriu como se fosse algo que no tivesse muita importncia.
   - Eu me surpreendi.
   - Eu a comprei. No da forma como parece, eu lhe asseguro. Somos de uma cultura antiga, mas abo_minamos a escravido. A senhorita veio at mim por vontade prpria. 
 uma danarina.  o que prefere di_zer que . Mas, na verdade, ... Acho que a palavra que o seu povo usa  prostituta.
   Cam balanou a cabea, concordando. Estivera nesta parte do mundo antes. Mulheres assim se intitu_lavam modelos, atrizes, danarinas... mas Asaad estava certo. 
Eram prostitutas  venda para quem as ar_rematasse pelo preo mais alto.
   A loura permaneceu empertigada sob o olhar examinador de Cam. Ser que tremia? Talvez, mas o vento que soprava do deserto era frio e ela estava quase nua. Isso 
explicaria. Assim como o fato de a moa ser prisioneira de Asaad, o que faria qualquer um tremer.
   O sulto aproximou-se mais da jovem e comentou:
   - Eu a conheci quando estava de frias, no Cairo. Ela estava se apresentando em um clube. Enviei uma mensagem... Bem, voc sabe como essas coisas fun_cionam. 
Layla  uma mulher de talento significativo. Foi por isso que, na hora de voltar para casa, me ofe_reci para traz-la comigo.
   Cam lanou outro olhar em direo  mulher que levantara a cabea. A danarina fitava a escurido alm do ptio, e tremia.
   - E ela aceitou - Cam retrucou.
   - Claro. Sabia que valeria a pena. Tudo correu bem por algumas semanas. Era criativa, tinha imagi_nao. Mas eu me cansei. Um homem precisa de va_riedade, no 
 assim?
   - No seria mais simples mand-la de volta ao Egito do que torn-la sua prisioneira, Excelncia?
   O sulto jogou a cabea para trs e riu ao comen_tar:
   - Voc  divertido, Senhor Knight. Sim, claro. Muito mais simples. E era isso que eu estava tentado a fazer. Arrumei as coisas para envi-la para casa - com um 
bnus substancial. Ontem, antes de partir, fi_quei sabendo que ela havia roubado uma jia precio_sa dos meus aposentos. Isso depois de tudo o que lhe dei! Quando 
a confrontei, Layla tentou cravar um pu_nhal no meu peito. Venho tentado decidir o que fazer com ela.
   O que fazer? O sulto queria dizer, como fazer. A penalidade para roubo e tentativa de assassinato s poderia ser a morte. Era um milagre que a mulher ti_vesse 
sobrevivido um dia. No dia seguinte, a danari_na seria comida de abutres. Mas hoje  noite... A, en_to, Cam compreendeu. Asaad tinha um plano.
   A mulher tremia, estava exposta - mas era dcil. Por qu? Se a vida dela estava em risco, por que no estava implorando por perdo? S deveria haver um motivo. 
O sulto deve ter lhe prometido misericr_dia. Tudo o que a moa tinha a fazer era seguir as or_dens dele. A danarina era um presente para o ameri_cano.
   Cameron a levaria para a cama, a jovem usaria de truques que o impedissem de pensar e Asaad a deixa_ria viver. Mas por qu? Ser que era para a danarina colocar 
uma faca na barriga de Cam enquanto fingia paixo? No. Asaad desejaria Knight vivo at que as_sinasse o contrato.
   Talvez o patife s quisesse espiar por um buraco na parede. Talvez os homens do sulto entrassem no quarto e o agarrassem quando o rapaz estivesse fa_zendo amor 
com a moa. Talvez aquela fosse a ver_dadeira diverso da noite.
   - Layla tentou me matar. No  digna da sua preocupao, Senhor Knight.
   - Francamente, Excelncia, minha nica preocu_pao deve-se ao fato de o mundo perder os talentos da senhorita.
   - De fato. Ento, vai ficar feliz em saber que de_cidi d-la a voc por esta noite.
   - Muita generosidade da sua parte. Mas deve lembrar-se do que eu disse antes. Tive um dia longo, e estou...
   - Cansado. - Asaad piscou e acrescentou:
   - Mas somos guerreiros, e sabemos qual  a me_lhor forma de renovar nossas foras. A menos que... Layla no  do seu agrado? Ela tem a moral de uma vbora do 
deserto, mas voc no tem nada a temer. Meus homens vo montar guarda do lado de fora do quarto. Ela lhe dar um prazer que ir alm dos seus sonhos mais selvagens.
   - Estou certo que sim, Excelncia. Ainda...
   - D uma olhada melhor - o sulto o incitou. Asaad colocou uma das mos em um dos seios da moa e, por cima do tecido dourado, beliscou o mamilo. A jovem se encolheu, 
mas no emitiu nenhum som. Cam colocou as mos nos bolsos das calas para impedir a si mesmo de agarrar o sulto pelo pescoo. E se Asaad a maltratasse? A moa era 
dele e o sulto podia fazer o que quisesse.
   Cameron vira coisas piores nos anos em que traba_lhara para o Servio Secreto. Ainda assim, algo sobre o que estava prestes a acontecer deixou o estmago dele 
embrulhado.
   - Toque-a voc mesmo. Veja como a pele dela  macia - o sulto voltou a incit-lo.
   Asaad passou uma das mos pelo corpo da moa, dos seios at a barriga. A jovem engoliu em seco e respirou fundo. O sulto riu e Cam sentiu o prprio corpo reagir.
   O rapaz queria toc-la. Cameron queria tirar Asaad do caminho e colocar as mos em Layla. Sen_tia desprezo por si mesmo por causa disso, mas o de_sejo queimava 
dentro dele.
   Cam queria desnudar os seios da moa, ver se os mamilos eram rosados como as ptalas de uma rosa ou da cor-de-ferrugem como damascos. O rapaz que_ria sabore-los 
enquanto passava as mos pelas coxas da jovem at o ponto central, quente e mido.
   Knight disse a si mesmo que havia uma razo lgi_ca para essa loucura. Toda a adrenalina que havia queimado nas ltimas horas, prevendo o perigo, indo ao encontro 
dele, mantendo-se em alerta constante...
   Qualquer homem estaria pronto para soltar essa adrenalina por meio do sexo. No importava se a mu_lher era uma prostituta, uma ladra. Layla era bonita, e Cam 
a queria... Mas o rapaz no a tomaria para si. A moa era uma armadilha. Cam recuou e comentou:
   - Faa o que quiser com ela. No estou interes_sado.
   Houve silncio. Ento, a mulher levantou a cabea e sorriu com insolncia enquanto o fitava, antes de dizer:
   - O que ele quer dizer, Lorde Asaad,  que no  homem suficiente para me usar de forma adequada.
   Layla falou em ingls, mas o insulto fora claro. E o sulto soltou uma risada. Ento, Cam puxou a tira que sustentava o suti dourado da moa e o rasgou ao meio.
   A jovem ficou plida. Tentou cobrir-se, mas Cam agarrou-lhe as mos.
   - Gosta de jogar duro? - Knight sorriu e a exa_minou. Os seios eram perfeitos, cabiam nas palmas das mos dele. Os mamilos eram como damascos ma_duros.
   - Muito bem - Cam comentou.
   Com os olhos presos aos da jovem, Cameron er_gueu uma das mos, passando-a pelos seios dela. Quando a moa tentou se esquivar, os guardas a agar_raram e a foraram 
a ficar quieta.
   - Mudei de idia. Vou ficar com ela - o ameri_cano disse.
   O grito da jovem se perdeu em meio aos uivos de prazer da multido quando Cameron a pegou, jogou-a por cima dos ombros e se dirigiu ao palcio.
   
   
   CAPTULO TRS
   
   A multido de brbaros rindo se afastou quando o americano passou por todos. Leanna surgira com um plano, mas dera errado.
   Uma mo afagou o bumbum da moa. A danarina gritou. O porco que a tocara disse algo que fez com que os outros rissem ainda mais.
   - Por favor, voc entendeu tudo errado - a jo_vem disse a Cam.
   Knight resmungou. Nem podia ouvi-la. A moa estava dependurada em um dos ombros do rapaz como se fosse um saco de roupas. Desesperada, com as mos amarradas, 
a jovem tentava segurar as pontas esfarrapadas do suti.
   Algumas horas antes, tudo parecia claro. O que e como Leanna faria. Os gigantes a levaram at o sul_to, que a examinara e sorrira como se a moa fosse um rato 
encurralado por um gato.
   - Muito bom - Asaad disse.
   Ento, o sulto lhe dissera que teria de adiar a pri_meira vez deles juntos, como se ser violentada fosse algo pelo que a moa ansiasse.
   - Tenho um convidado, um scio - um empre_srio americano. Leve-o para a cama, mantenha-o ocupado de forma que s escute e veja voc. Vou re_compens-la fazendo 
com que a levem ao aeroporto e a mandem para casa.
   Asaad nunca a libertaria, mas Leanna decidira que o melhor a fazer seria fingir que concordava. A dan_arina seria levada ao quarto do americano como um presente. 
A porta seria fechada, o rapaz iria sorrir e a moa diria baixinho, porque as paredes tm ouvidos: Graas a Deus, voc veio. Sou americana, fui rapta_da. Esperam 
que eu o mantenha ocupado de forma que fique surdo e cego para o que quer que seja que o sulto est planejando fazer a voc. Temos de sair deste lugar horrvel 
antes que isso acontea.
   Em vez disso, Leanna foi entregue como se fosse um pacote, na frente do sulto. Tudo bem. Esperaria at que estivesse a ss com o americano.
   Nunca lhe ocorrera que o rapaz recusasse o pre_sente de Asaad. Os olhos de Cameron brilharam de desejo ao v-la. O corpo dele enrijeceu. Tinha sido impossvel 
no notar.
   Ento, o olhar quente se transformou em gelo. A danarina no tinha a menor idia do motivo de aqui_lo ter acontecido. Leanna precisava fazer algo, e rpi_do.
   Knight era o exemplo de masculinidade - o rosto rgido, o corpo musculoso, a barba por fazer, os jeans desbotados e as botas de couro. No era o tipo de ho_mem 
que aceitaria um insulto.
   Ento, a moa o provocou. O lado ruim foi que a provocao funcionara bem demais. Cameron rasga_ra o suti dela ao meio com um desejo to glido que a amedrontara 
mais do que qualquer coisa que acon_tecera at ento... Mas no era tarde demais, Knight era compatriota dela. Isso tinha de contar a seu favor.
   Os guardas s portas da entrada do palcio solta_ram risadinhas quando Cam passou por eles. As por_tas se fecharam. A danarina e o americano estavam a ss.
   Agora, Leanna disse a si mesma, e respirou fundo. A moa sabia que precisava permanecer calma, pare_cer racional. Se agisse dessa forma, conseguiria fazer com 
que. Knight a compreendesse.
   - Senhor Knight? Esse  o seu nome, certo? O americano comeou a subir as escadas.
   - O sulto mentiu. No roubei nada. No tentei mat-lo. Nem mesmo me chamo Layla.
   A moa sabia que o americano podia ouvi-la. No havia multido, nenhum barulho, apenas o som dos saltos das botas batendo no cho de mrmore enquan_to o homem 
atravessava o corredor. Por que no dizia algo? - Est me ouvindo? Nenhuma resposta. 
   - Senhor. Me responda. Diga algo. Diga que en_tende o que eu...
   - Cale a boca.
   Leanna estremeceu e o golpeou nas costas. Era como se batesse em uma parede de pedra com seixos.
   - Dane-se - a jovem gritou, e o mordeu em um dos ombros.
   - Faa isso de novo e darei o troco.
   - Voc tem que me ouvir! Sei o que Asaad lhe disse, mas...
   - Quer ser amordaada?
   Oh, Deus! O americano era mais selvagem que o sulto. Como fora estpida ao pensar que o fato de terem a mesma nacionalidade criaria uma relao de decncia naquele 
lugar esquecido por Deus.
   A moa ouviu mais risadas e viu outra dupla de guardas. Knight passou por eles e por algumas portas antes de entrar em um enorme quarto. O americano a jogou na 
cama, dirigiu-se at as portas e as trancou.
   - Finalmente a ss - Cameron comentou, frio. Leanna se encolheu na cabeceira da cama e disse, desesperada:
   - Senhor Knight, sei o que pensa... Cam riu e comentou:
   - Aposto que sim.
   - Mas est errado. No sou o que o sulto...
   A moa abriu bem os olhos quando o americano co_meou a desabotoar a camisa. Leanna acrescentou:
   - Espere. Por favor. No compreende.
   O olhar de Cam baixou at os seios que a jovem tentava esconder.
   - Tire isso.
   - O qu?
   - Livre-se desse suti rasgado. Gostei do que vi no ptio, Layla. Quero ver novamente.
   - Meu nome no  Layla. ...
   - No ligo a mnima para qual seja o seu nome. No vamos beber vinho e trocar nmeros de telefone. Vamos direto ao que interessa. Livre-se desse suti.
   - No sou prostituta. No sou nada do que Asaad disse.
   - Nada de jogos. No estou a fim de fingir que sou o brbaro e voc, a donzela.
   - No estou jogando, apenas tentando...
   - Como quer fazer isso?
   - Eu no sigo...
   - Da forma mais fcil? Se quiser, posso fazer com que seja bom para voc.
   - No quero! Continuo dizendo, sou americana, assim como voc.
   - No  como eu. Se fosse, no iria quer-la na minha cama.
   - Me d um minuto. Posso explicar. Asaad disse coisas a meu respeito, mas...
   - Mas no  verdade.
   - Sim! Graas a Deus! Entendeu! Voc... O que est fazendo?
   Era uma pergunta desnecessria. Era bvio o que Knight estava fazendo. O americano estava se des_pindo, descalando as botas, livrando-se da camisa.
   Leanna sentiu um aperto no corao. A jovem sen_tira a fora do americano quando este a carregara. Mas, ao v-lo daquela forma, com o peito exposto, os ombros 
nus, a moa sabia que no tinha chances con_tra ele. O homem que a tinha por uma noite era como uma pantera, e mortal.
   O americano dissera que no estava a fim de brin_cadeiras, mas estava jogando, deixando-a balbuciar e implorar por misericrdia. Talvez isso o divertisse. A nica 
certeza da moa era que, quando o rapaz se can_sasse daquele jogo, ele a dominaria sem nenhum es_foro.
   - Sei que est chateado comigo, mas...
   - S estou cansado de ouvi-la falar.
   - O que eu disse l embaixo... S queria chamar a sua ateno.
   - Conseguiu.
   - Tinha que encontrar um jeito de ficar sozinha com voc.
   - Estou sensibilizado.
   Cameron tirava o cinto. A moa ficou aterrorizada como se fosse um animal pequeno querendo escapar, mas Leanna sabia que isso poderia excit-lo ainda mais.
   - Preciso da sua ajuda. Juro! S me escute e...
   - No respondeu  minha pergunta. - Cameron disse e caminhou em direo  moa. O olhar dele percorria os seios, a barriga, as coxas da danarina.
   - Posso tom-la lentamente, ou sem quaisquer preliminares. Voc decide.
   Leanna sufocou um soluo quando Cam chegou  cama. A jovem tentou rolar para fora dali, mas o ame_ricano segurou-lhe um dos tornozelos e a puxou para o meio do 
colcho.
   - Da forma mais difcil. Tudo bem - Knight res_mungou.
   - No - a moa disse. Cam estava por cima da danarina e a jovem lutava pela prpria vida, chutan_do, investindo contra o americano, tentando alcanar o ponto 
frgil dele, dando-lhe uma joelhada.
   - Tudo bem, ento  isso - Cameron disse, im_placvel.
   O rapaz foi rpido ao soltar a corda que estava nas mos da moa, amarrando-a  cabeceira da cama. Quando Leanna chutou com mais fora, Cam tirou o cinto que 
estava nos jeans e o amarrou em torno do tornozelo direito da jovem, prendendo-o a um dos ps da cama. Depois, o americano levantou-se e re_tornou com um leno, 
prendendo o tornozelo esquerdo da danarina e o amarrando ao outro p da cama. A bailarina gritou, aterrorizada.
   - Grite. Por mim, tudo bem. Pode apostar que te_mos uma multido ouvindo atrs da porta. Gritando, voc torna o show mais interessante.
   - No, por favor - a moa sussurrou.
   - Por que no? Porque no paguei a entrada? - Cam deitou-se ao lado dela.
   - Oh, Deus - Leanna disse. A moa desviou o rosto, fechou os olhos e deixou que as lgrimas cas_sem. Tudo o que podia fazer agora era sobreviver.
   A danarina era boa, Cam pensou. Que apresenta_o! De uma mulher tentadora sensual a uma inocen_te aterrorizada em, quanto, vinte minutos? Infeliz_mente, o discurso 
era quase to real quanto a oferta - da moa como presente - feita por Asaad.
   Por que aquela cena? Primeiro, a provocao. De_pois, o desinteresse. A nica certeza era que a senhorita era boa atriz. Provavelmente, ainda melhor como parceira 
de cama. Quantos homens ser que pagaram pelos servios dela? O americano deixou o olhar se mover devagar, passando pelos seios nus, as coxas douradas estendidas 
para o prazer dele.
   Cameron estava to excitado que morreria se no a tomasse logo. Ento, por que hesitava tanto? O medo da moa no era real. Fazia parte da apresentao. Tudo 
bem.
   Alm disso, a jovem no lhe dera escolha. O tipo de jogo que a moa fazia s podia levar a uma conclu_so. Era um jogo, no? Seria possvel que Leanna es_tivesse 
falando a verdade? Que no queria nada com ele? No. Impossvel. Se fosse o caso, poderia ter o desejo dela atendido sem qualquer esforo. Knight dissera ao sulto 
que no a queria.
   Por que, ento, a moa o havia provocado? A me_nos que quisesse faz-lo mudar de idia. Os olhos de Cam se apertaram. Tudo aquilo cheirava a um plano ilegal para 
conseguir dinheiro. A moa fora arrastada at ali como uma criminosa. Asaad dissera que a ma_taria. A jovem afirmara que Cam no era homem su_ficiente. Depois, implorara 
ajuda.
   Ser que tudo o que acontecera era para aumentar a carga ertica da situao de forma que o americano pensasse com os hormnios, e no com a cabea? Se fosse 
isso, havia funcionado. Mas Cameron se acal_mara. Voltara a pensar. E lembrava-se de que a porta e as janelas estavam trancadas. O americano tinha uma Beretta - 
uma pistola automtica - embaixo do colcho e uma linda mulher na cama.
   O corpo de Cam voltou a se contrair. E o america_no iria possu-la. O estresse tinha conseqncias. A vida nas Foras Especiais e, depois, no Servio Se_creto 
lhe ensinara isso. A meditao tinha sua hora. Porm, em certas ocasies, era preciso mais do que isso.
   Alguns homens usavam o lcool. Outros optavam pelas drogas. Cam aprendera que o que funcionava com ele era sexo, selvagem e ardente. Sexo com uma mulher bonita 
e experiente para faz-lo esquecer-se das sutilezas do comportamento civilizado.
   Layla se encaixava no que o americano precisava. Alguns longos minutos sentindo o calor doce como mel, saboreando aquela boca suave e Cameron estaria bem. Ficaria 
melhor quando a moa admitisse que desejava tambm. A jovem era boa ao fingir que no queria. Porm, dera um passo em falso, mostrando que queria, h alguns minutos, 
quando Cam estava despindo a camisa.
   O rapaz no vira medo nos olhos da moa. E, sim, que a jovem tomara conscincia dele como homem. E era assim que Cameron queria, agora que havia reas_sumido o 
controle das prprias emoes.
   Jogos? Certamente. Uma mulher magnfica que era dele, mas fingia no querer ser, podia gerar excitao. Mas violent-la, no. Era hora de a encenao acabar e 
a realidade comear.
   Cam voltou a olhar para a mulher deitada embaixo dele. Era bela, uma criatura de pele clara, dourada, e cabelos dourados mais escuros. Era uma danarina, Asaad 
dissera. No importava o resto. Era assim que pensaria agora, a moa como sua parceira em uma dana ertica com a qual ambos se deleitariam.
   - Olhe para mim - Cam disse.
   Como a moa no olhou, o rapaz pegou-lhe o quei_xo e a forou a fit-lo, dizendo:
   - Abra os olhos.
   Lentamente, a jovem fez o que o americano orde_nara. Os olhos eram de um azul profundo como um cu de vero. Os clios eram longos e espessos, e es_tavam molhados. 
Lgrimas? Definitivamente, a moa era boa no que fazia. Sabia fazer um homem desej-la, e Cam a queria muito.
   - Nunca paguei por uma mulher. Mas, se fizesse isso, comearia com voc.
   Com a ponta de um dos dedos, o americano traou o contorno do lbio inferior da moa e sentiu-a tre_mer. Cam abaixou a cabea e a beijou.
   - Durante todo o tempo em que estivemos no p_tio, fiquei pensando na sua boca - Knight sussurrou.
   Devagar, o rapaz voltou a beij-la. Dessa vez, com mais intensidade.
   - Pare de fingir que no quer. Me beije. Deixe-me sentir seu gosto e fazer isso da forma certa - o americano comentou.
   A moa tentou se afastar quando o americano vol_tou a baixar a cabea. Cam acariciou-lhe os cabelos, enquanto mantinha a boca da jovem presa  dele.
   O jogo continuava. Knight a beijou. A boca da jo_vem era quente e suave. Cam gemeu, mudou o ngulo do beijo at que a moa emitiu um pequeno som e os lbios dela 
se abriram.
   - Isso - Cameron disse e a beijou novamente, sentindo a delicadeza doce do tremor da jovem en_quanto a saboreava. Aquela mulher o estava enlou_quecendo. O gosto 
daquela boca. O cheiro da pele. Os seios nus contra o peito dele...
   Cameron se afastou e acariciou-lhe os seios. A moa estava com os olhos bem abertos e ficou corada.
   - Voc tem seios incrveis - Cam disse, a voz rouca.
   - Por favor, eu lhe imploro... - a moa sus_surrou.
   - O qu? - Knight observava os olhos da jovem enquanto acariciava um dos mamilos e ouviu a respi_rao dela.
   - Gosta disso? Me diga do que gosta.
   Cam se abaixou e beijou-lhe um dos mamilos. A moa gemeu e arqueou o corpo em direo ao ameri_cano. E um soluo explodiu na garganta, o som era alto e selvagem, 
repleto de algo que o rapaz no con_seguia definir bem. Seria admirao?
   Knight a desejava. Queria ser o primeiro homem que tivesse arrancado aquele som dessa mulher que se deitara, s Deus sabe, nos braos de tantos outros.
   A jovem respirava de forma descontrolada, ge_mendo, contorcendo-se conforme Cameron a acari_ciava e beijava-lhe o corpo quente. No dissera nada que o americano 
pudesse ouvir, apenas sussurrava quando o rapaz a tocava.
   - Me diga o que eu fao voc sentir - Knight disse, a voz repleta de desejo.
   Cam passou uma das mos por entre seus corpos. Acariciou-lhe uma das pernas. Sentiu o calor daquela pele feminina e o cheiro inconfundvel de desejo que a jovem 
exalava.
   - Deus - a moa sussurrou.
   Leanna ergueu a cabea, suspirou e ofereceu-se para beij-lo. Com um rosnado forte, Cam aceitou, sentindo o toque daquela lngua feminina. Ouviu a moa suspirar 
e sabia que a estava levando consigo para um redemoinho de desejo onde nada nem nin_gum importavam, exceto aquele momento.
   Cameron voltou a senti-la tremendo. Pare, uma voz dentro dele sussurrou. Isso  um erro. Mas era tarde demais. O americano ansiava pela rendio da jovem tanto 
quanto pela prpria libertao.
   A moa mexeu-se, um pequeno roar das coxas que o fez gemer. Era excitante fazer amor com aquela mulher, e senti-la reagir. Afinal, a danarina per_manecia vulnervel, 
com os pulsos e os tornozelos presos.
   Mas Cam queria mais. Queria os braos daquela mulher em torno do pescoo dele, as pernas femini_nas apertando seus msculos quadris enquanto mer_gulhava naquele 
corpo macio.
   Knight passou a mo por uma das coxas da moa. A pele dela queimava, assim como o americano. Cameron beijou-a no pescoo e disse:
   - Agora, me diga do que gosta, o que quer. Farei com que se torne realidade, prometo.
   - Por favor, me desamarre, e eu lhe mostrarei - a moa sussurrou.
   Cameron hesitou, mas por pouco tempo. Ento, o americano soltou-lhe os pulsos. Knight estremeceu quando a moa passou as mos por aqueles braos msculos at 
chegar ao peito. O rapaz a beijou e Leanna mordiscou-lhe os lbios.
   - Por favor - a moa disse.
   A hesitao de Cameron foi mais longa dessa vez. Mas a bela bruxa se mexia com a delicadeza de uma gata. O americano parou de pensar, e soltou-lhe os tornozelos. 
Depois, voltou a beij-la, lentamente. As_sim como seria quando os dois corpos se fundissem, no minuto seguinte. No dava para esperar mais.
   Knight a tomaria para si de uma vez, rapidamente. Depois, devagar, de forma que durasse muito tempo. A moa voltou a mexer-se. Cam a fitou. Os olhos dela brilhavam.
   - Voc disse que me mostraria o que quer - o ra_paz sussurrou.
   - Sim, farei isso.
   - Me mostre - Knight voltou a dizer. Ento, fi_cou quieto ao sentir o ao frio contra o prprio ab-dome.
   A mulher sorria. Depois, falou aos ouvidos dele:
   - Tenho uma faca encostada na sua barriga. Se fi_zer algum movimento estpido, juro que vou us-la.
   
   
   CAPTULO QUATRO
   
   A reao de Cam foi tudo o que a moa havia espera_do. Tivera sorte ao guardar a pequena esptula de unhas. A moa a agarrara quando estava sendo vesti_da pra 
o encontro com o sulto. A, guardou-a dentro da tira dourada para o momento em que pudesse us-la. E, agora, esse momento chegara.
   Quando Knight aspirou, tentando, de alguma for_ma, manter distncia entre ele e a ponta aguda, a jo_vem quase chorou de felicidade. Era a primeira coisa que dava 
certo.
   S agira errado at agora, subestimando Asaad, o visitante... E subestimando a prpria reao do que acabara de acontecer naquela cama. Knight a amarra_ra, a 
tocara, a beijara. Leanna lutara, fizera tudo o que podia para mant-lo longe...
   E, ento, algo mudara. O terror que sentira se per_dera em uma mar crescente de calor. As mos ms_culas nos seios dela, o gosto daquele homem na boca da jovem...
   Nada tinha importncia. A situao se invertera. A danarina tinha uma arma. A balana de poder se in_vertera, e permaneceria dessa forma.
   Quando a jovem sentiu que o americano comeava a se mexer, Leanna agiu, pressionando ainda mais a lima.
   - No faa nada estpido - a jovem sussurrou.
   - Que diabos pensa que est fazendo? - Cam perguntou com uma voz suave. A bailarina sabia que o americano estava mantendo a voz baixa de forma que ningum, com 
os ouvidos  porta, suspeitasse do que estava acontecendo.
   - Estou pressionando a ponta de uma faca muito afiada contra o seu estmago, Senhor Knight. No me faa us-la.
   - V devagar, tudo bem? Fique calma e me diga o que quer que eu faa.
   - Quero que saia de cima de mim.
   - Certamente. Sem problemas. Voc s precisa - Ei! V devagar com essa lmina.
   - No tente me enganar. Quero que saia de cima de mim. E, depois, quero que me tire deste lugar.
   - Tudo bem. Me d a faca e conversaremos sobre isso.
   Leanna quase riu. Ser que Knight pensava que a moa era estpida? Se a danarina fizesse o que o americano pedia, Cam a amarraria antes que a jovem pudesse piscar. 
Depois, a puniria pelo que havia fei_to. Aquele corpo poderoso a jogaria de encontro ao colcho. O americano a beijaria at que a moa im_plorasse por misericrdia... 
at que aquele corpo fe_minino traioeiro se derretesse ao toque dele como acontecera antes.
   Irritada com o americano, consigo mesma, com o fato de que nada fazia sentido, a danarina respon_deu, friamente:
   - No h nada a dizer. Faa o que eu quero ou vou fur-lo.
   - Foi essa faca que tentou usar contra Asaad?
   - Exatamente.
   - Pensei que tivesse me dito que no havia tenta_do mat-lo.
   - Menti.
   - Por qu? Qual o sentido em...
   Leanna pressionou a ponta da lmina contra a bar_riga do americano e disse:
   - Lembra-se do que disse sobre termos uma con_versa? Eu no me esqueceria disso, se fosse voc. Nada de explicaes. Sou eu quem d as ordens agora.
   - Ento, tente dar uma que me livre de voc.  di_fcil pensar com essa coisa na minha barriga... e com a senhorita embaixo de mim.
   Leanna sentiu o rosto corar. O americano estava certo com relao ao fato de a moa estar embaixo dele. Continuavam juntos como se fossem amantes. E, por mais 
que parecesse impossvel, Cameron per_manecia excitado.
   - Alm disso, se no comearmos a fazer algo em breve, teremos o quarto repleto de pessoas querendo o dinheiro delas de volta.
   A danarina piscou e perguntou:
   -- O qu?
   A voz de Cam era suave como um sussurro, como se o americano estivesse falando coisas que um ho_mem deveria dizer a uma mulher na cama.
   - No me diga que no imaginou que tivssemos uma audincia.
   - Voc diz... gente vendo?
   - Talvez. Mas, certamente, ouvindo. Como Asaad saber o momento de dar o prximo passo?
   Dessa vez, a moa  quem ficou surpresa e per_guntou:
   - Sabe que o sulto vai fazer algo contra voc?
   - Imagino que sim.
   - Bem, se imaginou isso, deve ter alguma idia. Um homem astuto teria. Mas, na ltima meia hora,
   Cam sabia que havia sido qualquer coisa, exceto as_tuto. Ainda assim, o americano tinha a Beretta ao al_cance de uma das mos. E a moa tinha uma faca en_costada 
na barriga dele.
   - Eu tenho - Cameron confessou.
   - Qual ?
   - Voc tira essa faca daqui. Ento, eu lhe conto o meu plano.
   - Esquea isso. - A danarina hesitou. Depois, perguntou:
   - Tem algum lugar onde possamos conversar sem que nos ouam?   '
   - Talvez.
   - Onde?
   - No banheiro. As paredes e o cho so de mr_more. Ns entramos, fechamos as portas, ligamos o chuveiro para abafar o som das nossas vozes. A, tal_vez tenhamos 
uns cinco minutos de conversa antes que fiquem nervosos.
   - Se estiver certo - se estivermos sendo vigia_dos -, no vo questionar nossa ida ao banheiro? Podem pensar que s iramos l se quisssemos nos livrar deles.
   - No se jogarmos as cartas certas.
   - O que quer dizer?
   - Vou fazer algo para que pensem que quero lhe dar um banho.
   A moa pressionou ainda mais a ponta da faca na
   barriga de Cam.
   - Voc usa essa coisa, e a nossa chance de esca_par cai de um para zero. - Cam desviou-se, os olhos do americano sempre presos aos da danarina.
   - Sabe o que quero? - Cameron perguntou em voz alta e acrescentou:
   - Um banho. leo perfumado, velas... A moa o fitou.
   - Diga alguma coisa - o americano sibilou.
   - Um banho? Isso parece...
   - Sim.
   Cam a tirou da cama, segurou a respirao e esperou pelo que quer que fosse que a moa tivesse na mo - uma faca de trinchar, uma faca de cortar carne. Knight 
queria saber o tamanho daquela faca, pois a moa tinha sido capaz de escond-la na tira dourada.
   - Hora do banho - o americano disse em voz alta enquanto a carregava at o banheiro, fechando a porta ao empurr-la com um dos cotovelos.
   A moa comeou a falar. O rapaz calou-a, colo_cando um dos dedos sobre os lbios dela. E esperou. Nada aconteceu. Nenhuma batida  porta do quarto, nenhum grito, 
nenhum passo no corredor. Ainda segurando-a, esticou-se para abrir as torneiras da ba_nheira. A gua caa, batendo forte contra o mrmore.
   - Agora, me d a faca - o americano disse, cal_mamente.
   - Me conte o seu plano. Depois, a faca.
   Cam cerrou a mandbula. A senhorita era to dif_cil quanto bonita. O rapaz teria de lidar com a moa com mais cautela.
   - Vou coloc-la no cho. No faa nada de que possa vir a se arrepender.
   - Voc  quem vai ter mais a lamentar do que eu.
   - Tudo bem. Me conte o que sabe.
   - Asaad est planejando algo.
   - E?
   - Quer que eu o distraia.
   -  isso?
   - No  suficiente?
   Cameron passou uma das mos pelos cabelos e murmurou:
   - Que maravilha! Minha prpria Salom.
   - O qu?
   - Salom. Lembra? A moa bonita que fez com que um sujeito ficasse to excitado que nem percebeu quando ela o decapitou para o rei.
   - Enquanto tenta bancar o astuto, provavelmente, Asaad se prepara para nos matar. O que vamos fazer?
   Ns? Cam quase riu. No havia "ns". O america_no s se interessava em tirar a arma que a jovem man_tinha contra ele. Depois, o rapaz diria adeus e iria em_bora.
   Leanna estava sozinha. Se Cam a levasse consigo, a moa seria uma responsabilidade a mais.
   - Tudo bem - Cam disse, mentindo. E acres_centou:
   - Mas voc no vai gostar do meu plano.
   - Experimente.
   - Esto  espera do grande momento, do clmax, como se houvesse um.
   A moa ficou corada e perguntou:
   - Acha isso divertido?
   Leanna voltou a se aproximar e Cam sentiu a lmi_na novamente encostada na barriga dele. A jovem co_mentou:
   - Talvez voc ache isso divertido tambm.
   - O que eu acho  que voc fala demais.
   O americano a empurrou de encontro  parede, se_gurou-lhe o rosto com uma das mos e voltou a beij-la. A moa arfava, surpresa. Ento, Cam aprofundou ainda mais 
o beijo. Leanna gemeu e Cameron lem_brou a si mesmo de que aquilo era uma encenao.
   Tudo uma encenao, pensou... E, com um dos polegares, pressionou uma artria entre a clavcula e a garganta da moa. Leanna perdeu as foras e tombou nos braos 
do americano. A arma com a qual a dana_rina o ameaara caiu em uma das mos dele. No era uma faca, mas uma lima de uns sete centmetros e meio.
   Cam ergueu os olhos at o rosto da moa. A cor es_tava voltando aos poucos.
   - O que fez comigo? - sussurrou.
   - Um pequeno truque, s isso.
   - Patife!
   - Oh, voc no gosta de truques.  adepta da ver_dade... como o que fez na cama. O gemido. O suspiro. Tudo real, certo?
   - Fiz o que tinha de fazer.
   - Lembre-se daquelas palavras - o americano disse, e foi quando Leanna soube que Knight escapa_ria sem ela.
   A danarina no podia deixar que isso aconteces_se. Tinha de haver um meio de faz-lo concordar em lev-la junto, mas qual?
   - Tudo bem. Aqui est como vamos fazer isso. Voc fica aqui. Vou voltar ao quarto e...
   - No.
   - O que quer dizer com no?
   - Ficamos juntos.
   - Essa  a nica maneira.
   Droga, era verdade. A arma estava no quarto, e as botas, assim como a janela que dava para uma trilha que levava ao ptio.
   - Por que devo esperar aqui se voc vai ao quarto?
   - Tenho uma arma l. Preciso peg-la.
   - Est planejando sair por uma das janelas do quarto.
   - No seja maluca.
   Leanna moveu o queixo na direo de uma enorme janela perto da banheira e perguntou:
   - E essa aqui?
   - O que tem?
   - Ser que abre?
   - Claro que abre. - Provavelmente. Knight ten_tara abrir as janelas do banheiro, no aquela, mas o que importava? No a usaria.
   - Me mostre.
   - Eu lhe disse, minha arma...
   - Est mentindo. No h arma alguma. S quer escapar sem mim.
   - Por que eu faria isso?
   - Veja. A gua est quase chegando ao topo da banheira - Leanna o avisou.
   - Sim. - Cam fechou as torneiras e disse: - Tudo bem. Vou abrir a porta e...
   - Voc vai abrir a janela - a moa disse e gritou. Cam abriu bem os olhos, descrente. O americano xingou, tapou-lhe a boca com uma das mos, mas era tarde demais. 
Algo se chocara contra as portas do quarto.
   Knight rodopiou e trancou a porta do banheiro. Entretanto, o ferrolho era velho e no agentaria mais do que alguns golpes. Porm, qualquer atraso era melhor 
do que nenhum.
   Salom j estava  janela, empurrando a tranca quando comentou:
   - Emperrou!
   Cam xingou, empurrou a moa para o lado e bateu na tranca com um dos punhos. A lima. Ser que...? Sim. Algumas estocadas e a tranca abriria.
   Os sons vindos do quarto cresciam cada vez mais. As portas seriam abertas a qualquer segundo.
   - Esto vindo! - Leanna sussurrou, apavorada.
   - Que surpresa... - Cam murmurou enquanto empurrava as venezianas, chutava o vidro e subia no peitoril.
   - Por favor! No me deixe aqui!
   Cameron virou-se, olhou para a mulher, viu os ca_belos dourados por cima dos seios nus, os olhos cor de cu repletos de esperana e de terror. A jovem se metera 
naquela confuso, viera quele lugar infernal para tirar o que conseguisse de Asaad, e agora o for_ava a uma fuga sem preparo. A Beretta, que podia ser a nica 
chance de sobrevivncia, estava to longe do alcance dele quanto o mundo que o rapaz deixara para trs quando sara de Dallas.
   - Por favor, no me deixe - a moa sussurrou.
   Os sons vindos do lado de fora aumentaram, como se as portas estivessem sendo golpeadas com um arete.
   - Por favor - a jovem disse, desesperada.
   - Se me causar qualquer problema, eu a deixo. Entendeu?
   - Sim.
   Cam estendeu-lhe uma das mos e a puxou para cima do peitoril.
   - Vamos pular e correr quando tocarmos o cho - o americano a avisou.
   - Correr para onde?
   - Para qualquer lugar que eu disser. Pronta?
   - Pronta.
   Leanna estava assustada. Bom, o americano pensou. Devia ser mais fcil de lidar com a moa uma vez que estava assustada.
   - Um, dois...
   Os dois pularam. Cam deu uma olhada rpida ao redor. Estavam em um corredor.
   - Voc  to boa para correr quanto  em promover jogos na cama, Salom? - Cam no esperou por uma resposta, nem pretendia esperar por uma. Em vez disso, ele 
a empurrou para trs de si e disse:
   - Me siga. Corra como se ces de caa, vindos do inferno, estivessem atrs de voc.
   Cameron era rpido. Podia correr quase oito quilmetros sem problema. Se a moa pudesse acompanhar, bem. Caso contrrio...
   O americano parou quando chegaram a uma esquina. A moa bateu de encontro ao rapaz. Cam gesticulou para que a danarina ficasse atrs dele. Depois, espiou a seu 
redor. Os veculos que haviam participado do comboio continuavam estacionados ali.
   - Fique aqui - Knight sussurrou.
   - De jeito nenhum.
   - Fique aqui, droga! - Cam agarrou uma das mos da moa, deu-lhe a lima e disse:
   - Use isso se precisar.
   O americano comeou a sair dali, das sombras.
   - Espere! - Leanna sussurrou, a voz indicando urgncia.
   Cam virou-se e a fitou.
   - O qu?
   - No sei o seu nome. Quero dizer, no posso continuar chamando-o de Senhor Knight.
   -  Cameron. Cam.
   - Cam - a moa repetiu e sorriu, trmula.
   Em um impulso, Knight enterrou uma das mos nos cabelos da jovem, agarrou-lhe a cabea e a bei_jou. Depois, respirou fundo, agachou-se e comeou a correr em direo 
aos veculos estacionados.
   A sorte estava ao lado dele. Os motoristas no ha_viam retirado as chaves da ignio. Cam pegou cada uma delas, de todos os veculos, e as jogou em um dos bolsos 
das calas.
   Knight acabara de chegar ao Humvee, que encabe_ava a fileira de veculos, quando um resmungo de uma multido irritada quebrou o silncio da noite. A esquadra 
de capangas do sulto havia derrubado a porta e no encontrara ningum. Cam girou e gritou:
   - Salom, corra!
   A jovem correu ao encontro do americano e jogou-se dentro do veculo enquanto Knight virava a chave. O motor entrou em funcionamento e o Humvee saiu em disparada 
no momento em que os primeiros ho_mens de Asaad surgiram.
   - Abaixe-se - Cam ordenou. Como a moa no se mexeu rpido, o americano esticou-se e, com a palma de uma das mos, empurrou a cabea dela para que ficasse embaixo 
do assento.
   - Droga, o que foi que eu disse? Faa o que eu mandar.
   - Deixei a lima cair - a moa contou, sem ar.
   - Isso  ruim - Cam comentou, rspido, enquan_to trocava as marchas. E acrescentou: - Acho que voc vai ter que se virar.
   Cameron sabia muito bem que a moa havia pen_sado na lima como uma arma perdida. Porm, agora, ambos tinham preocupaes maiores graas a ela. A danarina o forara 
a uma fuga que o americano no planejara e para a qual no estava preparado.
   O barulho de um rifle Kalashnikov atravessou a noite, mas os dois se afastavam rapidamente. Em pouco tempo, os homens e as balas estavam para trs, distantes 
demais para serem motivo de preocupao.
    frente deles, o deserto infindvel. E qualquer que fosse a escassa esperana que os dois tinham de sobreviver.
   
   
   CAPTULO CINCO
   
   O Humvee cruzou a areia do deserto, voando. Cam jogou pela janela todas as chaves dos veculos que pegara enquanto Leanna se ajeitava com o que sobra_ra do suti. 
De alguma forma, a moa conseguiu amarrar as pontas. Era surreal atravessar um deserto, em alta velocidade, ao lado de um homem como Cameron Knight.
   Ser que a jovem realmente estivera danando em Ankara alguns dias antes? Agora, estava em um lugar governado por psicopatas. A vida da bailarina estava nas mos 
de um estranho, que dirigia como se esti_vesse numa corrida de carros, os olhos fixos no que quer que fosse que estivesse  frente deles.
   Areia, a jovem pensou, com amargura. Era isso que havia  frente dos dois. Areia e a vida dela, nas mos enrgicas daquele homem. Entretanto, aquelas mos no 
haviam sido rudes quando a tocaram. A pele da moa ainda formigava devido  carcia do americano.
   Sentindo o rosto quente, a jovem desviou-se em direo  janela lateral. Por que pensar nisso? Era uma danarina preparada. Sabia como representar. Foi o que 
fizera nos braos dele, e sem muito esforo.
   Agora, a moa tinha outro papel a representar. Ti_nha de evitar que o americano a largasse e, para isso, precisava ser...
   - ...til.
   Leanna piscou e perguntou:
   - O qu?
   - Eu disse, que tal fazer algo de til?
   - Como o qu?
   Como encontrar uma maneira de se cobrir, Cam pensou. O americano segurou o volante com fora. Ao menos, a danarina conseguira ajeitar o suti e os seios estavam 
cobertos. Mas ainda ameaavam pular daquelas taas douradas. As pernas, estendidas e realadas pelas fitas que serpenteavam, tinham de es_tar a mil quilmetros de 
distncia. E se aquela maldi_ta tira na barriga abaixasse um pouco mais...
   - Veja o que consegue encontrar para levarmos conosco quando nos livrarmos do Hummer.
   - Por que nos livraramos do veculo?
   - Porque  um alvo fcil demais.
   Leanna abriu um compartimento e fez uma busca minuciosa pelo local.
   - Temos um bloco e uma caneta - a danarina avisou.
   - Algo mais?
   - Fsforos. E uma coisa grudenta que cheira mui_to bem.
   - Me mostre.
   A jovem lhe mostrou uma massa de cor creme. Cam comentou:
   - Halvah.  um doce rico em protena e gordura, tpico do Oriente Mdio e da sia. Uma mistura de queijo com gergelim torrado, coberto com acar ou mel. Bom 
achado. Algo mais?
   - Essa caixa pequena. Algum tipo de engenhoca eltrica.
   Uma luz bruxuleante refletida no espelho chamou a ateno de Cam. O americano a olhou por alguns segundos. Faris, porm muito atrs, distantes deles. Os homens 
de Asaad os haviam encontrado, mas a dupla ainda tinha algum tempo.
   O olhar de Salom seguiu o de Knight. A jovem indagou:
   -  Asaad?
   - No se preocupe. Deixe-me ver a engenhoca. Cam desviou o olhar do pra-brisa e comentou:
   -  um GPS. Um aparelho chamado Sistema de Posicionamento Global. Supondo que ainda tenha eletricidade, seremos capazes de saber onde estamos.
   - E o que faremos?
   - Darei as coordenadas para algumas pessoas que podem nos ajudar.
   - Como?
   - Tenho um telefone celular.
   - Um celular? Ento, por que no...
   - Tentei hoje de manh mais cedo, mas no con_segui sinal.
   A moa recostou-se no banco e cruzou os braos, tampando os seios. No, no por cima deles, exata_mente. Os braos estavam embaixo deles. Assim, as taas douradas 
ergueram, como se ofertassem aquela pele cuja essncia de mel o americano ainda sentia na boca.
   - Droga - Cam disse, furioso com a danarina, consigo mesmo, com a estupidez de pensar em sexo em uma hora como aquela. E acrescentou:
   - No fique aqui sentada. V para o banco trasei_ro. Veja o que mais consegue encontrar. Voc precisa colocar alguma roupa.
   - Estou bem.
   - Faz frio no deserto  noite. Se voc tiver um choque trmico, vai me retardar. V l para trs e aparea com algo.
   Leanna o fitou de um jeito que no parecia amig_vel, mas ficou de joelhos e vasculhou a parte traseira do veculo. Foi uma mudana infeliz. O bumbum fi_cou em 
evidncia. Cam grudou os olhos no pra-bri_sa. Parte do quadril da jovem roava em um dos om_bros do americano. Algumas fitas douradas pendiam pela coxa do rapaz 
e, de repente, Knight teve uma vi_so daquelas fitas enfeitando o colo dele quando a puxasse para si.
   - Encontrei algo! - a moa exclamou.
   - O qu?
   - Uma mochila. H coisas dentro. gua. Uma ca_misa. Uma camiseta. E...
   - E o qu?
   - Nada. Pensei que houvesse algo, mas... No  nada.
   E pior que havia. A danarina estava mentindo, mas por qu?
   - Maravilha. Fique com a camisa. Jogue para mim a camiseta.
   A moa subiu no banco. Uma das coxas voltou a roar nele. O americano pensou em como havia colo_cado uma das mos entre as pernas da jovem e sentira o calor daquela 
pele feminina... O veculo deu uma guinada.
   - Viu alguma coisa? - a danarina indagou. Droga, Cam vira a prpria falta de habilidade para arranjar a situao. Mas o americano entendera o pro_blema. Frustrao 
sexual. Estivera prestes a conse_guir o que queria, o que Salom prometia mas no entregava, e fora interrompido. 
   Cam precisava completar o que havia iniciado. Tomaria Salom nos braos, ento ele a deitaria na areia e ambos fariam amor at que estivessem exaus_tos. Dessa 
forma, Knight poderia se concentrar em salvar a prpria pele e, conseqentemente, a dela.
   - Agarre-se ao volante. A moa apoiou-se em Cameron. Rapidamente, rapaz vestiu a camiseta.
   - Tudo bem. Pode voltar a se sentar - Cam disse.
   - No me respondeu, Cameron. Viu algo? Porque acho...
   - Me chame de Cam. E me faa um favor. No pense. No quero que se canse mentalmente. Apenas vista aquela maldita camisa e jogue o resto do que achou dentro da 
mochila.
   Leanna olhou para Cam. Ento, a moa pegou a camisa e a vestiu. Muito melhor. A danarina estava mais quente, e no precisava v-lo lanando-lhe olhares como 
se ela fosse alguma rainha de vdeo para menores de dezoito anos.
   Esse homem era o patife mais indelicado que a jo_vem conhecera. Tudo bem, talvez tivesse complicado um pouco as coisas, arriscado demais, feito o ameri_cano sair 
sem a arma. Porm, sem a ajuda dela, talvez o sujeito estivesse morto.
   Ou talvez ainda estivessem na cama. A danarina puxou a mochila para perto de si, como se aquilo a confortasse. A ltima vez que carregara uma mochi_la, Leanna 
tinha doze anos e era escoteira. L dentro, havia um cantil, um pacote de cereais, frutas secas e um sanduche de creme de amendoim.
   Agora, a mochila nos braos dela tinha gua, halvah, fsforos e um GPS... E uma arma automtica. Era tudo o que a moa sabia, mas era o suficiente. No estava 
mais indefesa.
   Leanna deu uma olhadela em Cam. Era um patife insensvel. Entretanto, a danarina tinha de admitir que o americano tambm era grande, forte e atraente, um exemplo 
esplndido de masculinidade.
   E da? No confiava no americano. O fato de ter boa aparncia no mudava nada. Sentira o peso da_quele homem enquanto estivera presa  cama. Senti_ra-o poderoso 
e forte. E Leanna, feminina e suave, Quando Cam colocou uma das mos por entre as per_nas dela... se a moa tivesse se mexido, s um pou_quinho...
   - Esto atrs de ns - Cam a avisou.
   Leanna olhou para trs e viu uma srie de luzes. A moa ficou com o corao apertado, sentiu medo e perguntou:
   - No podemos ir mais rpido?
   - J pisei no acelerador.
   - O que podemos fazer?
   - Precisamos de diverso.
   - Que diverso?
   - Estou tentando ver o que h l fora.
   - Areia  o que tem l fora.
   - Posso avistar o contorno de algo. Rochas. Uma colina. Se eu conseguir desviar os capangas dessa co_lina, talvez tenhamos alguma chance.
   Leanna agarrou a mochila contra si. Podia sentir a arma. Talvez agora fosse o momento de lhe contar sobre a pistola. Talvez pudesse confiar nele.
   Cam desviou o veculo para a direita e disse:
   - Abra a sua porta.
   - Abrir a minha porta?
   - No foi o que eu disse?
   A danarina o fitou. Depois, fez o que o americano ordenara.
   - Bom. Agora, respire fundo e pule.
   - Pular?
   - Pare de repetir tudo. Vou reduzir. Quando eu fizer isso, voc pula. Tente pular longe. Role. Faa direito e no vai se machucar.
   O corao da jovem disparou. A idia que fazia dele estava correta. Cam era frio como uma pedra. Decidira salvar a si mesmo entregando-a a Asaad.
   Leanna tirou a arma da mochila, e o mirou.
   - Continue dirigindo - a danarina ordenou. Cam olhou para a jovem e perguntou:
   - De onde veio isso?
   - No importa. Juro que vou atirar a menos que pise no acelerador e nos tire daqui - Leanna disse.
   - Me d a arma.
   - Vou contar at trs. Est me ouvindo? Um. Dois...
   - Cuidado!
   Era o truque mais antigo do mundo, mas funcio_nou. Leanna virou-se para confrontar o suposto perigo atrs dela. O veculo perdeu a direo quando Cam agarrou-lhe 
um dos pulsos, e o apertou o sufi_ciente at fazer a moa gritar e a arma cair.
   - No, seu patife! No pode fazer isso...
   - Lembre-se de rolar - Cam a avisou e a empur_rou para fora do veculo.
   Imediatamente, o americano puxou o volante para a esquerda, aumentou a velocidade e olhou pelo espe_lho. Como havia esperado, os homens do sulto esta_vam bem 
atrs dele.
   J usara esse truque antes, mas nunca com uma mulher. Fizera o melhor possvel. Reduzira a veloci_dade. Dissera a Salom como deveria ser a queda. Se a moa tivesse 
seguido os prprios instintos, estaria bem.
   Uma arma... Cam sabia que a danaria encontrara algo, mas uma arma? Nunca imaginaria isso. E, de_pois, apont-la para ele...
   O americano deu uma ltima olhada pelo espelho. Se fosse mais longe, nunca a encontraria quando vol_tasse. Era uma tentao deix-la sair daquela confu_so sozinha...
   Um declive se aproximava. Precisava disso para que o plano funcionasse. Reduziu a velocidade e es_perou at que o veculo estivesse quase no topo. En_to, abriu 
a porta e pulou. Primeiro, bateu no cho com um dos ombros e rolou o mximo possvel. De_pois, permaneceu agachado.
   O Hummer descia a ladeira, seguido por pontos desconhecidos. O americano ficou deitado na areia durante a perseguio dos veculos. Depois, estreme_ceu ao se 
levantar. Um dos ombros doa, mas no devia ser nada mais do que uma contuso. Logo, o rapaz verificou se a arma continuava presa  cintura. Ento, jogou a mochila 
por cima de um dos braos e come_ou a andar.
   Tudo o que tinha de fazer agora era seguir os ras_tros dos pneus e encontrar Salom. S que isso no acontecia. Onde ser que a danarina estava?
   - Salom. Onde voc...
   A moa pulou em cima dele como uma tigresa. A mochila caiu no cho quando a jovem tentou arranh-lo no rosto. Um dos joelhos da danarina o teria atin_gido em 
cheio se o americano no tivesse sido rpido.
   - Ei! Calma! Sou eu.
   Tudo o que Cam conseguiu foi um soco na mandbula antes que a jovem se afastasse. Tudo bem, se ti_nha que ser assim, que fosse.
   A danarina era rpida, mas no sabia o bsico so_bre luta. Cameron dissimulou para a esquerda, saben_do que a jovem o seguiria. Quando Leanna fez isso, o rapaz 
a pegou, envolvendo-a nos braos e levantando-a.
   - Est maluca?
   - Maluca por pensar que me ajudaria.
   Cam pensou em dizer que nunca lhe oferecera aju_da, mas prevaleceu o bom senso. Agora no era hora de ter lgica.
   - Acalme-se!
   - Me acalmar? Voc me jogou para fora de um carro em movimento!
   - Diminu para que pudesse sair. Se tivesse pula_do como eu fiz, provavelmente estaria com algumas costelas quebradas.
   - Voc quis se livrar de mim!
   - Ento, por que eu voltaria para encontr-la?
   - No fez isso. Apenas tropeou em mim.
   - Isso no faz sentido, nem para voc.
   - Deixe-me ir!
   - Com prazer. Apenas lembre-se, se me bater de novo, vou...
   - Vai o qu? Me amarrar? Me jogar por cima de um dos seus ombros? J fez tudo isso, lembra? Que tipo de homem voc ?
   Cam a colocou no cho e disse:
   - O tipo que no tem que tolerar crticas desse tipo. Devia ter isso em mente.
   Leanna o fitou. A moa j sabia o quanto o ameri_cano era forte. Agora, sabia que Knight faria qual_quer coisa para evitar ser capturado. E talvez para salv-la.
   O vento jogou-lhe os cabelos nos olhos. Trmula, a moa ergueu uma das mos para afast-lo. Ser que Knight voltara por causa dela? Talvez. Ainda assim, tudo 
o que a moa sabia era que o americano era um homem que faria amor com uma mulher que lhe im_plorava para que no fizesse isso.
   Leanna implorara para que Knight parasse, no? Claro que fizera isso. Aquelas coisas que a moa sen_tira quando o americano afagara os seios dela, quan_do a beijara...
   - Seu rosto  como um livro aberto, Salom.
   A voz de Cam era sensual e rude. Os olhos da jo_vem moveram-se em direo aos dele. Ser que o americano sabia o que a moa estivera pensando?
   - Nesse caso, sabe que, se tentar mais algum tru_que, eu vou...
   - O qu? Me apunhalar? Dar um tiro em mim? Que outros brinquedinhos voc tem guardados?
   - Guardados? - A moa olhou para si mesma. A camisa tamanho grande estava aberta. A jovem sol_tou uma risada e comentou:
   - Voc deve estar brincando.
   - Eu deveria revist-la.
   - J disse, no tenho...
   - Sim.  isso que diz. Vou revist-la. Apenas f que quieta, aceite isso e tudo ser rpido.
   - No! No vou deixar... - A moa prendeu respirao quando o americano passou as mos pelos braos dela, e reclamou:
   - Droga! Pare com isso! O que pensa que est... As mos de Cam foram parar embaixo da camisa da danarina. Subiram at os seios. Os olhos do ame_ricano se prenderam 
aos da moa enquanto a tocava. A fisionomia dele mostrava frieza, mas Leanna podia ver um pequenino msculo da face pulsando. E, para o horror da bailarina, os mamilos 
dela ficaram rgi_dos.
   - No tem o direito...
   Uma das mos de Cam percorreu a barriga da jo_vem. Oh, Deus! Um calor mido brotou entre as co_xas da moa.
   - Pare com isso! No tenho nenhuma arma es_condida.
   Claro que tinha, Cam pensou, e passou as mos por entre as coxas da danarina. Logo, o corpo inteiro da moa ficou rgido. Knight tambm estava assim.
   O americano podia sentir o calor da jovem queiman_do na palma da mo dele. Seria possvel uma mulher fingir daquela forma? Poderia tremer diante de um toque masculino 
a menos que quisesse? Poderia o corpo dela ficar quente de desejo a menos que esti_vesse louca para ser tomada por um homem? Aquela mulher podia. Cam tinha de manter 
isso em mente.
   - S estou verificando - Knight comentou.
   - Verifique novamente, e vou mat-lo.
   - Volte a deixar de me contar algo importante e no vai ficar aqui o bastante para tentar - Cam avi_sou. Depois, pegou a mochila e a jogou em um dos ombros. Ento, 
acrescentou:
   - Eu estaria em uma posio mais vantajosa se no tivesse voc grudada em mim. Estou sendo cla_ro?
   - Perfeitamente - Leanna respondeu e seguiu adiante, passando pelo americano. A danarina ape_nas dera alguns passos quando Cam agarrou-lhe um dos braos.
   - Essas sandlias - o americano comentou.
   A bailarina olhou para os prprios ps. Nenhuma mulher em s conscincia teria escolhido sandlias de salto fino para uma caminhada no deserto. Mas, ento, nenhuma 
mulher em s conscincia teria esco_lhido um homem como aquele para ser o guia.
   - O que tem as sandlias? - Leanna perguntou.
   - Tire-as.
   - D-me uma boa razo... Ei!
   Um puxo e a moa estava sentada. Cam se ajoe_lhou, desamarrou-lhe as sandlias e quebrou os sal_tos. Depois, disse:
   - Ponha as sandlias e me siga. Cada minuto que tenho que lidar com voc  tempo perdido. A moa o seguiu.
   A passada de Cam era grande e o americano no a diminura por causa da companhia indesejvel. Quanto mais a moa apressasse o passo, melhor. A danarina era um 
fardo que Knight no pedira. Po_rm, agora, a moa era responsabilidade dele. Isso fa_zia parte do cdigo segundo o qual o americano vive_ra durante boa parte da 
vida. Mas Cam no via ne_nhum motivo para contar isso  bailarina. Deixaria que a moa ficasse preocupada com a possibilidade de ser abandonada por ele.
   Isso talvez ajudasse a fazer com que a jovem no discutisse tanto. Para a surpresa de Cam, a moa mantinha o passo firme h um bom tempo. Bem, por que no? Estava 
em boa forma.
   Em boa forma ou no, caminhar contra o vento era algo difcil. A moa comeou a ficar para trs, o que era inevitvel. No podiam parar, mas Cameron tam_bm no 
podia deixar que a danarina casse. No quando estavam alcanando o que parecia ser uma colina, antes do nascer do Sol.
   Cameron parou e a manteve quieta. A respirao de Leanna estava descontrolada e o rosto, vermelho. E a moa tremia devido ao cansao, ao frio da noite. Isso era 
um mau sinal. A jovem poderia recuperar o flego se Cam a deixasse sentar, mas a areia estava fria. A nica soluo era colocar os braos ao redor dela e encost-la 
em seu corpo. Como a moa protes_tou, Knight disse:
   - Pare de ser idiota. Apie-se em mim e recupere o flego.
   Depois de alguns segundos, a tremedeira passou.
   - Isso. Deixe-me aquec-la.
   Cam apertou o abrao. O americano havia conhe_cido todos os tipos de mulheres. No era um idiota: sabia que uma mulher bonita podia ser forte tambm, mas no 
havia esperado isso de Salom. A jovem pa_recia delicada, mas no demonstrara fraqueza no mo_mento em que o ameaara com aquela ridcula lima. Sem lgrimas. Sem 
reclamaes. Sem pedir favores pelo fato de ser mulher.
   Cameron fechou os olhos. A danarina era muito feminina e cheirava bem. Salom cheirava a flores, baunilha, mulher...
   - Aposto que adoraria um copo de suco de laran_ja. - O americano comentou enquanto passava as mos pelas costas dela.
   - Isso. Me torture.
   - E um bife - Cam acrescentou. O rapaz mante_ve um dos braos ao redor da jovem enquanto se esti_cava para pegar a mochila.
   - Como gosta do seu bife? Malpassado? Bem passado?
   - Malpassado, mas queimado por fora.
   - Por qu? Voc deve ser do Texas, assim como eu.
   - Voc  realmente do Texas?
   - Dallas.
   - Por isso usa aquelas botas!
   - Voc quer dizer, por isso eu as usava. Mas est certa. Nenhum Texano que se preza sai sem suas bo_tas.
   A danarina sorriu. Cam queria aplaudir, o que era ridculo. Por que se importava se a moa sorria ou no? S fazia sentido desviar um pouco o pensamen_to dela 
dos problemas de ambos.
   - Aqui. Beba um pouco d'gua. Mais - o ameri_cano disse quando a jovem comeou a devolver a gar_rafa.
   - Agora, o bife. - Cam lhe deu o pedao de halvah. Leanna deu uma mordidinha. Depois, fechou os olhos ao sentir o gosto doce.
   A jovem emitiu um som de prazer. Cam lembrou-se dela emitindo o mesmo som quando desnudou-lhe os seios e os beijou. O halvah era doce, mas o gosto da danarina 
fora mais ainda. Ento, ficou excitado. Cam girou, inclinou a garrafa na direo da prpria boca para um gole rapidamente. Depois, guardou a gua na mochila junto 
com o que havia sobrado do doce.
   - Tudo bem. Hora de continuar - Knight disse.
   - Voc no bebeu gua suficiente. E no comeu nada.
   - Estou bem.
   Leanna o fitou. Cam dizia a verdade. A moa tre_mia de frio e de cansao. Os msculos ardiam e os ps pareciam estar em carne viva, apesar da provi_dncia inteligente 
que o rapaz tomara em relao s sandlias dela.
   Knight no tinha nada nos ps. A camiseta no era muito grande. O americano impusera um passo mortal, mas no dava a entender que isso fosse mais do que um passeio. 
Talvez todos aqueles msculos fos_sem reais.
   - Voc faz isso com freqncia? - Leanna per_guntou.
   - Bem, vamos ver. Da ltima vez que escapei de um luntico e cruzei o deserto com uma mulher boni_ta foi h duas, talvez, trs semanas. Ento, diria, sim, com 
freqncia.
   - No quis dizer...
   A moa viu a risada no rosto de Cam e riu tambm. Foi a primeira vez que Knight ouviu a risada dela e isso o surpreendeu. Uma mulher que havia percorri_do metade 
do mundo para jogar com um sulto no deveria ter uma risada to franca e inocente.
   - Estava falando sobre caminhar por um terreno rduo sem ter problemas com a respirao. Parece que isso lhe  familiar - a moa explicou.
   Cam pensou nos anos que passou nas Foras Espe_ciais e no Servio Secreto. Nada com relao a esses anos tinha sido familiar. Um homem precisava aprender como 
fazer todas as coisas que ele fizera.
   - Fui soldado por muito tempo - Cameron ex_plicou.
   - Nesta parte do mundo?
   - Entre outras. - Cam franziu as sobrancelhas. Leanna estava tremendo novamente.
   - Voc ainda est com frio. Aqui. - O america_no se esticou, agarrou as lapelas da camisa e a puxou para si, dizendo:
   - Abotoe. Vai ajudar.
   - Posso fazer isso - a moa disse, mas os dedos dele j estavam nas casas dos botes, roando suave_mente os seios da danarina. Leanna respirou fundo. Cam viu 
o rosto da jovem ficar corado, sentiu o san_gue correndo pelo corpo. Agora, pensou. Nesse mo_mento. Podia tomb-la na areia, mergulhar nela...
   Salom recuou e disse:
   - Estou bem. S preciso recomear a andar. Silncio entre ambos.
   - Por qu? - Cam perguntou.
   - Bem, por causa da energia eu...
   - Por que se vendeu para Asaad? A moa se encolheu, como se o rapaz a tivesse atingido.
   -  uma pergunta fcil. Por que fez isso? - Cam continuou.
   Por que ser que doa saber que o americano acre_ditava no pior sobre ela?
   - Estava desesperada por dinheiro? - Cam in_sistiu.
   - Quer saber se a minha av est morrendo de al_guma doena da qual ningum nunca ouviu falar? Se a minha me est prestes a perder a casa da famlia para um 
canalha bigodudo? Me desculpe. Acabou meu estoque de histrias piegas.
   - Pelo amor de Deus! Que tipo de mulher voc ?
   - O tipo que deveria saber que voc no  dife_rente do seu amigo, o sulto.
   O americano a puxou contra si e disse:
   - Est certa. No sou diferente. Uma mulher como voc me provoca, e pretendo aceitar esse de_safio.
   Cam a beijou. Leanna tentou virar-se, mas o ame_ricano foi implacvel. Colocou as mos no rosto dela. Depois, deslizou as mos pelas costas da moa, de modo que 
pudesse levant-la. A danarina lutou. Mas, de repente, soltou um gemido, colocou os bra_os em torno do pescoo dele e correspondeu ao beijo.
   Sem piedade, Cam saqueou toda aquela doura.
   Mudou o ngulo do beijo, aprofundando-o enquanto as ltimas estrelas da noite, que j caa, giravam aci_ma dos dois.
   Foi Knight quem acabou com o beijo. O ex-soldado soltou as mos da jovem que estavam no pescoo dele, levando-as at a boca e mordiscando-as suave_mente.
   Depois, o americano pegou uma das mos da moa para que a danarina sentisse o quanto ele estava ex_citado.
   - O que aconteceu naquela cama no acabou. Sa_bemos disso.
   Cam a olhou pela ltima vez. Depois, virou-se, pe_gou a mochila e comeou a andar.
   
   
   CAPTULO SEIS
   
   Os dois chegaram  colina ao nascer do sol.
   - A montanha  real - Leanna comentou, exci_tada.
   - Eu no chamaria de montanha. Mas, sim,  real - Cam disse, sorrindo.
   H pouco, o americano se perguntara se ambos es_tavam tendo a mesma miragem. Ali, qualquer coisa era possvel. Mas a montanha estava  frente deles, e parecia 
ser a salvao.
   - Pronta para subir? - Cam indagou.
   A moa acenou com a cabea, concordando. O ra_paz via o cansao estampado no rosto da jovem, mas a danarina sorria. A Salom dele era surpreendente, e...
   O sorriso de Cam deu lugar a um semblante amea_ador. O rapaz forou-se a desviar o olhar. Passou a observar a colina, o sol, a areia... E os ps dela.
   - Pelo amor de Deus, seus calados esto se des_fazendo - Cam disse.
   O olhar da moa seguiu o dele. Claro que estavam. Por que Knight parecia to surpreso?
   - No pode escalar essas pedras assim.
   Sem dizer uma palavra, a jovem olhou para os ps descalos de Cam.
   - Comigo  diferente - o rapaz logo disse.
   - Como  diferente?
   O treinamento de Cam nas Foras Especiais envol_vera caminhada descala em terrenos piores do que aquele, mas o rapaz no pretendia dar explicaes.
   -  diferente porque digo que  - Cam afirmou.
   - J passou horas ensaiando uma nova dana? - Leanna perguntou.
   - O qu?
   - Dana. Sabe alguma coisa sobre isso?
   - No. Voc sabe?
   O tom de voz de Cam era rude e montono. Assim como a fisionomia dele. H poucos minutos, Leanna estivera pensando que somente um homem como Cameron poderia t-los 
levado to longe. Como podia ter sido to estpida a ponto de pensar coisas boas so_bre o americano?
   - Sim, eu sei. E se voc soubesse alguma coisa sobre a minha profisso...
   - Acredite em mim. Sei muito sobre a sua profis_so.
   Uma das mos da moa girou no ar. Cam a pegou antes que o atingisse na mandbula e disse:
   - No faa isso. A menos que esteja preparada para as conseqncias.
   - Gostaria de nunca ter colocado meus olhos em voc!
   - Certo. Exceto que, de acordo com voc e Asaad, a senhorita estaria a caminho da sua execuo neste exato momento.
   - Se realmente acredita nisso,  um idiota. Eu es_taria na cama do sulto.
   - Fico contente em ouvir que admite isso.
   - Por que eu negaria? Era para isso que Asaad me queria.
   - A verdade, ao menos.
   - O que um homem como voc saberia sobre a verdade?
   Cam a fitou, dividido entre o desejo de lhe dizer que estava certa, pois ele no sabia nada sobre a ver_dade, e o de pux-la para si e beij-la. O que aquela 
bruxa estava fazendo? Salom no era uma mulher para quem voc pudesse revelar a sua alma.
   - Chega de conversa. Quer escalar aquela pedra? Precisa de mais alguma coisa nesses ps. - Knight disse ao observ-la. O olhar dele pousou sobre os seios da moa.
   - Tire o seu suti - Cam disse.
   - S em sonho.
   - Tire o suti ou farei isso.
   Ambos se entreolharam por um longo minuto. Ento, Leanna livrou-se do suti.
   - Seu desejo  uma ordem - a moa disse. Sem desviar os olhos do americano, a danarina fez o truque conhecido por qualquer garota que tem de se despir em uma 
casa compartilhada com trs irmos. Por baixo da camisa, abriu o suti, abaixou as alas, puxando uma por um dos braos e pelo punho da camisa. Depois, fez a mesma 
coisa com a outra ala.
   - Que diabos acabou de fazer? - Cam perguntou.
   - Tirei meu suti. Desapontado? - A moa indagou.
   Que inferno, no! Agora, Knight podia ver o contorno perfeito dos mamilos sob a camisa, apenas esperando pela carcia das mos dele. Ao se sentir excitado, o 
rapaz ficou furioso e ordenou:
   - Sente-se.
   Como a moa no se mexeu logo, o americano disse:
   - Droga, quando lhe digo algo...
   Cam ficou de ccoras, agarrou um dos tornozelos da danarina e o puxou. Leanna caiu sentada e disse:
   - Voc  detestvel.
   - Levante um dos ps. Faa isso, ou ter de subir aquela montanha descala.
   - Pensei que tivesse dito que no a chamaria de montanha.
   - Tudo ser feito como eu disser. Segure essas fi_tas.
   - Que fitas?
   Cam resmungou algo e agarrou as fitas douradas que pendiam da roupa da danarina. Havia pedras pequenas espalhadas ao redor, perto dos ps deles. O americano 
escolheu uma com uma ponta afiada e a usou para cortar as fitas ao meio. Depois, rasgou o su_ti, envolvendo cada p com uma parte do suti e os amarrando com as 
fitas.
   - Oh - a moa exclamou. Cam olhou para cima e disse:
   - Desculpas aceitas.
   - Voc est certo. Me desculpe. Knight levantou-se e disse:
   - Tudo bem. Vamos l. Quero estar do outro lado daquela coisa antes que o sol suba mais.
   Os sapatos improvisados agentaram, mas a maior surpresa foi o que os dois encontraram quando chegaram ao topo da montanha. Abaixo deles, estendia-se um mar de 
grama e flores... E, mais adiante, as paredes brancas de um palcio de alabastro se erguiam contra um cu azul-brilhante.
   Era surpreendente como era mais rpido descer do que subir. Em pouco tempo, ambos estavam pisando na grama suave, ouvindo o canto de passarinhos e sentindo a 
carcia gentil da brisa perfumada das flo_res. Era como pular de um lugar para outro. Mas algo fez Leanna estremecer. .
   - O que h de errado?
   - Nada. No sei. Estou...
   - Agitada.
   - Sim.
   Cam pegou uma das mos da moa. Sem hesitar, a danarina deixou que os dedos deles ficassem entre_laados.
   - Isso  bom. No  hora de abrirmos a guarda - o americano comentou.
   - Fico me perguntando de quem  esse palcio... E se os homens de Asaad j esto l,  nossa espera.
   - Sim, eu tambm.
   - Como encontramos as respostas?
   - Esse  o meu trabalho. Voc fica aqui enquanto eu...
   - No. E, antes que me diga para calar a boca e fazer o que me diz, apenas lembre-se de que fui eu quem o meteu nessa confuso.
   - Vou lhe contar um segredo. Eu no planejava testar a hospitalidade de Asaad por muito mais tem_po.
   - Se eu no tivesse apressado as coisas, voc teria tido tempo para elaborar um plano decente.
   - Talvez. Mas, a, eu no teria tido uma compa_nheira de viagem to interessante. Acredite em mim, querida.  melhor que fique aqui. Vou checar a situa_o e 
volto.
   - Nada feito.
   Knight pensou em lembr-la de que no estavam combinando nada, mas o queixo rebelde da jovem lhe disse que a danarina j se decidira. Uma discusso seria perda 
de tempo. Alm disso, por tudo o que o americano sabia, a moa estaria mais segura se ficas_se com ele.
   - Tudo bem. Venha comigo. Apenas fique perto,
   - E?
   - E me d um beijo de boa sorte.
   A moa o fitou. Os olhos dele eram de um verde frio e brilhante. Que mal haveria em apenas um bei_jo?
   Cam deixou que a jovem lhe desse um beijo casto. Ento, puxou-a para mais perto e a beijou de forma que pudesse sabore-la. Leanna colocou os braos em torno 
do pescoo dele. Quando os lbios dos dois se separaram, a jovem suspirou.
   Knight a segurou por um longo momento. Quando a deixou, o rosto de Leanna estava corado e o que o americano viu nos olhos da moa o deixou com vontade de beij-la 
novamente. Em vez disso, entrelaou a mo da danarina na dele e perguntou:
   - Pronta?
   A bailarina balanou a cabea, concordando, e os dois comearam a caminhar em direo ao palcio.
   -  lindo, mas continuo querendo saber quem mora aqui. O Mago... Ou a Bruxa Malvada? - a moa indagou.
   Os portes do palcio se abriram a um toque. Um caminho de pedra os conduziu a escadas de mrmore que terminavam em duas enormes portas de bronze.
   - Cam. Onde est todo mundo? - Leanna sus_surrou.
   As portas de bronze se abriram lentamente.
   - Fique atrs de mim - Cam disse, mas a figura que surgiu estava longe de ser ameaadora. Era uma mulher, esguia e de cabelo cor-de-prata, vestindo uma tnica 
branca. Ela curvou-se, em cortesia. De_pois, levantou-se, e disse:
   - Bem-vindo, meu lorde. - A voz dela era sua_ve, o ingls claro e com um ligeiro sotaque.
   Cam apertou a mo de Leanna enquanto a condu_zia adiante, e perguntou:
   - Que lugar  esse?
   - Voc chegou ao Palcio da Lua, meu lorde - a mulher respondeu e sorriu para a danarina, dizendo:
   - E voc, minha senhora. Bem-vinda, tambm. Vocs tiveram uma longa jornada.
   - Obrigada. - A voz de Leanna era forte, mas a mo dela tremia agarrada  de Cam. O americano co_locou um dos braos ao redor da moa e a puxou para mais perto.
   - Eu me chamo Shalla.
   - Parece que estava  nossa espera - Cam co_mentou.
   A mulher riu e disse:
   - Me desculpe, senhor. Devia ter imaginado que vocs fariam perguntas. Sim, espervamos por vocs. Nossos vigias nas torres viram quando se aproxima_ram. Alm 
disso, estamos sempre preparados para a chegada de viajantes exaustos. Aqui  um lugar sa_grado, um refgio entre as terras perigosas do Oeste e o mundo l fora.
   Era uma boa histria, talvez at verdadeira. Cam sabia que os mitos e as lendas do passado geralmente se baseavam na realidade.
   - Ningum pode vir aqui para fazer o mal, lorde, a menos que essa pessoa deseje despertar a vingana dos deuses.
   - Ficamos felizes em ouvir isso.
   Shalla gesticulou, indicando as portas abertas, e disse:
   - Por favor, entrem. Vou mostrar os quartos. Po_dem tomar um banho e descansar enquanto o jantar  preparado.
   Cam ouviu Salom suspirar. O ex-soldado no po_dia pedir  danarina que continuasse sem comida e repouso. Ambos podiam ficar ali o suficiente para que a jovem 
se recuperasse da caminhada forada e para que ele tentasse entrar em contato com o mundo l de fora.
   Knight acenou com a cabea, concordando, e os dois seguiram Shalla pelo maravilhoso corredor de entrada do Palcio da Lua. Meia dzia de passos de_pois, Salom 
parou e observou, pasma.
   - Uau - a moa exclamou.
   O cho era de mrmore preto e brilhava com a luz que caa de uma cpula dourada aberta, alguns me_tros acima das cabeas deles. Arcos mouros se esten_diam pelo 
vasto interior. Uma escadaria levava ao se_gundo andar.
   O palcio era espetacular, uma fantasia de cores e texturas, algo como as Noites da Arbia. Era o tipo de lugar aonde um homem levaria uma mulher para al_guns 
dias e noites de prazer. Cam olhou para Salom. Mesmo agora, com o rosto sujo, as roupas esfarrapa_das, cansada, a moa era to bonita quanto um sonho.
   Quantos homens a olharam e pensaram a mesma coisa? E, por que isso deveria importar? Cam no se preocupava em saber com quem a jovem estivera ou para quem fora 
vendida. No procurara aquele lugar para uma fantasia romntica. Foram parar ali por sor_te, e aproveitariam o mximo possvel do local.
   Precisavam de descanso, comida, suprimentos. Mais do que tudo, Cameron necessitava de um plano que os conduzisse de volta  civilizao...
   A boca do americano esmaeceu. A quem engana_va? Cam precisava de Salom na cama. As pernas da moa enroladas nos quadris dele. O corpo da dana_rina...
   - Meu lorde? Poderia me seguir, por favor? - Shalla indagou.
   - Sim, claro - Cam respondeu.
   Essa histria precisava de um fim, Knight pensou enquanto os dois seguiam Shalla e subiam as escadas.
   Salom o estava deixando louco, e o americano no gostava disso. Distrao era a ltima coisa de que um homem precisava em uma situao desse tipo.
   S havia um jeito de resolver o problema. E, quan_to mais cedo isso acontecesse, melhor.
   
   
   CAPTULO SETE
   
   Shalla os conduziu a uma sute. Depois de dois dias em uma cela suja e uma noite percorrendo a p o de_serto, Leanna consideraria o paraso qualquer coisa com 
paredes limpas e uma janela. E aquele lugar pa_recia competir ao ttulo de Esconderijo Romntico do Ano.
   - Oh, meu Deus - a moa exclamou. Cam pegou as mos da moa e comentou: - Tirou as palavras da minha boca, querida.
   Querida? A danarina o fitou como se o americano tivesse perdido a memria. Cameron sorriu, levou uma das mos de Leanna  boca e a beijou. O olhar que o rapaz 
lhe deu foi aguado. No discuta comigo, dizia. Apenas concorde com o que eu disser.
   A sala de estar era elegante, decorada com flores em vasos de cristais. O foco do quarto era uma cama coberta com seda nas cores carmim e creme. At o banheiro 
era espetacular, com afrescos nas paredes, cho de mrmore branco, acessrios dourados em forma de cisne... e uma banheira de mrmore preto, do tamanho de um lago 
pequeno.
   - Espero que esteja do seu agrado, meu lorde. Cam acenou com a cabea, concordando, como se esperasse encontrar tamanho luxo, e comentou:
   - Est bem, obrigado. Leanna pigarreou e disse:
   - De fato, estava me perguntando se h um se_gundo quarto em algum lugar no...
   Cam apertou a mo da danarina e disse:
   - Tudo bem, amor. Suspeito que Shalla j tenha percebido nosso segredo. Tenho certeza de que no somos os primeiros amantes a fugir para casar e en_contrar um 
refgio como este. No estou certo, Shal_la?
   A mulher com cabelos cor-de-prata sorriu e disse:
   - Est certo, meu lorde. A presena de vocs  um deleite para ns. Vou arranjar roupa e comida para ambos.
   - Minha senhora e eu estamos encantados com a sua generosidade. No  verdade, querida?
   - Encantados - Leanna retrucou.
   O sorriso de Cam desapareceu assim que fechou a porta, e comentou:
   - Finalmente, a ss.
   Porm, os olhos deles continuavam repletos de preocupao.
   - Amantes fugindo para casar? Est malu... - A moa disse com a voz entrecortada quando Cam a pu_xou para os braos dele e a beijou.
   - Nem mais uma palavra sequer enquanto eu che_co a situao - o americano sussurrou.
   - Quer dizer, voc acha... 
   - Sim.
   A moa o seguiu por todos os cmodos, vendo-o examinar a moblia, as lmpadas, as molduras, at que o americano se deu por satisfeito.
   - Nada de escutas, cmeras. Tudo bem - Cam comentou.
   - Acha que Shalla mentiu sobre esse lugar ser um santurio?
   - Acho que seramos loucos em aceitar qualquer coisa como verdade.
   - Est certo. Eu deveria ter pensado em... O que est fazendo?
   - Me despindo. Quero tomar um banho.
   - Eu tambm, mas...
   - Mas quer ir primeiro. Sem problemas. A ba_nheira  grande o suficiente para ns dois. 
   - No vou tomar banho com... - A moa pren_deu a respirao. Cam estava tirando a camisa.
   - Tem que fazer isso? - a danarina perguntou.
   - Fazer o qu?
   - Despir-se como se eu no estivesse aqui. No  educado.
   - Me d um tempo. J a acariciei entre as pernas. Acha que vou acreditar que o seu suspiro ao me ver tirando a roupa  muito para uma senhorita como voc?
   - Nojento!
   A moa estava certa. Cam estava deixando de agir como era de seu costume para ofend-la, e o rapaz praguejava porque sabia o motivo... A danarina fin_gia ser 
inocente quando lhe convinha. Depois, agia de forma selvagem nos braos dele quando parecia ser a melhor escolha. Assim, s havia uma forma de acabar com a tenso 
entre ambos.
   - Vamos l - Cameron disse ao jogar a camiseta no cho, e acrescentou:
   - Desabotoe essa camisa e...
   A danarina fitava o brao esquerdo do rapaz.
   -  uma tatuagem. Uma guia. No notou antes? - Knight indagou.
   - No - Leanna respondeu.
   - Olhe mais de perto. No mordo. Eu poderia, mas, se fizesse isso, voc gostaria - Cam comentou, com um sorriso sensual.
   Cam aproximou-se da moa e dobrou o brao de forma que a danarina pudesse ver a tatuagem em de_talhes. Nu da cintura para cima, o americano era uma viso magnfica.
   A guia, de asas abertas, garras estendidas, olhos dourados pegando fogo, combinava perfeitamente com Cam.
   - O que acha? - Knight perguntou.
   Leanna desviou o olhar, voltando a fitar a tatua_gem. A guia era bonita, um predador eficiente e mortal. Ao v-la, de repente, a moa soube como uma presa se 
sentiria se fosse varrida do cu. A percepo do que viria depois era inevitvel, de que nada na vida poderia ter tanto significado quanto ser escolhi_da e tomada 
por aquele homem...
   - Salom.
   A moa ergueu a cabea. O olhar que lanou para Cam foi primitivo. O rapaz jogou a camisa no cho, deu um passo  frente, ergueu a cabea da jovem e a beijou.
   - No - Leanna sussurrou, mas j estava colo_cando os braos ao redor do pescoo dele, facilitando o beijo.
   - Dessa forma - Cam disse, puxando-a para mais perto, de maneira que a moa pudesse sentir o quanto ele a queria.
   A cabea da danarina tombou para trs, e Knight a beijou no pescoo, mordiscando-a. Depois, suavizou a ferida com um beijo.
   Cameron emoldurou-lhe o rosto com as prprias mos. Beijou-a. Passeou com as mos pelos braos da moa. Depois, abraou-a.
   - Diga-me que esperava por isso - o rapaz sussurrou.
   Leanna tremeu. Cam estava certo. A danarina o queria. Quisera aquilo desde a primeira carcia. Knight era o cavaleiro dela, e a moa era...
   A bailarina era a Salom dele. Era a mulher que Cam queria. Uma sedutora que vivia para o prazer da carne, que podia jogar com ele e nunca olhar para trs. Ser 
que Cameron era o tipo de homem que ela desejaria como o primeiro da vida dela?
   - No. - A jovem se contorceu, mas o rapaz no parou. As mos dele estavam embaixo da camisa da danarina, em suas costas, levantando-a...
   - Pare. No quero! - a moa disse, a voz em tom de pnico.
   Primeiro, a bailarina pensou que o ex-soldado no a tinha ouvido, ou no quisera ouvi-la. Depois de algum tempo, Cam abaixou os braos e comentou:
   - Voc brinca com o perigo.
   Os olhos de Knight eram frios. Pela primeira vez, desde que o americano a lanara para fora do veculo em movimento, Leanna sentiu medo, mas sabia que era melhor 
no demonstrar. Se voc no  forte o suficiente para rechaar o ataque de uma guia, precisa de coragem para enfrentar a situao.
   - Cometi um erro.
   - Sim.
   - Imaginei que no queria fazer isso. Eu quero... Leanna gritou quando Cam agarrou um de seus braos, puxando-o para trs das costas dela.
   - Sei exatamente o que quer. Quer que eu suba pelas paredes porque me provocou tanto que meus miolos derreteram - Knight completou.
   - Est errado! E est me machucando. Deixe-me ir! Se no deixar...
   - O qu? Vai gritar? - Cam riu e acrescentou:
   - No importa o que Shalla oua vindo daqui, no far coisa alguma. Nada mudou nesta parte do mundo h mil anos. Mencione os direitos das mulheres por aqui, e 
ganhar um olhar perplexo.
   O ex-soldado abaixou a cabea at que ambos os rostos estivessem bem prximos e disse:
   - Estou no controle da situao. Voc  descartvel. Entendeu?
   A moa ficou plida. Tentava resistir a Cam, mas tremia muito. Que inferno, o ex-soldado pensou, e livrou-se da jovem, erguendo as prprias mos, como se tivesse 
percebido que tocara algo que nunca tencionara antes.
   - Chega! Tome seu banho, faa o que quiser. S fique longe de mim porque, se tentar jogar novamente, prometo que vou ganhar.
   A jovem soluou ao passar por Cam, e o americano quase riu. Qualquer um que tivesse presenciado aquela ceninha teria pensado que a moa era uma virgem lutando 
pela vida. E que Knight, sem dvida, era o vilo.
   A danarina bateu a porta do banheiro, trancando-a. Quem se importaria? Era um gesto sem sentido. Ser que a moa realmente pensava que uma tranca a protegeria 
se ele mudasse de idia?
   Cam cruzou os braos e fitou a porta. Como no ouvia barulho de gua caindo na banheira? Porque, provavelmente, a danarina agora estava encostada  parede, rindo 
dele. A moa o ligava e o desligava como uma mquina desde que o americano havia posto os olhos nela. E Knight fora idiota o suficiente para deix-la agir assim.
   Cam se afastou da porta do banheiro e caminhou pelo quarto como se fosse um tigre enjaulado. Era ruim demais no marcar pontos. Por ora, provavelmente, seria 
zero para o time da casa e cem para o dela.
   Nada de barulho de gua escorrendo. A moa continuava no banheiro, rindo da ltima vitria. E Cam estava do lado de fora, deixando pegadas no carpete. Mas isso 
no ficaria assim por muito tempo. A jovem se cansaria de se divertir s custas dele. A danarina abriria a torneira e tiraria as roupas. E prenderia os cabelos 
sedosos que caam em ondas douradas sobre os seios.
   De repente, parecia que o quarto no tinha ar. Cam salvara o belo pescoo da danarina do cepo, tirando-a das garras de Baslaam. E como a jovem lhe agradecia?
   Knight rosnou de raiva e bateu  porta. Uma vez. Duas vezes. A madeira cedeu e o rapaz entrou no banheiro.
   Leanna veio na direo dele como uma gata selvagem. O americano conseguiu esquivar-se. Cam grunhiu quando a danarina lhe deu uma cotovelada na altura do intestino. 
A moa era rpida e forte. Talvez tenha resistido, lutado com outro homem...
   Mas no com Cam. O ex-soldado estava louco de raiva, frustrado, desejando o que vinha lhe vinha sendo negado h tanto tempo. Em algum recanto da mente, Knight 
sabia que cruzara a tnue linha entre o lado civilizado e o selvagem, mas no se importava com isso. Nada o deteria em relao ao que a danarina comeara.
   - Vou mat-lo. Deus me ajude, faa isso e eu...
   Com uma das mos, Cam pegou os pulsos da jovem, prendeu-os acima da cabea dela e usou o prprio corpo para prend-la junto  parede. Mergulhou uma das mos nos 
cabelos da danarina, enrolou uma parte no prprio pulso e a beijou sem piedade, mordiscando a pele macia.
   A jovem lutou, mordendo-lhe o lbio inferior, que chegou a sangrar. Mas isso no tinha importncia. Naquela noite, ao menos, Cam conseguiria o que a danarina 
prometera.
   - Patife - a moa sibilou e gritou quando o ame_ricano colocou um dos joelhos entre as coxas dela, levantando-a do cho de forma que a jovem pudesse senti-lo 
excitado.
   - Lembra-se do que lhe perguntei da primeira vez? Estou perguntando novamente. Como quer isso? Posso fazer com que seja bom para voc, ou posso tom-la de forma 
bruta e rpida, voltar a me vestir e ir embora.
   A danarina estremeceu, e disse:
   - Oh, Deus! Cameron...
   Havia algo na forma como a moa dissera o nome dele. Algo que Cam nunca ouvira antes na voz de uma mulher. Algo que dizia que o medo da jovem mascarava uma emoo 
diferente, algo que a danarina no estava pronta para confrontar. Mesmo em meio  fria, o americano percebera aquela emoo.
   - Salom - o ex-soldado sussurrou... A moa estremeceu e ergueu o rosto na direo dele, o olhar cego.
   - Cam - a jovem repetiu, e o rapaz gemeu, puxou-a para perto dele e a beijou, um misto de desejo e ternura. Knight voltou a pronunciar o nome da danarina. Depois, 
carregou-a at a cama e a deitou nos travesseiros. Os olhos da moa brilharam com as lgrimas, mas agora cintilavam como estrelas. A boca estava rosada e inchada 
devido aos beijos.
   O corao de Cam voltou a bater. O rapaz mentira para a danarina, para si mesmo. Nunca a teria tomado  fora. Queria e precisava de que a moa lhe pe_disse 
para ser dele.
   - Diga-me - Cameron pediu, como fizera antes... Exceto que, dessa vez, o americano sabia qual seria a resposta da moa.
   - Por favor. Faa amor comigo - Leanna disse.
   Cam deitou-se ao lado dela. A, abriu um dos botes da camisa da moa. Depois, outro. Desajeitado, o rapaz rosnou, frustrado. Ento, agarrou as pontas do tecido 
de algodo e o rasgou, desnudando-lhe os seios.
   J os vira antes. E tocara neles. Ento, fingira que no tinham importncia. Agora, o ex-soldado queria que a danarina soubesse que nada mais importava.
   - Voc  linda - Cam disse. A, abaixou-se e beijou-lhe a pele dourada e um dos mamilos.
   Leanna soltou um gemido e arqueou o corpo.
   - To linda - Cam disse, e passou uma das mos por baixo da tira dourada.
   A danarina estava quente. Molhada. Apenas para ele. A moa gemeu o nome do americano quando este a acariciou intimamente. Os olhos de Leanna ficaram sombrios 
de prazer, e Cam quase perdeu o controle.
   Aos poucos, a mente dele sussurrava, mas o corpo do ex-soldado tinha um horrio prprio. No podia esperar mais.
   Knight a tomaria de forma rpida da primeira vez. Apenas abriria os jeans e mergulharia naquele corpo feminino, voando com ela at o sol. Depois, faria amor devagar, 
descobriria todas as coisas que a excitavam, e ambos os corpos se fundiriam em um s... Oh, Deus! No tinha preservativos.
   - Cam? Qual o problema?
   O americano a fitou. Os olhos dela eram como piscinas de um azul profundo, na luz suave do fim de tarde. Cam pensou em como seria fundir-se quele corpo feminino 
sem proteo. A, sentou-se e disse:
   - No podemos fazer isso.
   - Mas pensei que quisssemos... Cam a beijou.
   - Sim, querida, queremos. Mas no tenho preservativo.
   - Um preser... - A moa ficou corada.
   - Sim. - Por um segundo, Cam desejou ser um garoto de dezessete anos, que sempre tinha um preservativo na carteira.
   - No precisa.  seguro. Tomo plula. Meu ciclo  irregular. Isso acontece com algumas danarinas.
   Cam sentiu um n no estmago. Por que ir adiante com aquela explicao quando ambos sabiam muito bem o motivo de ela tomar plula?
   -  por causa de todo o exerccio. E no so essas plulas que se tem que tomar todo dia, ento...
   - E  uma boa coisa no ser - o ex-soldado disse, frio, dando as boas-vindas  prpria raiva, sabendo que isso era muito mais seguro do que qualquer coisa que 
chegara perto de sentir h alguns minutos. Sorrindo, o americano rolou na cama, afastando-se dela e comentou:
   - Obrigado. Mas h mais a ser considerado alm de um calendrio...
   - Quer dizer, a possibilidade de uma doena? Cam queria sacudi-la. A moa parecia to inocente quanto uma colegial. Como o americano poderia ter se esquecido 
de que a jovem era boa atriz?
   - Sim.  exatamente isso a que me refiro - Cameron respondeu.
   - Eu no... Quero dizer, eu no posso... No sou... - A moa ficou ainda mais corada.
   - Sim. Tenho certeza de que no . Provavelmente, voc tem um certificado do departamento de sade provando isso.
   - Patife!
   - Pare de me xingar. Estou cansado disso. Apenas v tomar o seu banho. Vou ver a refeio que Shalla prometeu para ns.
   - Prefiro ficar com fome a comer com...
   Mas Leanna estava falando sozinha. Cam j deixara o quarto.
   V tomar o seu banho? Foi isso que o ex-soldado dissera? Cameron Knight no conseguia dizer uma frase sequer sem torn-la uma ordem. Entretanto, a gua quente, 
o sabonete e uma esponja fariam bem  jovem.
   A moa estava limpa, a pele quase em carne viva de tanto esfregar a si mesma - como se fosse possvel livrar-se das impresses invisveis das mos de um homem. 
Ento, abriu um armrio no banheiro e o encontrou repleto de roupes de seda, em cores diversas. A jovem escolheu um e o vestiu, abotoando-o do pescoo aos ps. 
Havia chinelos que combinavam, mas, quando a danarina tentou cal-los, estremeceu. Os dedos do p esquerdo estavam frgeis, susce_tveis  dor.
   Era melhor ficar descala do que arriscar uma leso que pudesse prejudic-la ao danar, a jovem pensou... e quase riu. Voltar a danar era a menos importante 
de suas preocupaes. Primeiro, teria de sair viva daquele lugar.
   Entretanto, a jovem sabia que nunca seria capaz de fazer isso sozinha, e essa constatao a matava. Se Cam a tivesse abandonado... No. No tomaria concluses 
precipitadas.
   Encontrou uma pequena caixa laqueada com grampos de marfim. Leanna os usou para prender os cabelos em um coque, no alto da cabea.
   A moa abriu a porta do banheiro. O quarto estava vazio. Assim como a sala de estar. Porm, algum estivera ali. O cmodo estava iluminado por uma vela. E havia 
uma mesa repleta de comida e bebida.
   Leanna encheu um copo com gua e a bebeu enquanto caminhava rumo s portas envidraadas que conduziam a uma larga varanda de pedra. A lua pendia do cu como um 
camafeu em um veludo preto que resplandecia devido ao fogo de bilhes de estrelas. Jardins se estendiam em todas as direes. As flores perfumavam a noite. Abaixo 
do terrao, tochas iluminavam uma piscina.
   A paisagem era alegre, mas at o cenrio de uma apresentao de bale era mais real do que aquilo. Cameron Knight no era um prncipe, assim como a moa no era 
uma princesa, esperando para ser acor_dada por um beijo dele. As caractersticas que o ha_viam tornado to atraente aqui, onde a sobrevivncia dependia dos nveis 
de testosterona, seriam um des_gosto em qualquer outro lugar.
   Cam no tinha nenhuma das qualidades que Lean_na queria em um homem. O americano ferira o orgulho dela, mas... A danarina conteve a respirao e recuou, voltando 
a ficar na sombra. O ex-soldado se dirigia  piscina, caminhando como se fosse o dono do mundo.
   O que o americano estava fazendo? Knight despiu a camiseta. Ser que no lhe ocorrera que algum pudesse estar vendo? Que ela... A danarina ficou com a boca 
seca quando Cam se livrou dos jeans. Deus, aquele homem era bonito! O rosto firme, perigoso. Os cabelos pretos, longos e enroscados na nuca. Os ombros largos e o 
peito amplo, abdmen retesado...
   A moa abaixou os olhos. Cam continuava excitado. A danarina sentiu-se inundada de desejo. No havia sentido em mentir para si mesma. Nunca admitiria isso ao 
americano. Mas como uma mulher podia ver aquele homem e no o querer?
   Cameron caminhou at a beira da piscina. Depois, mergulhou. Um segundo se passou. Ento, a cabea dele voltou  superfcie. O ex-soldado nadou de uma borda a 
outra. A, virou-se e nadou novamente, e fez isso vrias vezes at a moa perder a conta.
   Ao final, Knight saiu da gua. E, ao fazer isso, olhou para o terrao. O corao de Leanna quase parou. A, a moa lembrou-se de que o americano no podia v-la. 
Mas que ela o via.
   Todo aquele exerccio no ajudara em nada a diminuir a frustrao dele. No seria adorvel se Leanna pudesse fazer algo para torn-la ainda pior? Cam a acusara 
de t-lo provocado deliberadamente, mas a danarina no fizera isso. Porque, se tivesse feito, se realmente quisesse deix-lo maluco...
   No faa isso, Leanna. A moa ouviu um sussurro dentro de si, alto e claro. Leanna, no! A jovem o observou vestir os jeans. Cam cruzou os braos, e fitou a varanda, 
embora no pudesse v-la.
   Leanna respirou fundo, fechou os olhos, e deixou que a msica comeasse a tocar na mente dela. Era "Bolero". Adorava ouvir isso, mas nunca danara, o que no 
era nenhuma surpresa, considerando que a moa se dedicava ao bale. Entretanto, essa noite faria uma dana, idealizada por ela, para um homem a quem desprezava pelo 
que perdera.
   Lentamente, a jovem saiu das sombras em direo  luz da lua. A noite parecia quieta. Leanna olhou para baixo e observou a fisionomia de Cam se alterar ao v-la.
   Algo quente e selvagem percorreu-lhe a corrente sangnea. De olhos fechados, cabea erguida, a moa balanava e mergulhava na msica que apenas ela podia ouvir. 
A cabea pendeu para trs. O corpo ficou arqueado. Leanna ergueu os braos na direo da lua, como se a batida da msica e a do corao dela fossem uma s.
   O tempo correu clere. A jovem levou as mos ao primeiro boto do robe. Devagar, ainda balanando, Leanna desabotoou-se at que a vestimenta ficou aberta, expondo 
o corpo nu para a noite... E para o ho_mem que a observava.
   Leanna tirou os grampos dos cabelos e os deixou cair sobre os ombros, como se fossem ondas doura_das. Levou as mos at os seios e os cobriu. Depois, deixou as 
palmas das mos contornarem as curvas do prprio corpo, passando pela barriga, pelas coxas.
   A msica alcanou um nvel febril, intenso. A moa permaneceu quieta. Devagar, como se a ltima nota desaparecesse em meio  noite, a danarina dei_xou o robe 
cair no cho.
   Nua, ergueu os braos em direo  lua - e soube que no havia danado para atormentar o homem que a observava. Danara para seduzi-lo. Silncio. Ento, a jovem 
ouviu Cam pronunciar o nome dela.
   - Salom.
   A danarina abriu os olhos. Tarde demais. Cam desaparecera. O americano vinha ao encontro dela.
   A porta da sala de estar se abriu. A moa rodopiou na direo do som e o viu entrar. Leanna quase podia sentir o calor que aquele homem exalava, o cheiro de tanta 
masculinidade.
   De repente, a moa teve medo e cobriu os seios com as mos, dizendo:
   - Espere, Cam...
   O americano bateu a porta e veio na direo da danarina, chutando uma cadeira que estava no caminho. Quando chegou perto de Leanna, tomou-a nos braos.
   - Nada de esperar mais, Salom - Cam disse e a deitou no carpete.
   - Cam...
   Mas o americano no ouvia nem pensava em mais nada. Knight a beijou, colocou um dos joelhos entre as coxas da moa, prendeu-lhe os braos acima da ca_bea, e 
disse:
   - Olhe para mim. Quero ver seu rosto enquanto nos tornamos um s.
   Os dois corpos se fundiram de forma rpida e intensa. Leanna gritou e Knight estremeceu. Depois, ficou paralisado. Deus, seria verdade? Salom era virgem.
   
   
   CAPTULO OITO
   
   Virgem? A mulher que viera at ele vestida como uma huri? Que viera a Baslaam como um brinquedo sexual de Asaad? No havia dvida com relao  frgil barreira 
que os afastava.
   Com a testa suada, cada msculo do corpo de Cam ficava tenso enquanto o americano lutava para no mergulhar na danarina.
   - Salom, por que no me contou?
   - Eu tentei antes quando voc disse que no tinha preservativo, mas...
   - Ah, Deus, como fui idiota.
   - Shh. No importa. Apenas... - A moa mexeu suavemente os quadris, mas foi o suficiente para o americano fechar os olhos e gemer.
   - No... no faa isso, querida. Apenas fique quieta. Vou recuar e... - A respirao sibilava por entre os dentes. A jovem voltara a se mexer, erguendo-se sutilmente 
em direo a Cam. Leanna o queria.
   Ao se imaginar pleno, Cameron foi tomado por uma alegria to intensa que ficou chocado. A dana_rina dourada nunca se deitara nos braos de nenhum homem. Agora, 
estava nos dele. E o queria.
   Mas era virgem. Um presente raro que um homem poderia encontrar neste mundo brutal, de cabea para baixo. Como Cam pde tomar-lhe a inocncia? A moa no estava 
pensando direito. O perigo. A adrenalina. Alm disso...
   Knight no merecia o presente que a danarina es_tava lhe dando. A moa era corajosa, forte e bela. E a pureza da jovem pertencia a outra pessoa, no a algum 
como ele. Se tivesse de fazer algo certo na vida, seria isso.
   - Cam?
   O sussurro da jovem estava repleto de perguntas, mas o ex-soldado tinha a nica resposta que fazia sentido. Lentamente, o americano comeou a des_prender-se dela.
   - No - Leanna disse, e os msculos da jovem se prenderam com mais fora ao redor do corpo dele.
   O corao de Cam retumbava no peito. Ser que um homem poderia morrer de prazer? Por fazer a coisa certa?
   - Shh. Tudo bem, querida - o rapaz murmurou.
   O corpo de Knight estremeceu quando, finalmente, conseguiu separar-se do dela. A moa protestou, e o ex-soldado a beijou delicadamente.
   - Salom. Perdoe-me.
   - Voc no poderia saber.
   - Deveria t-la escutado, querida, mas fui muito teimoso.
   - Ento, oua-me agora. No quero que pare. Quero que faa amor comigo.
   - Voc acha que  isso que quer, mas no .
   - No me quer?
   Cam a enrolou com o roupo e a puxou para os braos dele, dizendo:
   - Mais do que qualquer coisa na vida.
   - Ento, por qu...
   - Porque sou tudo que voc disse a meu respeito. Cada nome de que me xingou. - Cam ergueu o rosto dela, acariciando-lhe os cabelos e puxando-os para trs. Ento, 
acrescentou:
   - Voc merece algum melhor.
   - No! No diga isso.
   - Deixe-me apenas segur-la, querida. Venha. Encoste-se em mim.
   Os segundos se arrastavam. O americano podia sentir o corpo da danarina amolecendo. Finalmente, a jovem suspirou.
   - Entendo. Conversa de garotas. Algumas dizem que a virgindade  um fardo.
   -  um presente, Salom.  por isso que s quero segur-la em meus braos, e que peo a Deus que me perdoe por todas as acusaes que dirigi a voc.
   - Acreditou em Asaad. No o culpo. O sulto fez com que tudo parecesse lgico.
   - Eu devia ter visto a verdade. Voc arriscou sua vida, avisando-me que Asaad estava preparando uma armadilha para mim.
   Cam fez uma pausa. Depois, continuou:
   - Como isso aconteceu?
   O americano sentiu a moa estremecer e, em siln_cio, xingou a si mesmo por ter pedido  jovem que re_vivesse lembranas terrveis.
   - No se preocupe. No devia ter perguntado - Cam disse.
   - Tudo bem. Quero lhe contar. Talvez se eu disser tudo em voz alta, essa histria parea menos real.
   Leanna engoliu em seco e continuou:
   - Eu estava com um grupo de dana em um tour pela Europa Oriental. Um dia, durante um ensaio, duas outras garotas e eu samos do teatro para tomar um pouco de 
ar. Um furgo apareceu. Alguns ho_mens pularam l de dentro, nos agarraram e nos joga_ram na parte traseira. Pensei que fossem nos matar, mas uma garota disse que 
eram comerciantes de es_cravos, e...
   - E ela estava certa - Cam disse.
   Leanna acenou com a cabea, concordando, e con_tinuou:
   - Asaad me comprou. O sulto ia me usar quando voc apareceu. Ele disse que me deixaria livre se eu fizesse certas coisas com voc. Eu sabia que era men_tira, 
mas voc era americano. E imaginei...
   - Imaginou que eu estivesse montado em um ca_valo branco para salv-la, e ento descobriu que eu era a verso americana de Asaad.
   - No! Voc no tem nada a ver com o sulto, Cameron! Voc salvou minha vida. Se no tivesse ido a Baslaam, se no tivesse escapado e me levado junto...
   - Querida, voc escapou. Apenas fui junto, pe_guei carona.
   Leanna sorriu, como o ex-soldado esperara, e par_te da escurido abandonou os olhos da moa. A dan_arina era uma mulher surpreendente.
   Se tivessem se encontrado na outra metade do mundo, em uma festa... Se tivessem se encontrado de uma forma que no o fizesse lembrar o porqu de ele no merecer 
uma mulher como aquela... Talvez tudo ficasse bem.
   Em outra poca, outro lugar, teria mandado para o inferno toda a cortesia. Salom era bela e brilhante, qualidades s quais o americano no teria resistido.
   Cam teria perseguido a jovem - enviando flores, levando-a para jantar, beijando-a  porta da casa dela, sussurrando que odiaria deix-la. E a moa o teria convidado 
para ficar. Ento, teriam ido para a cama. O americano teria dito todas as coisas certas, exceto aquilo que ele sabia mais do que acreditava - o que a moa merecia.
   Aps algumas semanas ou alguns meses, Knight te_ria ido embora. Seria tudo muito civilizado e as mulhe_res que passavam pela vida dele conheciam as regras. Salom 
no, e Cam amaldioaria a si mesmo se fosse o homem que a introduzisse nesse jogo. S de_sejava que a moa, ali nos braos dele, no fosse to maravilhosa.
   Com cuidado, Knight mexeu-se. Se no tivesse feito isso, a evidncia do desejo que o americano sen_tia seria ainda bvia demais. Ento, ergueu o rosto da moa 
e a beijou, dizendo:
   - Sabe o que mais?
   - O qu?
   - Se eu no comer algo logo, minhas costelas vo dar adeus  minha coluna. Leanna riu, e comentou:
   - Como posso esquecer que voc  um autntico
   garoto do Texas?
   - Sem piadas, querida. Estou faminto. E voc? O estmago da danarina roncou, respondendo  pergunta dele. Cam riu e virou-se enquanto vestia os jeans e se levantava.
   - Vamos ver se podemos encontrar algum bom churrasco no banquete que Shalla providenciou.
   A moa ria enquanto Cam a levantava. Sorrindo, o americano manteve o olhar no rosto da jovem en_quanto abotoava o roupo dela. Mas quando, por aci_dente, os dedos 
dele tocaram a pele macia da moa, Knight conteve um gemido. Como sobreviveria quela noite?
   Sentaram-se a uma mesa redonda, na varanda, conversando enquanto comiam. Depois, Salom fi_cou em silncio. Cam pegou uma das mos da moa e perguntou:
   - Ei, por que est to triste?
   Porque nada daquilo duraria. Porque Cam real_mente era o belo prncipe que havia tropeado na princesa adormecida. Porque Leanna sabia, to bem quanto o americano, 
que talvez no sobrevivessem.
   Porque, se Leanna tivesse de deixar este mundo, a moa queria saber que, ao menos por um momento, pertencera a Cameron Knight.
   - Querida?
   Leanna o tocou no rosto. Cam pegou a mo dela e beijou-lhe a palma.
   - Cam. Quero lhe pedir uma coisa. Se no quiser fazer... se acha que estou sendo muito atrevida...
   - Pea o que quiser.
   - Voc disse que no quer dormir comigo.
   - No. O que eu disse foi que no posso dormir com voc. Deus sabe o quanto eu quero.
   - Mas h... quero dizer, h outras coisas...
   A moa ficou corada  medida que a voz desapare_cia. Cam a fitou e pensou nessas outras coisas, e sabia que nunca seria forte o suficiente para sobreviver a essas 
experincias.
   - Querida, voc est certa. H outras coisas. Mas no sou santo. Se eu colocar minha boca em... Se eu fizer essas outras coisas, tenho medo de que...  
   - Podamos tomar banho juntos.
   - Banho? Juntos?
   - Sim. Naquela grande banheira. Voc numa ponta. Eu na outra. Muitas bolhas de espuma de modo que ningum veja nada e... Oh, Deus, no me olhe assim! Me desculpe. 
No devia nunca ter...
   -  uma grande idia.
   - ?
   - Sim. Voc toma banho. Eu lhe fao companhia.
   - No  a mesma coisa.
   Claro que no , Cam pensou, mas limitou-se a sorrir.
   Havia uma espreguiadeira no banheiro. Cam acomodou-se nela enquanto Salom providenciava o banho. O ex-soldado viraria de costas quando chegasse o momento. Por 
ora, no havia problema em v-la abrindo a torneira, ou escolhendo um leo de banho de um dos pequenos frascos de cristal na prateleira, perto da banheira.
   Ningum podia culp-lo tambm por observ-la erguendo os cabelos, afastando-os dos ombros e prendendo-os com um grampo de forma que suaves anis cassem nas costas 
dela.
   - Perfeito - a moa disse.
   Perfeito, o rapaz pensou, e estremeceu ao suave aperto do prprio corpo. A moa estava de costas para o americano. Cam podia dizer que a danarina estava desabotoando 
o roupo, que deslizou pelos ombros dela. Era hora de desviar o olhar. Mas no fez isso. Os olhos do ex-soldado estavam cravados nas graciosas linhas das costas 
da jovem.
   - Cam? A banheira est to funda... Poderia me ajudar a entrar?
   O americano acenou com a cabea, concordando. Era mais seguro do que falar, Cameron pensou ao se dirigir  danarina. Se mantivesse os olhos cravados, se a jovem 
no se virasse...
   Mas Leanna virou-se lentamente, o suficiente para fazer o corao dele quase parar, e o fitou, sussurran_do:
   - Cam?
   Todas as perguntas que uma mulher podia fazer a um homem estavam nos olhos dela. Todas as respostas que Cam queria lhe dar pulsavam atravs da corrente sangnea 
do americano.
   Devagar, Knight deixou que o olhar dele percorresse os seios da moa, a barriga, as coxas. O americano lembrou-se de que j sentira aquela pele quando a tocara. 
Agora, como seria senti-la se a beijasse? Queria beijar-lhe o corpo, sentir aquele perfume feminino, observar o rosto da danarina enquanto a beijava...
   - Salom, voc est tentando me seduzir.
   - Tentei uma vez e no funcionou.
   E agora, ambos sabiam, a jovem estava tentando novamente. Knight no sabia se ria ou chorava. Leanna nunca estivera com um homem. J o americano estivera sabe-se 
l com quantas mulheres, e a danarina pensava que poderia seduzi-lo?
   Cam era mais forte do que isso - e homens fortes no so covardes. O americano pensou no que a moa lhe havia pedido antes, se no existiam outras coisas que 
os dois pudessem fazer em vez daquilo que am_bos queriam. Coisas que dariam aos dois momentos de um prazer doce, sem matar. Talvez, at oferecer algum alvio.
   Cam sorria. O ex-soldado despiu os jeans. Depois, pegou a danarina no colo e entrou na gua. Agora, tudo o que tinha a fazer era coloc-la de p, ter certe_za 
de que poderia estabelecer o ritmo...
   Os braos da moa estavam presos ao pescoo dele. E, quando Cam mergulhou na banheira, a jovem acabou caindo no colo do americano.
   Cameron tinha de tir-la dali. S um pouquinho. Se a danarina continuasse onde estava... O america_no a moveu e perguntou:
   - Certo, como est se sentindo? Salom suspirou e respondeu:
   - Maravilhosa.
   Ser que falavam sobre a gua? Ou estavam co_mentando sobre a excitao de Cam?
   - A gua est morna.
   Bom. Ambos falavam sobre a gua.
   -  mgico - a moa sussurrou.
   A danarina  que era mgica. A jovem parecia to suave nos braos dele... A cabea da moa estava en_costada em um dos ombros do americano e seus olhos estavam 
fechados. As pontas dos cabelos estavam molhadas e pendiam sobre os seios como montes dourados e a boca... parecia uma ptala.
   Cam abaixou a cabea e a beijou suavemente, sus_surrando:
   - Doura.
   A moa correspondeu ao beijo e Cameron sentiu o sangue pulsar forte.
   - Vou lhe dar banho agora, Salom.
   A voz era grave. O corao estava disparado. Gen_tilmente, ergueu-a e a colocou entre as pernas dele. Depois, apanhou uma esponja e a mergulhou na gua.
   - Primeiro, seu rosto e seu pescoo - Cam sus_surrou.
   A moa fechou os olhos.
   - Depois...
   Lentamente, Cam passou a esponja pelos seios dela. Sentiu-a tremer. O americano tambm tremia ao passar a esponja pela barriga da moa. Depois, mais abaixo...
   A esponja caiu da mo dele. Knight abaixou a ca_bea, beijou os seios da danarina enquanto passava uma das mos por entre as coxas da jovem. Leanna soltou um 
gemido e o toque do americano demorou, centrando-se naquele local proibido.
   - Isso ... - A cabea da danarina tombou para trs.
   - Como , Salom? - Cam perguntou, com o corpo pegando fogo.
   A danarina suspirou. O ex-soldado aumentou a carcia e avisou a si mesmo que isso era apenas para a moa. No para ele. No para...
   O grito da jovem ecoou pela noite. Um prazer, ar_dente e elementar, percorreu-lhe o corpo. Cam fizera isso, dera-lhe isso.
   A sensao era to profunda, intensa, que o rapaz ficou aterrorizado. Rapidamente, levantou-se e to_mou a danarina nos braos. Saiu com a jovem agar_rada ao 
pescoo dele, beijando-a. Devagar, colocou-a em p e a embrulhou em uma toalha.
   Depois, voltou a beij-la e a levant-la. Carregou-a do banheiro at o quarto, onde a deitou com cuida_do, como se a moa fosse o tesouro mais precioso do universo.
   - No me deixe - Leanna sussurrou.
   Nunca, o americano pensou. Nunca mais a dei_xaria.
   - Shh - Cam disse e a beijou.
   Knight trancou a porta da sala. Como a porta do quarto no tinha tranca, o rapaz colocou uma cadeira ali atrs. Isso deveria resolver.
   Quando voltou para a cama, Salom j havia ador_mecido. Cam sentou-se ao lado da danarina, sorrin_do enquanto a observava, os cabelos espalhados pe_los travesseiros. 
A moa era o retrato de bondade e inocncia. E, em algum lugar, no deserto que rodeava aquele palcio, Asaad a procurava.
   O sorriso do ex-soldado esmaeceu. De forma que no a acordasse, o rapaz a beijou. Depois, deitou-se ao lado dela e a abraou. Salom suspirou e ajeitou a cabea 
em um dos ombros do americano. Cam pegou uma das mos da moa e a beijou. Em seguida, fe_chou os olhos e adormeceu tambm.
   
   
   CAPITULO NOVE
   
   Leanna acordou sozinha na cama.  escurido do quarto, juntava-se um silncio to grande que a moa podia ouvir as batidas do prprio corao.
   - Cam?
   Nenhuma resposta. Os olhos da danarina come_aram a se ajustar  escurido. A porta para a sala de estar estava aberta. E, atravs dessa porta, a jovem podia 
ver Cam, em p, na varanda.
   A moa suspirou aliviada e comeou a afastar a manta acolchoada. Ento, parou. Talvez o ex-soldado precisasse de um tempo sozinho. Leanna, no. A dan_arina precisava 
estar com o americano, mas no ha_via motivo para o rapaz se sentir da mesma forma. Principalmente depois do que acontecera na ba_nheira.
   O rosto de Leanna queimava. Talvez Cam estives_se decepcionado com a jovem. A danarina no con_seguia acreditar que fora to atrevida. Nunca se inte_ressara 
muito por sexo. A dana era tirana. Deixava a pessoa com pouco tempo ou energia para qualquer outra coisa. Mas, a, conhecera Cameron Knight...
   E se apaixonara por aquele homem. O corao da jovem deu uma pequena sacudidela. Como isso era possvel? A moa o conhecia h poucas horas. Sim, mas ambos haviam 
experimentado uma vida inteira nessas horas. Quem mais sabia quanto tempo os dois ainda tinham?
   Leanna sentou-se e jogou a coberta acolchoada para o lado. No iria se preocupar com o que Cam pensava dela. Tempo era algo precioso demais para ser desperdiado.
   Havia um roupo aos ps da cama. A moa o ves_tiu, atravessou o quarto, a sala, indo em direo a Cameron. A danarina parou quando estava quase chegando s portas 
envidraadas da varanda e deixou que os prprios olhos se deleitassem com a imagem., que tinha dele naquele momento.
   Knight estava em p, as pernas um pouco abertas, as mos no parapeito da varanda. Vestira os jeans, mas no os abotoara. A moa podia dizer isso pela forma como 
as calas estavam baixas, penduradas nos quadris.
   O olhar da danarina moveu-se rumo aos ombros musculosos e ao longo das linhas das costas nuas do ex-soldado. Meu belo guerreiro, a moa pensou, e sorriu, dizendo:
   - Cameron?
   - Salom - Cam retrucara, e a moa podia dizer por aquela palavra que o americano soubera desde o incio que a jovem estava ali. Claro. Era bom demais no que 
fazia para no t-la escutado.
   A danarina queria correr para aqueles braos msculos. Porm, o americano virou-se. Havia certa rigidez na postura dele, e isso fez com que a moa re_cuasse. 
   - Acordei voc? - Cam indagou.
   - No. Eu...
   - Venha c - o ex-soldado disse. Cameron es_tendeu-lhe um dos braos, e tudo mudou - a forma como o rapaz a fitava, como se comportava, o peso que, de repente, 
se instalara no corao da moa.
   Leanna voou na direo de Cam, que a abraou, mantendo-a contra si. A noite estava fria, mas a pele dele estava quente. O perfume do leo que a jovem usara no 
banho impregnou-lhe o olfato, misturando-se ao aroma que a danarina mais gostava, o prprio cheiro do ex-soldado.
   Leanna se aproximou ainda mais. Cam fechou os olhos. Deus, aquela mulher era uma maravilha nos braos dele.
   - No est com frio aqui fora? - Leanna pergun_tou e lhe deu um beijo em um dos ombros.
   - Estou bem. Aqui. Deixe-me esquent-la. Cam desfez o lao do roupo e deslizou as mos pelo corpo dela. A pele da jovem era sedosa. Leanna emitiu um som como 
se fosse uma gata ronronando.
   - Bom - a moa sussurrou.
   Knight s pretendia esquent-la. Mas, droga, o corpo dele o trairia novamente. O rapaz se mexeu, vi_rou-se um pouco, na esperana de que a moa no descobrisse 
a verdade.
   - Est acordado h muito tempo? - Leanna in_dagou.
   - H pouco tempo - Cam respondeu, dando de ombros.
   - O que o acordou?
   Perguntas que no tinham respostas, o americano pensou. Onde estava Asaad? Ser que j encontrara o rastro dos dois? E havia ainda a pergunta mais impor_tante 
de todas: Como Cam salvaria Salom?
   A jovem no precisava ouvir nenhuma daquelas perguntas. Ambos haviam encontrado um osis, e ainda no havia necessidade de desistir daquela paz.
   - Estava com sede. Levantei para beber gua. O que a acordou?
   A moa ficou corada, mas permaneceu fitando-o ao dizer:
   - Senti sua falta.
   Cam a puxou para si e a beijou. Depois, abraou-a e pousou o queixo no topo da cabea da jovem. Tal_vez o americano estivesse errado. Talvez fosse a hora de lhe 
contar um pouco do que se passava na mente dele.
   - Pensei em ir l fora e dar uma olhada ao redor.
   - Ir l fora? Deveria levar-me com voc. Imagine se algo acontecer?
   - No aconteceria nada. Estamos seguros aqui.
   - Por enquanto.
   - Sim. Por enquanto. Queria olhar ao redor en_quanto o resto do lugar dormia. Imaginei: quanto me_nos olhos observando, melhor.
   - O que achou?
   - Este lugar  como aquele reinado mstico, Shangri-La. No acho que tenha sido tocado pelo mundo nos ltimos cem anos, pelo menos.
   - Por que tenho a sensao de que isso no  bom?
   - Porque no h nada aqui que possamos usar. Nada de carros, caminhes, telefone. Nem mesmo um rdio.
   - Voc tem um telefone celular. E encontramos o GPS.
   Cam tentara usar o celular no deserto, na monta_nha, fora do palcio h pouquinho, logo depois de fa_zer uma leitura com o GPS. Apenas uma barra de transmisso 
havia aparecido na tela do celular. O ex-soldado ligara para o escritrio e deixara as coorde_nadas do GPS no correio da caixa postal telefnica. Porm, a barra 
solitria desaparecera antes que o ra_paz acabasse de falar.
   Sim, mas Salom estava com os olhos cheios de esperana. Seria a omisso realmente uma mentira?
   - Sim. Podemos tentar usar os dois pela manh.
   - Bom - a moa disse e sorriu.
   Cam estava mentindo. Leanna podia ouvir o enga_no no tom de voz alegre demais, mas fingiria no ter percebido. O americano estava mentindo para prote_g-la. Knight 
era assim. Era o tipo de homem pelo qual a danarina esperara, para quem se guardara, embora no soubesse disso.
   A moa no fizera um esforo consciente para manter sua pureza. Ocorre que, entre a escola e o bale, no houvera muito tempo para garotos. Agora, havia ainda 
menos. Ensaios e apresentaes toma_vam todo o tempo e toda a energia da jovem. Alm disso, os homens que a danarina conhecera no eram nem um pouco interessantes.
   Em Vegas, onde Leanna danara para ganhar di_nheiro rpido e suficiente para financiar a prpria mudana para Nova York, os homens estavam acos_tumados a comprar 
o que quisessem.
   Em Manhattan, a jovem havia conhecido homens apaixonados por si mesmos e suas respectivas ima_gens. Foi a cidade que a conquistou. Era onde o bale clssico vivia. 
Leanna no passara na audio para o Bale de Nova York. Porm, ganhara uma cobiada vaga no Bale Manhattan.
   A moa estava sempre ocupada demais para os ho_mens. Ainda assim, houve momentos em que a dan_arina se perguntara se era normal. Se os hormnios estavam bem, 
porque sexo no parecia ser um item prioritrio.
   Ento, vira-se em um pesadelo e fora resgatada por um estranho de fala dura. A, descobriu que no apenas queria que esse homem lhe ensinasse tudo so_bre sexo, 
mas que tambm a fitasse e dissesse que a amava.
   Quanta besteira! Leanna estava velha demais para acreditar em milagres. Cam no a amava... Mas isso no significava que a danarina no pudesse am-lo. Agora. 
Amanh. Sempre.
   - Ei.
   A moa piscou e o olhou.
   - No h nada com o que se preocupar, querida. Amanh cedo, vamos checar tudo.
   Cam forou um sorriso e acrescentou:
   - Conhece aquele velho ditado, "Depois de uma noite escura sempre vem o amanhecer"?
   - No tem que me proteger da verdade, Cam. Sei que estamos em uma situao difcil.
   - Sim, estamos, mas vou pensar em algo.
   - J fez isso. Salvou minha vida.
   - J lhe disse, foi voc quem se salvou. Se no ti_vesse dado aquele grito to agudo, eu ainda estaria no banheiro.
   - No, no estaria. O que eu disse antes  verda_de. Voc teria escapado, mas com um plano.
   - O que eu disse antes tambm  verdade. No te_ria tido voc comigo.
   - Quer dizer, suas chances seriam muito me_lhores.
   - Errado. Cem por cento de erro. Como pensou nisso?
   - Voc teria se virado melhor sozinho.
   - No  verdade. Voc manteve um ritmo que te_ria feito com que muitos caras cassem.
   - Fala srio?
   - Claro.
   Cam abaixou a cabea e a beijou. Depois, acres_centou:
   - Eu deveria saber. Esse  o meu trabalho.
   - Quer dizer que arrisca sua vida o tempo todo?
   - No. Bem, eu costumava fazer isso. Agora, apenas aceito trabalhos que ningum mais quer. Meus irmos e eu...
   - Voc tem irmos?
   - Dois. Somos muito chegados. Matt, Alex e eu estvamos juntos no servio militar. Depois, traba_lhamos para uma agncia do governo.
   A danarina estava certa. Cam era um guerreiro. A moa perguntou:
   - O FBI?
   - Nada honesto, legal. Nada com as iniciais que voc reconheceria. Fiz coisas... Fizemos.
   - Coisas perigosas.
   - Sim, mas...
   - Para o pas de vocs.
   - Certamente, mas...
   - Algum tem que fazer essas coisas por todos ns, Cameron.
   O americano a fitou. Leanna quisera dizer cada pa_lavra. Foi nisso que o ex-soldado acreditara tambm, em um primeiro momento. Que inferno, ainda acredi_tava 
nisso. No corao dele, sabia que era verdade. O que acontece  que voc se cansa de tudo, da fraude, dos truques...
   - Sim. Mas, aps algum tempo, voc comea a esquecer. Todos ns fizemos isso, Matt, Alex e eu. Foi quando soubemos que era hora de dar o fora. En_to, voltamos 
para casa...
   - Dallas.
   - Certo. E formamos a Knight, Knight e Knight: Especialistas em Gerenciamento de Risco.
   - Quer dizer, vocs ainda so apaixonados por situaes excitantes.
   Cam sempre fora. Agora, toda a excitao da qual o americano precisara estava bem ali, nos braos dele.
   - Meu cavaleiro em uma armadura brilhante - a danarina disse, rindo e beijando-o.
   - Como tive tanta sorte em encontr-lo em Baslaam?
   Cam pegou as mos da moa e as levou ao peito, dizendo:
   -  uma longa histria. A ltima linha relata que eu estava l, a negcios, para o meu pai.
   - Ento, por que Asaad queria que eu o distras_se? Por que o sulto queria machuc-lo?
   - O que Asaad queria era a minha assinatura em um contrato, mas sabia que eu no assinaria. Talvez tenha imaginado que, se me pegasse quando eu esti_vesse distrado, 
teria sido mais fcil lidar comigo. Os homens dele teriam me atacado. Depois, deixariam claro que iriam machuc-la, a menos que eu coope_rasse.
   Leanna no perguntou mais nada a esse respeito. Em vez disso, concentrou-se no que Cam dissera so_bre cooperao.
   - E, uma vez que tivesse feito... Asaad o teria as_sassinado e se divertido comigo.
   A voz da danarina sumira. Cam fechou os olhos, tentando bloquear a raiva que o invadia, sabendo que a jovem precisava de palavras de conforto, e no de promessas 
malucas de matar Asaad com as prprias mos.
   - No tenha medo. O sulto nunca tocar em voc. Eu prometo.
   Leanna ergueu o rosto na direo de Cam. No es_curo, com o torso nu, ele parecia o soldado arrebata_do e orgulhoso que era.
   - Como posso ter medo de alguma coisa se estou em seus braos?
   As palavras da jovem eram como um punhal no corao dele. Cam lhe fizera uma promessa que era mais uma orao. Muita coisa podia dar errado e, se isso acontecesse, 
s havia um jeito de salv-la do sul_to.
   Knight no queria pensar nisso. O que o americano queria era carreg-la de volta  cama, fazer amor com a danarina at que a moa esquecesse tudo, e s pen_sasse 
nele. Porque o que o ex-soldado sentia por Leanna era...
   - Cam? Quero lhe agradecer pelo que fez antes. No banho. Foi muito generoso. - A moa disse e fi_cou corada.
   Generoso? A danarina fez com que aquilo pare_cesse uma contribuio de caridade.
   - Voc foi um cavalheiro - Leanna acrescentou. Cam no se sentira galante. O corpo dele estava
   pegando fogo.
   - Foi por isso que decidi dormir no sof - a moa disse. 
   - Voc o qu?
   - O sof na sala de estar. Vou dormir no...
   - No vai.
   - Claro que vou. Sei por que deixou a cama. No sou idiota.
   - Sa da cama porque acordei e queria um gole de gua.
   - Saiu de l por minha causa.  por isso que vou dormir no...
   - Do que est falando?
   Primeiro, a moa falava que o queria, depois o chamava de cavalheiro. Agora, a jovem insinuava que o rapaz perdera o autocontrole. No era verdade. Tinha muito 
autocontrole.
   - Voc vai dormir naquela cama comigo.
   - No vou. Voc precisa descansar.
   - Eu decido do que preciso. E veja como fala co_migo.
   - Boa-noite, Cameron.
   - Chame-me de Cam.
   - Durma bem.
   - No ouse me dar as costas e ir embora. Knight a viu, boquiaberto, indo embora. A postura dela era a de uma rainha que acabara de dispensar um dos sditos. O 
que teria acontecido? Em um minuto, a danarina estava nos braos dele, doce e sensual. No minuto seguinte, a moa lhe fazia um afago e ia embora.
   - Droga, acha que  a nica a ter problemas com isso? - Cam gritou.
   - No estou tendo problema com nada. Voc foi generoso comigo quando estvamos na banheira e...
   Cheio de raiva, o americano a seguiu. Virou-a e disse:
   - No se afaste de mim, mulher!
   - Por favor, calma.
   - Pareo um homem generoso para voc?
   - Foi um elogio.
   - Bem, no quero esse tipo de elogio - Cam fa_lou com rispidez, embora uma voz dentro dele afir_masse que estava agindo como um idiota.
   - Elogios so a ltima coisa que quero de voc - acrescentou.
   - Verdade?
   - Sim.
   - Ento, o que quer de mim?
   - Bruxa!
   Leanna sorriu e ficou de p. A moa colocou os braos em torno do pescoo do ex-soldado e o beijou enquanto Cam a pegava ao colo e a carregava at a cama.
   - No vou parar dessa vez - o americano sus_surrou.
   - No pare. No pare jamais. No...
   Cam despiu os jeans. Pegou a danarina dourada nos braos e a beijou novamente, um beijo fundindo-se a outro. Isso era o que um homem procurava por toda a sua 
vida, o que ele havia procurado sem saber.
   Leanna tocou o rosto do americano. Como vivera todos esses anos sem aqueles beijos?
   - Toque-me - a danarina sussurrou, arqueando-se na direo dele, enroscando as pernas nos qua_dris do ex-soldado. Os corpos se tocaram. Cam, excitado, gemeu 
e rangeu os dentes, sentindo uma corrente eltrica percorrer-lhe o corpo devido quele toque, quela carcia.
   Agente, disse a si mesmo, recue um pouco. Essa era a primeira vez da danarina. Cam estava pronto. Deus, ele estava mais do que pronto, mas ainda tinha algum 
controle. No muito, mas o suficiente para saber que queria que tudo fosse feito da forma certa. Para que aquele momento fosse tudo para a moa.
   Leanna suspirou, arqueou o corpo na direo de Cam, e o americano se perdeu. Knight rosnou, abaixou a cabea e beijou-lhe os seios at que a moa gri_tasse de 
prazer. Ento, o americano mexeu-se devagar, beijando-a at o umbigo e chegando  juno das coxas.
   - No, Cam...
   - Sim - o ex-soldado retrucou, pegando as mos da danarina quando esta tentou afast-lo. Cam ergueu os braos de Leanna, prendendo as mos da moa acima da cabea. 
Depois, acariciou-a intimamente, sentindo o cheiro daquela mulher. Cam inten_sificou as carcias at que a bailarina gritou de prazer.
   Knight a olhou e viu que a jovem se debatia contra os travesseiros. O ex-soldado soltou-lhe as mos, deslizando as dele pelo corpo da moa, erguendo-a e voltando 
a sabore-la.
   - Por favor - Leanna soluava, os olhos cegos de desejo, as mos agarradas aos ombros do rapaz.
   Os dois corpos se fundiram bem lentamente, em_bora o corao dele estivesse acelerado. Leanna sus_surrou o nome do americano e Cam abaixou-se e bei_jou-a, deixando 
que a jovem sentisse o gosto do pr_prio desejo.
   Cameron no seria capaz de continuar por muito mais tempo. Aqueles gemidinhos de prazer, o gosto da boca da danarina... A jovem sussurrou o nome dele quando 
o americano intensificou o contato.
   - Estou machucando voc? No quero machuc-la.
   A jovem se mexeu, e Knight sabia que no poderia mais voltar atrs. Em um movimento rpido, Cam acabou com a frgil barreira que protegera a inocn_cia de Salom. 
A moa arfava; os olhos bem abertos e o americano se forou a ficar quieto, esperando, ob_servando at ver o rosto dela brilhando de alegria.
   - Salom. Minha Salom...
   - Fico feliz que tenhamos tido aquela discusso.
   - Que discusso? - Leanna perguntou, embora o tom rosado no rosto da moa indicasse ao americano que sabia muito bem o que ele queria dizer.
   - Aquela que voc provocou, e que estava prestes a causar problema.
   A danarina soltou uma risada, suave e sensual.
   - Isso  problema? - A moa sussurrou enquan_to passava as mos pelas costas do ex-soldado.
   - Continue assim, e ser - Knight disse, sor_rindo.
   - Que promessa adorvel!
   Cam a beijou de novo. A boca da danarina era doce, a pele carregava o cheiro de quem havia acaba_do de fazer amor. O americano acariciou-lhe os seios e voltou 
a beij-los.
   Salom fechou os olhos, e soltou um suave gemi_do. Cameron fizera amor com a moa novamente du_rante a noite, tomando-a devagar, demorando-se para descobrir os 
segredos do corpo da danarina. Mas o tempo estava se tornando inimigo do casal.
   - Querida. Temos que nos levantar.
   - Eu sei.
   - Vamos tentar usar o celular. E quero fazer algu_mas perguntas a Shalla. Deve haver algum tipo de transporte aqui que eu no tenha visto - um carro, um caminho, 
alguma coisa.
   - S desejo...
   - Sim?
   - Desejo...
   - Eu sei - Cam disse. E, a despeito de todas as boas intenes, o americano a puxou para os braos dele e voltou a beij-la. Os beijos se aprofundavam e o americano 
se excitava  medida que a jovem res_pondia aos carinhos dele.
   - Cameron - a moa sussurrou, quase sem ar, e Cameron esqueceu tudo, exceto aquele momento, a sensao de t-la ali, o calor dela, a expresso da dan_arina quando 
os dois corpos se fundiram e se com_pletaram.
   Uma criada levou roupas para o casal, e disse:
   - Minha senhora deseja saber se vocs gostariam de tomar o caf-da-manh no jardim.
   Cameron respondeu que sim, e a empregada se re_tirou. Os dois tomaram banho, mas no se tocaram. Depois, vestiram-se. Para Leanna, calas de linho, na cor branca, 
e uma blusa de seda combinando. Para Cam, calas de brim e uma camiseta branca. Havia sandlias de couro para ambos.
   A danarina estava linda naquele traje, to linda que era difcil ir embora daquele mundinho que os dois haviam criado. Porm, Cam sabia que tinham de fazer isso.
   O americano se ajoelhou ao lado da cama e pegou a arma que escondera embaixo do colcho. Leanna o viu prender a pistola junto  cintura e, em seguida, cobri-la 
com a camiseta.
   - Acha que algo vai acontecer esta manh? - A danarina indagou.
   - Acho que o melhor  estar preparado. Por que no vou l embaixo, tenho uma conversinha com a nossa anfitri, checo as coisas? E, depois, voc se junta a mim 
para... Qual o problema?
   - Voc no vai descer sem mim. Cameron decidiu no discutir. At que soubesse mais, ele se sentiria melhor mantendo Salom por perto. No que o americano fosse 
servir de muita pro_teo para a danarina se os homens de Asaad atacassem o palcio. Porm, o ex-soldado tinha uma arma. E a usaria contra o inimigo... e para impedir 
que Salom casse nas mos do sulto, se isso acontecesse.
   Aquele pensamento deve ter transparecido no rosto do ex-soldado porque a danarina se aproximou e| o abraou, sussurrando:
   - No importa o que acontecer, quero estar cor voc.
   - Querida, se as coisas derem errado, se no houver sada...
   Leanna o beijou e sussurrou:
   - Eu sei. E quando Cam a fitou, percebeu que a moa realmente sabia.
   Os dois tomaram o caf-da-manh no terrao, sob um cu azul e uma trelia repleta de parreiras que os protegia do sol. Nas rvores, pssaros batiam as asas. Borboletas 
voavam sobre rosas.
   Shalla apareceu enquanto os dois tomavam caf. Ser que tudo estava do agrado do casal? A comida? As roupas? A mulher parecia amigvel, entretanto, Cam no confiava 
nela. Mais um motivo para ter cui_dado na hora de fazer alguma pergunta.
   - No vejo nenhum tipo de veculo por aqui. Cer_tamente, deve haver algum.
   - Veculos?
   - Sim. Caminhes. Carros. Algo para trazer su_primentos para c.
   - Ah. Somos auto-suficientes. Plantamos nossa prpria comida, tosquiamos nossas ovelhas. Tudo o que vocs vem foi feito por ns.
   A roupa de linho e de seda? Os mveis pomposos? As comidas exticas? Cam no podia acreditar, mas sabia que seria melhor fingir do que chamar Shalla de mentirosa.
   - Muito impressionante, mas a quem se refere quando diz "ns"? No vi ningum exceto voc e uma criada.
   - H outros na vila.
   - Onde fica a vila? - Cam perguntou. Pela pri_meira vez, o americano sentiu certa esperana.
   - No fica longe daqui, senhor.
   - Certamente, deve haver algum tipo de transpor_te l.
   - Algumas carroas e mulas, e s.
   Carroas e mulas contra um exrcito de Humvees. Ainda assim, era alguma coisa. Ganhariam um pouco de tempo mais do que se caminhassem. Alm disso, quando Cam 
beijou os ps de Salom esta manh, no_tou que seus dedos estavam vermelhos e inchados. Quando lhe perguntou a respeito, a moa se esquivou do assunto.
   - Meus ps so a parte mais forte do meu corpo. Quem dana se acostuma a sentir um pouco de dor. s vezes, deixamos o palco com sangue nos sapatos.
   Leanna riu diante da expresso de choque de Cam, e acrescentou:
   - S parecemos frgeis. Isso faz parte da iluso.
   Uma carroa serviria, o americano pensou. Ento, sorriu educadamente para Shalla e disse:
   - Nesse caso, gostaria de visitar a vila o mais r_pido possvel.
   - Claro, senhor. Tenho algumas tarefas para fa_zer antes. Vou lev-los quando o sol estiver alto. As_sim est bom?
   Toda aquela situao no era conveniente, mas o que o americano podia fazer para mud-la?
   - Est bem - Cam respondeu.
   Leanna esperou at Shalla ir embora. Ento, en_costou-se em Cameron e comentou:
   - Carroas e mulas? Ser que  tudo que vocs tm?
   -  o que Shalla afirma.
   - Acredita nela?
   - Acredito que carroas e mulas se resumem a tudo o que conseguiremos. Ei, veja o lado bom. No teremos que nos preocupar em achar postos de gaso_lina. De um 
jeito ou de outro, farei tudo para lev-la de volta para casa.
   - Para levar ns dois para casa. No quero ir, a no ser que voc v junto. Entende?
   O americano viu a expresso no olhar da moa e soube o que a danarina lhe dizia. Leanna achava que havia se apaixonado pelo ex-soldado.
   Cam sabia mais. O que ambos sentiam era uma mistura selvagem de paixo, atrao sexual e perigo. Uma sensao mais forte para a danarina porque o americano fora 
seu primeiro amante. Uma sensao mais forte para o ex-soldado porque... a moa era es_pecial. Mas isso no era amor.
   Knight no acreditava em amor. No daquele tipo. Amava o pas em que nascera, os irmos, os homens que haviam lutado ao lado dele. Mas romantismo era criao 
de canes baratas e filmes ruins. As pessoas que acreditavam nisso se tornavam fracas e vulner_veis.
   Por que mais a me dele tolerara a frieza do mari_do? A constante desaprovao daquele homem? Por que outro motivo a me sucumbira  doena e mor_rera?
   No, Cam no acreditava em amor. No poder do sexo, sim. Adicione perigo  mistura e voc tem uma infuso potente, memorvel. Knight no amava Salom, assim como 
a danarina tambm no o amava. A moa apenas pensava que sim, e o americano apenas pensava que...
   Cam afagou os cabelos de Leanna e ergueu o rosto da danarina. Depois, beijou-a devagar, dizendo-lhe com aquele beijo que a protegeria com a prpria vida. Honra 
era uma emoo que o ex-soldado compre_endia.
   - Tudo vai ficar bem, querida.
   -  possvel que Asaad tenha desistido de nos procurar?
   Desistido? De jeito nenhum. Duas pessoas escapa_ram de Baslaam. Os dois levaram a melhor com rela_o ao pequeno e bem armado exrcito. Em vez de um contrato 
que vale milhes, Asaad foi humilhado. Ainda assim, um pouco de esperana nunca era de_mais.
   - Tudo  possvel - Cam disse.
   - Sim. Tudo  possvel - a danarina retrucou, abraada ao ex-soldado. Cam a beijou. Por mais um pouco, ambos podiam viver um sonho.
   O casal tentou usar o celular uma dzia de vezes. Na escadaria principal, no jardim e ao lado da pisci_na. Sem sucesso. Nenhum sinal.
   - Nunca funcionam quando se precisa. Talvez mais tarde. Talvez o satlite no esteja na posio certa. Talvez... - Leanna disse.
   Cam agarrou uma das mos da moa e fez com que a danarina sentasse na grama macia, dizendo:
   - No h sentido em se preocupar com isso. Mais uma hora, e Shalla vai me levar at a vila e...
   - Shalla vai nos levar at a vila.
   - No. - Gentilmente, o americano a deitou na grama, e acrescentou:
   - Vou sozinho.
   - Imagine se for uma armadilha e que os homens de Asaad estejam  sua espera na vila.
   - Quero que fique aqui com a porta trancada e a arma a seu lado.
   - Voc no pode ir sem a arma. No vou deixar.
   - Posso pensar em coisas melhores a fazer do que discutir.
   - S est tentando mudar de assunto.
   - Mulher inteligente!
   - Cam. Se algo acontecer...
   - Nada vai acontecer.
   - Eu sei... mas se algo...
   A moa soltou um gritinho quando o ex-soldado a fez rolar pela grama at ficar embaixo dele.
   - Sempre foi atrevida? - Cam indagou. Leanna riu e respondeu:
   - Sim.
   Cam sorriu e beliscou a pontinha do nariz da moa, dizendo:
   - Conte-me.
   - Contar o qu?
   - Conte-me sobre voc.
   - A histria da minha vida, quer dizer? Tudo bem, mas tenho que lhe fazer uma pergunta antes.
   - Sim?
   - Sim.
   A moa ergueu uma das mangas da camiseta do americano e passou as pontas dos dedos pela guia estampada naquele bceps masculino.
   - Fale-me sobre isso aqui - Leanna pediu.
   -  uma tatuagem idiota - Cam respondeu.
   - Uma tatuagem espetacular - a moa retrucou.
   - Voc acha? Bem, isso  bom. Meus irmos e eu tambm gostamos. Temos um ano de diferena cada um. Terminei o colegial primeiro. Na vspera de eu ir embora para 
a faculdade, ns trs nos demos conta de que era a primeira vez que amos nos separar.
   - Ento, vocs todos fizeram a mesma tatuagem?
   - Sim. Coisa de garoto, eu sei, mas depois...
   - Mas depois acabou se tornando um lao entre vocs. Meus irmos iriam gostar da idia.
   - Tambm so danarinos?
   - Meus irmos? Oh, meu Deus, se ouvissem voc dizer isso... - A moa comentou, rindo.
   - No? - Cam disse, rindo com a jovem tam_bm. Adorava a risada dela. Era natural, assim como a danarina.
   - So policiais. Tiras da SWAT. Bateriam em voc se ouvissem cham-los de danarinos. Bem, no. Provavelmente, no seriam capazes de bater em voc. Quero dizer, 
so grandes tambm. Mas...
   - Mas tentariam.
   - Certamente. Ainda me provocam por causa da dana toda vez que podem.
   Cam colheu uma margarida do jardim e passou as ptalas pelos lbios da jovem, dizendo:
   - Os dois riem, mas aposto que sentem orgulho de voc.
   - Agora sim. Claro, era diferente no incio, quan_do comecei a danar. Eu tinha seis anos e apresenta_mos o Quebra-Nozes - sabe o que ?
   - Acredite em mim. Temos cultura assim como churrasco no Texas.
   - Bem, a famlia toda foi me ver. Mas no lhes contei antes que eu danaria a parte...
   - Da Fada Aucarada?
   - Uma boneca embaixo da rvore de Natal. Que_ro dizer, eu simplesmente caa sentada e no me me_xia. Oh, acabaram comigo! Decidi mudar, sa do bale e passei para 
o sapateado.
   - Que perda para o bale!
   - Bem, no. Porque, de fato.
   - De fato, voc  maravilhosa. Aquela dana que voc fez para mim, ontem  noite, por exemplo...
   A moa ficou corada e disse:
   - No quero falar nisso.
   - Eu quero. Quando olhei l para cima e vi voc...
   - Nunca dancei assim antes. Uma garota que co_nheci em Vegas tentou me convencer a me candidatar a uma vaga no show em que ela estava. Mas, simples_mente, no 
conseguia me ver, voc sabe...
   - Tirando a roupa em pblico - Cam disse e abriu um largo sorriso ao v-la corada novamente.
   - E isso  uma coisa boa porque, se eu imaginasse que outro cara tivesse visto voc assim, eu teria que mat-lo - Knight complementou.
   Aquelas palavras a excitaram, e a jovem disse:
   - Voc  muito protetor.
   - Sim. Isso  ruim?
   - No. Adoro a forma como voc me faz sentir como se realmente...
   - Como se eu realmente o qu?
   Leanna o fitou. Como se voc realmente me amas_se, a danarina pensou... Mas sabia que isso no era verdade. Cam era amante dela, no o homem que a amava.
   - Como se pudesse fazer qualquer coisa que ti_vesse imaginado - a jovem completou.
   - Espero que isso seja verdade. Espero conseguir tirar ns dois daqui.
   Knight a beijou. Um beijo longo e profundo que quase fez a moa desmair de prazer.
   - Cam? Vamos subir? - Leanna sussurrou. O ex-soldado logo ficou excitado, e respondeu:
   - Vamos.
   Levantando-se, pegou-a nos braos e a carregou at o santurio dos dois. Cameron a despiu devagar, adorando a paixo estampada no rosto da jovem. O rapaz a acariciou, 
beijou-a, levou-a a um ponto no qual a danarina no podia fazer nada a no ser solu_ar o nome dele. Depois, despiu-se e a carregou para a parede espelhada no quarto.
   - Veja o quanto voc  bonita - Cameron sus_surrou, virando-a de frente para o espelho.
   Leanna deu uma olhadela em si mesma. Cam tirara a pureza da jovem, fizera amor com ela, dera-lhe ba_nho. Beijara cada centmetro do corpo da danarina. Nada mais 
com relao quele corpo feminino era se_gredo para o americano. A moa pensava que o ex-soldado experimentara tudo com ela.
   Agora, a bailarina sabia que no. Ver a si mesma refletida nos olhos do seu amante no era como olhar para um espelho enquanto faziam amor. Cam acari_ciou os 
seios da jovem. Leanna arfava diante daquela sensao.
   - Veja - o rapaz sussurrou.
   A moa no teria conseguido desviar o olhar do es_pelho mesmo que tentasse. Uma das mos dele ainda cobria-lhe um dos seios. A outra seguia a curva da cintura, 
de uma das coxas, espalhando-se lentamente pela barriga dela. Era um gesto to ertico e posses_sivo que os joelhos da jovem se curvaram.
   - Cam - Leanna disse com a voz embargada ao sentir a boca do americano em sua nuca.
   - Veja - o rapaz voltou a dizer, agora em tom de ordem.
   Cameron passou uma das mos por entre as coxas da danarina. Leanna arfava. O corpo cada vez mais quente. Ento, aquele corpo feminino arqueou-se quando o choque 
do xtase o transformou em um raio de luz.
   Leanna estivera nos braos dele nas outras vezes que fizeram amor, mas nunca assim. Cam a segurou com fora, querendo que aquele momento durasse para sempre.
   - Cam, oh, Deus, Cam...
   O americano a ergueu e os dois corpos se fundiram em um s. Leanna gritou e prendeu as pernas em tor_no da cintura dele, enquanto os corpos se fundiam cada vez 
mais. Apenas a fora daquele homem a im_pediu de cair no cho.
   Ambos explodiram de prazer. Leanna chorou. Cam gritou. O rapaz a reconduziu ao cho e a mante_ve abraada. Algo estava acontecendo com o ex-soldado. Algo que 
Cameron no entendia ou queria ou...
   De repente, um rugido absurdo. As janelas treme_ram e Leanna gritou de pavor. Cam curvou-se sobre a moa quando pedaos de vidro voaram para dentro do quarto. 
Do lado de fora, um enorme helicptero preto pairava sobre o jardim, bloqueando o cu.
   
   
   CAPITULO ONZE
   
   - Cam, o que est acontecendo? - Leanna gritou. O rapaz rolou, afastando-se dela, agarrou as calas e as vestiu. O helicptero sara do ngulo de viso do casal 
e estava pousando. Dava para ouvir o barulho das hlices.
   - Eles nos encontraram, querida.
   - Os homens do sulto? Mas Shalla disse que este lugar era um santurio.
   - Shalla mentiu. - Havia cacos de vidro nos ca_belos dele. Podia sentir pedaos pequeninos sob os ps, mas o americano estava bem. Ento, agarrou Salom, deu 
uma olhada rpida na moa e respirou com mais facilidade ao se convencer de que ela no se ma_chucara.
   - Vista-se!
   Trmula, a jovem pegou as roupas e vestiu-se. Cam pegou a arma e dirigiu-se  porta. Leanna correu atrs dele, dizendo:
   - Cam, espere!
   O americano virou-se, o peito nu, descalo, a arma em uma das mos, e disse:
   - Tranque a porta quando eu sair.
   - No! Vou com voc!
   - Tranque a porta e no a abra, no importa o que oua. A menos que eu diga para abrir.
   - No vou deixar que voc v l fora sozinho.
   - Vai sim.
   Leanna fitou Cameron. Por um momento, o rapaz parecia um estranho perigoso. Mas no era. Era o homem a quem a danarina amava. O que quer que acontecesse, a moa 
queria estar com o americano, mesmo que isso significasse morrer junto dele.
   - Vou com voc, Cam. No pode me impedir.
   - Droga, Salom. No tenho tempo para discutir!
   - Est certo. Voc no tem. Ento, acostume-se. Vou...
   Cam a agarrou pelos ombros, e disse:
   - Que inferno!
   Homens gritavam a distncia. Knight tinha de descer as escadas, deixar-se ser visto. Correr. Conduzir os patifes para longe dela e eliminar tantos quantos fosse 
possvel.
   Dispunha de apenas alguns minutos para tentar salvar a danarina dourada. E, se no conseguisse, manteria uma bala para a moa. Uma morte rpida e sem dor seria 
tudo o que o americano poderia lhe dar para lembrar-se dele por toda a eternidade.
   - Querida...
   - No vou deixar que saia sozinho.
   Leanna estava falando srio. Cam podia ver o brilho de determinao no olhar da jovem. Entretanto, ele no a levaria consigo de jeito algum. Knight tivera treinamento 
em sobrevivncia, podia lidar com o que o esperava l fora. A jovem estaria  merc dos matadores que viriam atrs deles.
   - Chega de discusso. Voc fica - Cam disse. Leanna colocou as mos no peito dele e o fitou, olhos cheios d'gua, dizendo:
   - Por favor. Sei que est tentando me proteger. E eu o amo por isso. Amo voc por tudo que . Est me ouvindo? Eu amo voc!
   Ali estavam as palavras que o ex-soldado sabia que a danarina queria dizer, as palavras que sabia que no podiam ser verdade. Ento, por que invadiam o corao 
dele?
   - E por isso que tem que me deixar ir com voc. No v? Eu o amo! - a moa explicou.
   Cam tinha de silenci-la. Precisava for-la a ficar. S havia uma forma de fazer isso, mesmo que a magoasse. Ento, o americano tirou as mos da moa que estavam 
no peito dele e disse:
   - No seja criana. Fizemos sexo. No confunda isso com amor.  
   - Est errado. Eu amo voc - a moa disse, o rosto empalidecendo. 
   - E eu adoro respirar - Cam retrucou, odiando a si mesmo mais do que pensava ser possvel. Essa no era a forma adequada de o romance dos dois acabar, mas o americano 
no tivera escolha. Salv-la era tudo o que importava. A honra dele exigia isso. En_to, Knight acrescentou:
   - Vou l fora. Voc fica aqui at eu voltar. Enten_deu?
   A moa estava plida, e a boca tremia. Cam xingou, puxou-a para si e a beijou. A danarina no correspondeu e o ex-soldado poderia ter jurado que sentira a prpria 
alma se despedaar quando a deixou.
   - Lembre-se de trancar a porta - Knight a avisou. Ento, o americano saiu, esperou at ouvir o barulho da tranca e desceu as escadas correndo.
   
   Os bandidos do sulto estavam no ptio. Seis homens. No, oito. Cam sentiu a velha e familiar onda de adrenalina. Respirou fundo. Depois, gritou e comeou a correr. 
O tiroteio rolava enquanto o america_no corria.
   Dois homens caram. Um terceiro. Depois, um quarto. Cam correu para a lateral do prdio, as balas zunindo acima da cabea dele. O ex-soldado dobrou a esquina 
e encontrou-se  parede. Pela primeira vez, deixou-se pensar que ele e Salom deveriam apenas sobreviver a esse... exceto que havia mais homens vindo.
   Muitos homens. Muitas armas. Era isso, ento. Chegara a hora de voltar para Salom. Segur-la nos braos. Dizer-lhe que aqueles poucos dias haviam sido maravilhosos. 
Beij-la, colocar a arma na tm_pora da moa...
   Algo o atingiu no peito. Parecia um martelo de forja. Mas por que algum manejaria um martelo...
   - Ahhh.
   A dor desabrochou como uma flor de mltiplas ptalas, irradiando pelo peito, pelos ombros, pelos bra_os. Cam foi caindo, escorregando pela parede. O rapaz olhou 
para baixo, tocou o peito, manchas verme_lhas nos dedos.
   O som do tiroteio diminuiu. Uma bota chutou-lhe uma das pernas. O americano ergueu os olhos e avis_tou um homem ali em p. Era difcil ver com clareza. Por alguma 
razo, tudo  sua volta se tornou confuso. Entretanto, Cameron conhecia aquele rosto cruel.
   - Asaad?
   - Senhor Knight? - Um sorriso de satisfao. Outro chute com a bota.
   - Como  bom v-lo novamente - Asaad disse. Cam resmungou e tentou ficar de p. O sulto riu, colocou um dos ps no peito do americano e o empur_rou para trs.
   - Lamento que no v a lugar algum, Senhor Knight. Realmente pensou que podia escapar de mim?
   Salom. Onde ela estava? Cam tinha de busc-la.
   - Est procurando por algum? Claro que sim. Est procurando pela garota do meu harm.
   - No  sua. Nunca...
   Asaad jogou a cabea para o lado e gritou uma or_dem. Um dos homens veio, arrastando algo - al_gum.
   Os olhos de Cam se encheram de lgrimas. Era Sa_lom. Uma corda enrolada no pescoo da jovem; as mos amarradas. O rosto estava sujo e machucado. E a danarina 
chorava.
   - Cam, oh! - Leanna soluava.
   Asaad assistia  cena, sorrindo. O sulto deixou que a moa ficasse a alguns centmetros de Cameron. Depois, agarrou-a pelos cabelos e a puxou para trs, dizendo:
   - S lamento que no. vai viver para me ver des_frutando do meu prmio, Senhor Knight. Suponho que tambm no v viver o suficiente para assinar aquele contrato 
de arrendamento de petrleo. Porm, quase vale o privilgio de ver voc...
   Cam ergueu a arma. Os olhos do sulto ficaram bem abertos, chocados.
   - Bum! - Knight sussurrou e puxou o gatilho. Um buraco apareceu no meio da testa de Asaad, que caiu morto. Um dos homens do sulto gritou. Cam olhou para Salom. 
Agora, disse a si mesmo. Agora. Restava uma bala para evitar a agonia da moa. Deus, no. Knight no podia...
   Um pssaro gigante caiu do cu, um helicptero falco preto apareceu camuflado no deserto. Tiros. Os homens de Asaad se dispersaram. Tarde demais. Eram alvos 
fceis.
   Ento, houve silncio, exceto pelo suspiro do ven_to. Cam lutou para levantar a cabea. Tentou falar o nome da danarina dourada. Tentou chegar at a moa.
   - Cameron? Ser que no podemos tirar os olhos de voc por um minuto?
   Cam piscou. A viso estava ficando cinzenta, mas o rapaz poderia jurar que vira os dois irmos caminhando em sua direo.
   - Droga, Cam, mantenha os olhos abertos. Est ouvindo? Est morrendo em cima de ns, irmo, iremos perdo-lo - a voz de Matt era dura, mas as mos eram suaves.
   - Mantenha a cabea dele levantada - Alex dis_se.
   - Salom - Cam sussurrou. Matt abaixou a cabea e perguntou:
   - O qu?
   - Salom. Minha danarina dourada...
   Ento, o cinza virou preto, e Cam caiu no oceano da escurido.
   Barulho. Luzes. Dor aguda como a lmina de uma faca. Alfinetadas e uma dor mais obscura, pulsando a cada batida do corao.
   Salom. Salom. E, ento, novamente, escurido. Vozes. Algumas eram familiares, outras no.
   - Nada bem.
   - ... o melhor que podemos, mas...
   - ... perda significativa de sangue.
   - ... jovem. Forte. Nenhuma promessa, mas...
   E sempre um nico nome na mente do ex-soldado: Salom.
   E ento, numa manh, Cameron abriu os olhos. O americano estava em um quarto de paredes brancas. Luzes traavam padres irregulares em um monitor. Algo apitava 
com uma freqncia irritante. Tubos de plstico enrolados nos braos, e um mastodonte invi_svel acampado no peito dele.
   Cam gemeu. No podia estar morto. Mesmo que acreditasse no paraso e no inferno, nenhum dos dois lugares se pareceria com aquele. A boa notcia era que o rapaz 
estava em uma cama de hospital. E a m era que nenhum dos rostos ao redor era o de Salom.
   - Ei, irmo.
   Cam virou um pouquinho a cabea. Alex abriu um largo sorriso, e disse:
   - Fico contente que tenha decidido ficar por aqui. Cameron tentou responder, mas sentia-se como se algum tivesse tirado toda a areia do deserto e jogado em sua 
garganta.                                                     
   - Ele quer gua - algum comentou. Era Matt que se aproximava e agarrava-lhe um dos ombros, di_zendo:
   - Bom ver voc de novo.
   - Pedaos de gelo - outra voz disse, com autori_dade, e acrescentou:
   - A enfermeira disse que no era para dar gua, lembram? Aqui, deixem que eu fao isso.
   Cam piscou quando o pai colocou uma das mos em torno da nuca do ex-soldado e o ajudou a pegar um copo plstico com gelo. O velho pai? Curvando-se sobre o filho 
com olhos midos? Talvez realmente estivesse morto. Mas o gelo era real. Avery sorriu.
   - Bem-vindo  sua casa, querido.  bom ter voc de volta.
   - Sim.  bom estar de volta.
   O ex-soldado respirou fundo, tentando no estre_mecer diante da repentina dor no peito.
   - Salom?
   O pai franziu as sobrancelhas. Os irmos se entreolharam.
   - Quem?
   - Salom. Minha danarina dourada - Cam res_pondeu, impaciente.
   - Ah, a mulher. Ela est bem. Sem um arranho sequer - Alex afirmou.
   Cam fechou os olhos e disse:
   - Quero v-la.
   Os irmos se entreolharam.
   - Claro. Assim que voc estiver melhor - Matt retrucou.
   - Quero v-la agora - Cam afirmou, e o quarto comeou a girar.
   - Cameron - o pai disse, mas a voz dele parecia vir de muito longe.
   O rapaz mergulhou na escurido.
   Cam acordou algumas vezes, mas era sempre a mesma coisa. Os irmos, o pai, mdicos, enfermei_ras, mquinas. E nada de Salom.
   E ento, finalmente, saiu das profundezas escuras. Cameron abriu os olhos e sabia que estava melhor. O mastodonte no peito fora substitudo por um elefante. Havia 
apenas um tubo em um dos braos e as mqui_nas que apitavam tinham ido embora.
   Cam virou a cabea e olhou ao redor. Os irmos estavam esparramados em duas pequenas cadeiras perto da janela.
   - Ei - Cameron disse.
   O som que saiu parecia o coaxo de um sapo doen_te, mas os dois o ouviram. Pularam das cadeiras, qua_se tropearam um no outro quando correram para junto do irmo.
   - Ei - Matt disse. Cam perguntou:
   - Quanto tempo?
   - Duas semanas - Alex retrucou.
   - Salom?
   - O que tem essa Salom? - Matt perguntou.
   - Quero v-la.
   Os irmos se entreolharam, e Matt respondeu, cauteloso:
   - Bem, assim que voc ficar de p, tenho certeza de que ser capaz de...
   - Ela no est aqui?
   - No - Alex respondeu.
   Ser que havia sonhado que os irmos lhe disse_ram que a moa estava segura?
   - Vocs no a tiraram de l junto comigo? Fize_ram isso, no? No deixaram...
   - Calma. Claro que a tiramos de l. E a levamos para o helicptero. Deixamos voc a bordo de um na_vio americano. Voc estava por um fio. Precisava de cuidados 
mdicos urgentes - Alex explicou.
   - O que aconteceu a Salom?
   - O helicptero a levou para Dubai.
   - E?
   - E... Depois disso, no sei - o irmo confessou.
   - O que quer dizer? No sabe?
   - Alex quer dizer que no sabemos. Ficamos a seu lado no navio enquanto os mdicos o atendiam. Quando a sua situao ficou estvel, eles o colocaram em um avio- 
Matt explicou.
   - Vocs nunca checaram para ver o que aconte_ceu a Salom em Dubai?
   - No. Nunca nos ocorreu isso. Estvamos ocu_pados demais nos certificando de que voc no fizes_se algo estpido como, por exemplo, morrer - Alex disse.
   Cam olhou para os irmos. Os olhos dos dois refle_tiam o que haviam passado nas ltimas semanas.
   - Sim. Certo. Um de ns nunca poderia se afastar dos outros, eu acho.
   - Isso. At o velho ficou grudado em voc como se fosse cola - Matt comentou.
   - Obrigado por tudo. Quero dizer, por um mo_mento l, imaginei ver vocs pulando daquele pssa_ro to grande e belo. E Asaad? Realmente o peguei?
   - O patife  histria. Voc tambm teria sido se aquela ligao que fez atravs do seu celular no ti_vesse entrado na caixa postal. Conseguimos informa_o suficiente 
para descobrir onde voc estava.
   - E salvar minha vida.
   - Ns e alguns companheiros dos velhos tempos salvamos sua vida, e no pense que vamos deixar que voc esquea isso.
   - Salom telefonou, certo? Houve um silncio desconfortvel.
   - Telefonou? Para saber como eu estava?
   - De fato, no. No para mim - Alex disse.
   - Matt? Ouviu algo?
   - Lamento. Ela no entrou em contato. --Mas...
   Mas por que a danarina ligaria? Cam dissera coi_sas para mago-la. Ou... talvez no pudesse ligar. Talvez nunca tivesse chegado a Dubai.
   - Cam?
   - Tenho que descobrir o que aconteceu a Salom. Matt pegou um bloco e um lpis, e disse:
   - Tudo bem. D-me o nome dela e o endereo, e eu...
   - No sei.
   - Apenas o nome, a cidade... O qu?
   - J disse, no sei.
   - A cidade?
   - No sei nada, onde vive, de onde vem. Nem mesmo sei o nome dela.
   Os irmos o fitaram como se Cam tivesse perdido a memria. No podia culp-los. Como pudera passar dias e noites com Salom e nunca ter perguntado o nome da moa?
   - No  Salom? - Alex indagou. Cam riu com amargura e respondeu:
   - Fui eu quem inventou isso.
   Matt franziu as sobrancelhas ao perguntar:
   - No sabe o nome dessa belezura?
   - No fale dela assim - Cam disse.
   - Ento, como devo cham-la? Salom?
   - No. Sou o nico que pode cham-la assim... Cameron ficou em silncio. Depois, continuou:
   - Tenho que encontr-la.
   E, do jeito que dissera, os irmos sabiam que Cam estava certo.
   Salom havia desaparecido. Era como se a moa nunca tivesse existido, exceto nos sonhos de Came_ron.
   O ex-soldado solicitou um telefone ao lado da cama. Os mdicos no deixaram. O paciente precisa_va descansar. Cam disse que sabia do que precisava mais do que 
os mdicos. E, depois que as enfermeiras o encontraram rastejando corredor abaixo em direo a um telefone pblico, os mdicos concordaram e Cam passou a ter um 
telefone ao lado da cama.
   No que isso tenha ajudado. Cameron ligou para o consulado americano em Dubai. O cnsul estava de frias e a assistente disse que adoraria ajudar, mas ser que 
o Senhor Knight tinha idia de quantos ame_ricanos passavam pela embaixada toda semana?
   - A questo , senhor... - Milhares de quilme_tros separavam Cam da assistente, mas o americano quase podia ver a mulher erguendo as sobrancelhas ao dizer:
   - Se soubesse o nome da senhorita...
   - No sei - Cam retrucou.
   - Tem certeza de que ela veio para a embaixada? Cam precisava admitir que no tinha certeza. Salom estava sem o passaporte, mas isso no significava que a moa 
tivesse ido para a embaixada. Talvez ape_nas tivesse ligado para algum. Algum da trupe de dana. Algum que ainda estivesse no local onde a jovem tinha sido seqestrada. 
Que inferno, Knight no sabia nada!
   Eu amo voc, a moa dissera. Sim, mas, se o amas_se, teria ido ao encontro dele ou telefonado. Droga, a jovem sabia o nome do ex-soldado e que o rapaz era de 
Dallas. Poderia t-lo encontrado. Por que no fize_ra isso?
   Porque voc estava certo, uma voz dentro do ame_ricano dizia, friamente. Aquela sensao de plenitu_de se devia ao sexo e ao perigo, no a voc. Cam cer_rou os 
punhos e fitou o teto.
   Era verdade. Soubera isso desde o incio. Mas o ex-soldado salvara a vida dela. Ser que a jovem nem queria saber se o ex-soldado sobrevivera ou morrera?
   Ela no lhe deve nada, Knight, a voz dizia, ainda mais fria. Que inferno, a moa realmente no lhe de_via nada. Mas o americano tinha o direito de v-la mais 
uma vez, escut-la admitir que o que pensara sentir por ele evaporara assim que se sentiu segura. Ento, o americano poderia esquec-la completa_mente.
   Os mdicos explicaram que Cam ficaria hospitali_zado mais duas semanas. O paciente tinha de recupe_rar as foras, comer o mingau que lhe serviam, levan_tar-se 
com a ajuda de algum e caminhar pelo corre_dor por quinze minutos, trs vezes ao dia. Depois, tal_vez o ex-soldado pudesse ir embora, mudar-se para a casa de Matt 
ou de Alex ou do pai por algum tempo.
   - Certo - Cam disse, e fez seus planos.
   O ex-soldado ligou e pediu as prprias refeies: carne, massa, protena e carboidratos. Acordava sozi_nho na hora que queria, caminhava vinte minutos. Depois, 
quarenta. Ento, levantava-se da cama e fica_va l fora. No outro dia, pediu por suas roupas. Tro_cou o pedido educado por uma solicitao quando a enfermeira tentou 
intimid-lo com o que dissera ser uma regra sobre usar vestimentas de hospital.
   Cameron estava em p,  janela, de jeans, tnis e moleton. Foi quando os mdicos apareceram - o pneumologista, que tratou de um dos pulmes doen_tes do americano, 
e o cirurgio torcico, que remove_ra a bala que quase havia atingido o corao do ex-soldado.
   - Estar de p e vestido me faz sentir humano no_vamente - Cam disse.
   Mais tarde, Knight foi para casa. J estava farto de perder tempo, Quanto mais tempo levasse para come_ar a procurar por Salom, mais tarde a encontraria.
   O americano estava repleto de perguntas, e iria bus_car as respostas.
   Knight tomou um avio para Dubai, mas no con_seguiu nenhuma informao. O americano voltou para casa mais irritado do que antes. Ento, contatou um investigador 
particular e lhe contou tudo o que sa_bia. Salom era danarina. Que tipo? O rapaz relem_brou as conversas que os dois haviam tido. A jovem falara de Las Vegas, 
sobre sapateado. O investigador fez anotaes. Oh, e tinha trs irmos que eram poli_ciais. O homem acenou com a cabea, como se aque_la informao fosse realmente 
til, e fez mais anota_es.
   - Uma foto ajudaria - o investigador disse, e ar_rumou para que Cam se encontrasse com uma mulher que fazia retratos falados para a polcia. Trs horas mais tarde, 
os dois j tinham um desenho admissvel de Salom.
   O investigador fez algumas centenas de cpias e as distribuiu por Vegas. Cam no deu muita importn_cia a isso e pegou o avio seguinte. Ento, foi a ho_tis, 
clubes, e nada. Ningum reconhecia o retrato fa_lado. Ningum conhecia Salom.
   De volta a Dallas, numa sexta-feira  noite, os ir_mos o arrastaram at um bar que freqentavam. Sa_biam que Cam queria falar, ento deixaram-no fazer isso.
   Matthew e Alexander hesitaram para perguntar o porqu de Cam estar to desesperado para encontrar uma mulher cujo nome ele sequer sabia, e que no fizera nenhum 
esforo para encontr-lo. Porm, final_mente, Matt fez a pergunta.
   - Ento, ela  importante para voc, certo? Essa mulher, quero dizer.
   - Quero saber o que aconteceu a Salom. Algum problema nisso?
   - Nenhum problema - Matt respondeu logo.
   - Desculpem-me. Estou apenas... - Cam disse.
   - Nervoso - Alex completou e acrescentou: - Qualquer um estaria depois do que passou. O que no entendo  como um homem se envolve com uma bai... com uma mulher 
e no pergunta o nome dela.
   Cam pensou em dizer que Alex no tinha nada a ver com aquilo, mas sabia que os irmos s queriam o bem dele. Os dois o amavam. Ambos estavam ape_nas tentando 
entender o que se passava.
   - Estvamos numa corrida. Era uma situao de vida ou morte. Eu lhe dei um apelido e colou.
   - Salom - Alex disse, olhando de soslaio para Matt.
   - Como a danarina que conseguiu a cabea de um sujeito em uma travessa - Matt disse.
   - O que conseguiu fazer sem dificuldade, porque o seduziu.
   - Querem dizer algo, ento digam.
   - Relaxe, homem. Amamos voc,  tudo. Esta_mos preocupados. Voc levou um tiro, perdeu muito sangue, quase morreu...
   - E qual  a questo? - Cam perguntou.
   - Apenas o que vocs j sabem. Fugindo, vida ou morte... Isso acaba aumentando as coisas, sabe? - Alex comentou.
   Cam acenou com a cabea, concordando. A, pe_gou a cerveja e, depois, pousou o copo novamente so_bre a mesa.
   - Eu disse isso a Salom.
   Alex acenou com a cabea, concordando, e co_mentou:
   - Bom que tenha entendido isso, porque...
   - Claro que entendi. Foi Salom que no entendeu.
   Matt suspirou aliviado e explicou:
   - No sabe o quanto estamos contentes em ouvi-lo dizer isso porque, voc sabe, por um momento...
   Cam bateu com um dos punhos na mesa e disse:
   - Salom mentiu, droga! Disse que me amava. Ento, onde est?
   Alex disse, cauteloso:
   - Mas como voc acabou de dizer...
   - Ningum mente para mim e vai embora - Cameron afirmou.
   Os irmos se entreolharam. Cam acabara de dizer que essa mulher a quem chamava de Salom no o amara de verdade. Depois, dissera que no ia deix-la ir embora 
sem am-lo.
   Nenhum dos dois foi idiota para salientar aquela inconsistncia interessante. Como eram homens pru_dentes, terminaram os drinques em silncio.
   Avery ligou mais tarde, em um sbado frio.
   - Como est, filho?
   Cam ainda no se acostumara ao novo tom de voz do pai, mas gostava disso. O velho ditado era verda_de. Antes tarde do que nunca.
   - Estou bem, pai. - Tambm gostava de pensar em Avery como "pai".
   - No tenho visto muito voc ultimamente.
   - Ando ocupado.
   - Tenho um daqueles eventos beneficentes para ir hoje  noite. Esperava que pudesse ir comigo.
   - Obrigado, pai, mas...
   - Pensei em passarmos um tempinho juntos.  um recital. No posso me livrar disso, mas tambm no consigo me imaginar l, do incio ao fim. Com voc junto, dois 
pagos culturais lado a lado, acho que posso agentar.
   Era to diferente de qualquer coisa que o pai j lhe dissera que Cam sentiu a garganta apertar.
   - Sua me costumava adorar esse tipo de coisa - Avery disse com uma risadinha.
   Cam conteve a respirao. No conseguia lem_brar-se do pai mencionando a esposa antes.
   - Mame gostava? - o filho perguntou.
   - Foi por causa dela que comecei a suportar essas coisas: Conselho de Arte, teatro, museu.
   Avery pigarreou e continuou:
   - No sei a razo, mas tenho pensado muito em sua me nas ltimas semanas, no quanto ela ficaria orgulhosa de ver voc e seus irmos crescidos e bem-criados.
   - Sim - Cam engoliu com dificuldade e acres_centou: - Tambm pensamos muito nela.
   - Eu a amava tanto, Cameron, tanto que tinha medo de demonstrar. Sei que parece loucura, mas...
   Inesperadamente, a imagem de Salom, com os olhos azuis sombrios de paixo, atravessou a mente de Cameron. O rapaz sacudiu aquela imagem quando o pai voltou a 
falar.
   - Bem, e hoje  noite? Se no quiser, vou enten_der.
   - Eu quero, pai.
   - timo filho. Vou busc-lo  seis e meia da tar_de.
   Cam barbeou-se, tomou uma chuveirada e vestiu o smoking. O rapaz disse a si mesmo que uma noite fora seria uma tima idia. No pensaria em Salom. A jovem tinha 
ido embora, sara da vida dele.
   - Uma noite com as artes. Ser interminvel, Ca_meron. Um pouco disso, um pouco daquilo, nada que seja bom. Falas. Apresentaes. Um soprano miando, um coral 
de meninos tentando parecer angelical. Um violonista flamenco e, bom Deus, um corpo de bale. Obrigado por ter vindo, filho. Serei eternamen_te grato.
   Cam acenou com a cabea, concordando. De algu_ma forma, pai e filho conseguiram agentar a primei_ra metade da noite. Ambos saram para beber durante o intervalo, 
disseram "ol" para muitas pessoas. Quando as luzes piscaram, os dois retornaram a seus assentos.
   Cameron sentou-se ao lado do pai. O rapaz conteve um bocejo enquanto uma senhorita gorjeava para um sujeito, ambos obesos. Depois, o ex-soldado ajeitou-se na 
cadeira durante a apresentao de outro cara que, tentando parecer sombrio e misterioso, arruinava o que poderia ter sido um momento maravilhoso no violo.
   Aplausos educados para o violonista. Sussurros. Tosses. As cortinas se abriram novamente; uma msica suave. Cam cruzou os braos e viu um grupo de bailarinas 
danar no palco.
   - Tenho que admitir que so um colrio para os olhos - o pai sussurrou...
   E Cam quase pulou da cadeira porque a ltima bailarina na ponta dos ps era Salom.
   
   
   CAPTULO DOZE
   
   Cam deve ter feito algo. Ou ficou tenso ou comeou a levantar-se, porque o pai agarrou-lhe um dos braos e disse, em voz baixa:
   - Cameron?
   O filho voltou a sentar-se, fitando o palco onde uma dzia de bailarinas rodopiava. Entretanto, o americano tinha olhos apenas para uma das moas.
   Os cabelos dela estavam puxados para trs em um coque. A jovem usava uma coisa branca rendada - como se chamava aquilo? Um tutu, uma saia de tule. Nos tornozelos, 
as fitas brancas de cetim das sapatilhas.
   Knight sentiu o corao pular. Olh-la era como ter uma miragem. Quase podia saborear o gosto daquela pele doce. Ver a perfeio dos seios escondidos sob a renda 
branca. Ouvir a jovem sussurrar o nome dele.
   Era a danarina dourada. Salom se movimentava no palco, braos erguidos em um arco gracioso, assim como na noite em que a moa danara para o americano  luz 
da lua.
   A msica era rpida e intensa. Uma valsa. Um, dois, trs. A pulsao dele seguia o mesmo ritmo. Olhe para mim, Cam queria dizer. Mas os olhos da bailarina estavam 
abaixados, a cabea inclinada em um ngulo que mostrava a delicadeza do pescoo. A jovem no ergueria o olhar. Cam no podia desviar o dele.
   Vegas, sapateado, a moa dissera. Nunca mencionara bale ou, sim, talvez tenha mencionado. Porm, apenas de modo superficial. Cam sorriu. Daquela . noite em diante, 
o ex-soldado amaria bale. Afinal, o bale a trouxera de volta para ele. A jovem estava ali...
   A danarina dourada estava na cidade do texano. E no viera v-lo. Nem telefonara. A moa sabia que o ex-soldado morava em Dallas. Sabia o nome dele, a profisso, 
e nem tentara descobrir se o rapaz sobrevivera.
   - Cameron?
   O pai inclinou-se, preocupado. Cam devia estar prestes a explodir. O rapaz estava sentado, rgido, os punhos cerrados no colo.
   - Filho, qual o problema? Est se sentindo mal?
   Cam estivera certo o tempo todo. Tinha sido a ex-citao, o perigo. A jovem no o amara, no dera a mnima para o ex-soldado...
   Tudo bem. Cameron tambm no dera a mnima para a danarina. Mas estava furioso, com raiva. Durante todas essas semanas, Knight se preocupara com o que poderia 
ter acontecido  jovem. Mas ela...
   - Filho?
   - Estou bem, pai. S preciso de um pouco de ar. Avery comeou a se levantar, mas Cam fez com que o pai voltasse para a cadeira.
   - Fique at o fim. Eu me encontrarei com voc l fora.
   Cameron se levantou e chegou ao corredor. Ento, parou e olhou para o palco. Porm, a cabea da danarina dourada estava virada, olhos ainda fixos no cho enquanto 
a jovem rodopiava.
   V para o inferno, o americano pensou. Depois, dirigiu-se ao saguo.
   Mais tarde, Cam e Avery saram para jantar e conversaram um pouco. O filho fez o possvel para convencer o velho homem de que estava tudo bem. E o pai no precisava 
ligar para o mdico.
   Quando imaginou que j havia se passado tempo demais, o rapaz alegou que tinha muito trabalho na manh seguinte e foi para casa. L, passou o resto da noite na 
cama, fitando o teto.
   - Supere isso. No veio. No ligou. E da? - Cam disse a si mesmo. De fato, era um homem de sorte. Era melhor saber que a moa o esquecera do que lidar com uma 
bailarina cega de amor.
   De manh, Cam foi para o escritrio, falou em tom rspido com a secretria, com os irmos. Depois, pegou a jaqueta, disse que tinha um compromisso e saiu. Entrou 
no prprio Porsche, ligou o motor e diri_giu para fora da cidade, sem rumo, at que parou em_baixo de alamos. Ento, saiu do carro e caminhou por uma trilha que 
levava a um lago.
   Que tipo de mulher era aquela? Que se entregava a um homem, fazendo-o acreditar que ele era tudo o que a jovem queria, at dizer que o amava, quando tudo era 
mentira?
   A adrenalina, lembra? Foi isso. E, em caso de haver alguma dvida, voc lhe deu uma dose de mundo real.
   - Fizemos sexo. No confunda isso com amor - voc disse.
   Cam chutou uma pedra. A moa nunca o amara. Que inferno, nunca acreditara que a danarina o amasse. Mas ele salvara sua vida...
   Pelo amor de Deus, homem, vai voltar a isso?  pattico. Alm do mais, a vida que voc estava salvando era a sua. O que aconteceu  que a jovem foi junto, pegou 
uma carona.
   No. No era verdade. No final, a vida dele j no tinha importncia. A vida da danarina era tudo o que importava a Cam.
   Droga! Cam queria respostas! Ento, tirou o celu_lar do bolso. Como sempre, aquela coisa miservel no funcionou. Porm, dessa vez, bastou voltar  estrada para 
que o sinal voltasse.
   Knight ligou para o investigador particular e lhe disse o que queria. O nome de uma danarina da companhia de bale que estava se apresentando no Music Hall.
   Ser que o Senhor Knight poderia tornar as coisas um pouco mais claras? Ele tinha aquele retrato falado que a policial fizera, mas...
   - Ser simples identific-la.  a nica loura. E preciso saber onde posso encontr-la. Ela tem que estar em algum lugar - um apartamento, um hotel. Preciso do 
nome - Cam disse ao detetive.
   - Tudo bem, Senhor Knight. Para quando precisa dessa informao?
   Cameron fechou um pouco os olhos. Ser que o programa do Music Hall dizia algo sobre uma apre_sentao limitada? Pelo que sabia, hoje era a ltima noite de Salom 
em Dallas.
   - Preciso disso para ontem - Cam disse, e can_tou pneu ao dar a volta e ir para casa.
   A platia continuava aplaudindo. O corpo de bale permanecia no palco, mas Leanna escapou para o ca_marim. No podia esperar para trocar de roupa e vol_tar para 
o hotel. Mais uma noite, e deixaria Dallas para trs.
   As mos da danarina tremiam enquanto tirava os grampos dos cabelos e os soltava. A semana tinha sido horrvel, pensando em Cam o tempo todo, vendo o rosto dele 
em cada sombra.
   E, na noite passada, a jovem tivera certeza de que o ex-soldado estivera no teatro. Loucura, claro, mas a danarina sentira a presena dele. Parecia ridculo, 
mas a jovem o sentira fitando-a.
   Leanna nem ousou levantar a cabea. A compa_nhia fizera apenas uma rpida apresentao nesse show, danando um ato do Lago dos Cisnes.
   - Olhos baixos - Nikolai dissera. Durante o en_saio, quando uma garota ergueu o olhar, ele havia gri_tado. E, se isso acontecesse novamente, ele as cansa_ria 
at que cassem.
   Todas estavam quase caindo. Principalmente Leanna, graas  estada no hospital enquanto lutava contra a infeco em um dos ps. Obediente, a moa mantivera os 
olhos baixos enquanto danava.
   Alm disso, se tivesse erguido o olhar e visto Cam na platia na vspera  noite, provavelmente, a dan_arina teria... A verdade era que a jovem no sabia o que 
teria feito. Quase enlouquecera quando vira a programao da companhia.
   - Dallas? - perguntou a Ginny, que dividia o quarto com ela quando viajavam.
   - Mudana de planos no ltimo minuto - Ginny respondera.
   - No posso ir a Dallas.
   - Oh,  uma cidade maravilhosa. Vrios restau_rantes espetaculares. Boas compras. E os homens...
   - No posso ir.
   - Qual o problema?
   Qual, de fato? Ningum sabia sobre ela e Cam, nem precisava saber. J era ruim o suficiente ter de viver com as lembranas do tempo em que estiveram juntos. Ento, 
a moa murmurou uma desculpa idiota sobre ter odiado o calor quando estivera no Texas.
   -  inverno, Lee. Estar frio em Dallas.
   - Oh, claro.
   Ento, tinha ido a Dallas. Que escolha restava? Pre_cisava do emprego. Permanecia perplexa pelo fato de a companhia ter mantido a vaga dela, depois de todo o 
tempo em que estivera fora. Primeiro, por causa do se_qestro. E, depois, porque estivera doente.
   Leanna vivera uma semana de inferno em Dallas. Cam, a moa pensava. Cam estava aqui.
   Quantas vezes quase fizera algo estpido? No dava para contar, mas chegara perto. Oh, to perto! Procurara o nome dele na lista telefnica. O endereo residencial 
no estava listado, mas o da empresa sim. Knight, Knight e Knight: Especialistas em Gerenciamento de Risco. No que fosse fazer algo com relao a isso, Leanna dissera 
a si mesma...
   Mas tomara um txi, fora at o endereo, ficara observando a torre de vidro e ao enquanto formulava todas as razes possveis para entrar no prdio e pedir para 
ver Cameron Knight. Afinal, aquele homem salvara a vida dela.
   Obrigada, Leanna diria. Oh, e a propsito, voc estava certo, o que aconteceu l, no outro lado do mundo, foi apenas uma bobagem. A danarina no fez isso. Ainda 
lhe restava um pouco de orgulho.
   Ao menos, a semana de tormento acabara. No dia seguinte, pela manh, a jovem tomaria um nibus, fecharia os olhos e, quando os abrisse novamente, Dallas seria 
apenas uma lembrana. Assim como Cam.
   Leanna passou creme no rosto. No fazia sentido ficar pensando em Cameron. A danarina estava de volta ao mundo real, assim como o ex-soldado. E, embora a moa 
tenha sonhado com isso umas mil ve_zes, Cam no fizera nenhuma tentativa para entrar em contato com a jovem. Mas por que o americano faria isso?
   Cam fora claro com relao ao que o relaciona_mento dos dois haver significado para ele. A jovem sabia que o ex-soldado fora rude. Ento, a bailarina cumpriria 
as ordens do americano. Mas a essncia do que Knight dissera havia sido a pura verdade. O que acontecera entre ambos havia sido um conto de fadas, e contos de fadas 
nunca duram para sempre.
   Com um lencinho de papel, Leanna limpou o ros_to. A bailarina estava suada e exausta. Os msculos queimavam e, antes mesmo de desamarrar os cadaros das sapatilhas, 
a jovem sabia que os ps estavam sangrando. Era o que acontecia quando danava na ponta dos ps. Normalmente, a moa no prestava muita ateno a isso. Porm, depois 
do que acontecera semanas antes, a jovem sabia o suficiente para ser cautelosa.
   Leanna desmaiou no helicptero que a levou para Dubai. Em um segundo, a bailarina estava chorando, implorando aos homens que a conduziam ao helicptero para deix-la 
voltar para Cam. No minuto seguinte, o mundo ficou cinza. A jovem voltou a si al_guns dias depois, em uma cama de hospital. Antibiticos na veia, uma infeco no 
p esquerdo e uma febre to alta que deixou a jovem inconsciente metade do tempo.
   Quando Leanna voltou a si, as primeiras palavras que a danarina ouviu foram as do mdico. Ele disse que a moa tivera sorte. Mais alguns dias sem antibiticos, 
e a jovem poderia ter perdido o p e at morrido.
   As primeiras palavras que Leanna disse foram sobre Cam.
   - Ele est vivo? - a moa sussurrou.
   O mdico deu de ombros. No sabia nada sobre algum chamado Cam. Leanna implorou por notcias de Cameron, mas ningum sabia do que a moa estava falando. A danarina 
no tinha telefone.
   - No se estresse - as enfermeiras diziam.
   Porm, finalmente, a danarina conseguiu um celular, s escondidas. Leanna ligou para a embaixada e explicou sua urgncia em falar com o cnsul. Entretanto, ele 
estava saindo de frias. A moa implorou tanto que o cnsul concordou em descobrir o que pu_desse sobre um homem chamado Cameron Knight.
   Uma hora depois, o cnsul ligou de volta. Came_ron Knight estava vivo. O rapaz fora levado para os
   Estados Unidos, para um hospital em Dallas, no Te_xas. E era tudo o que podia lhe dizer.
   Leanna ligou para a central de informaes de Dallas, conseguiu os nmeros de diversos hospitais e ligou para todos. Finalmente, encontrou o hospital certo. Sim, 
havia um paciente chamado Cameron Knight. A situao dele constava como estvel. No podiam lhe dizer mais nada.
   A danarina ligou todos os dias, e ouviu que a con_dio de Cam passara de estvel a satisfatria. A moa continuou ligando mesmo depois de ter deixa_do o hospital. 
Leanna telefonou de Paris, onde teve uma reunio com a trupe de dana. A jovem ligou de Londres e de Seattle, depois que voltou a danar.
   E, ento, um dia, a danarina ligou e falou com a telefonista que atendera  maioria dos telefonemas da jovem.
   - O Senhor Knight foi liberado. Ele est bem. Querida, voc poderia saber mais coisas se entrasse em contato com a famlia Knight diretamente.
   Contatar a famlia Knight? E dizer-lhes o qu? Que havia dormido com Cam? Que tinha sido uma idiota, pensando que se apaixonara por ele? Porque o ex-soldado estava 
certo, no fora amor, apenas uma paixo passageira.
   De repente, a porta do camarim se abriu. As outras meninas entraram, rindo e conversando.
   - Lee, voc perdeu! O pblico nos chamou de volta trs vezes! - Ginny disse ao sentar-se no ban_co ao lado de Leanna.
   A danarina dourada levantou-se, despiu a saia e vestiu jeans e um suter.
   - Eu sei. Ouvi os aplausos.
   - E a coisa mais surpreendente acabou de acon_tecer! Um reprter quer falar comigo - Ginny co_mentou.
   - Gin, isso  maravilhoso.
   - No ? Ele disse que est escrevendo sobre pro_fisses incomuns para a seo de domingo. No sei como consegui ser to sortuda... Quero dizer, ele ter vindo 
at mim, saber o meu nome, mas estou emocio_nada.
   - Aposto que sim! Mas quando  a entrevista? Se vamos embora amanh...
   - Ele vai me levar para jantar... - Ginny olhou para o relgio na parede e disse, arfando:
   - Em dez minutos!
   - Ento,  melhor se apressar - Leanna disse, puxando os cabelos da amiga para trs, em um rabo-de-cavalo.
   Ginny olhou-se no espelho enquanto aplicava um pouco de creme no rosto.
   - Vou encontr-la naquele bar mais tarde. Todo mundo vai estar l. Voc sabe, a ltima noite na ci_dade.
   - No vou.
   - Oh, Lee! Vamos l. Voc tem que sair um pou_quinho. Sei que a situao pela qual passou deve ter sido horrvel. Primeiro, o seqestro. Depois, o hospi_tal. 
Mas voc precisa voltar a levar uma vida normal, sabe disso?
   Leanna sabia. No havia retomado nada em sua vida, exceto a dana. No conseguia ter nimo para encontrar o pessoal  noite ou no caf-da-manh.
   Principalmente quando todos ainda perguntavam  jovem sobre o que havia acontecido.
   As outras garotas que haviam sido raptadas fala_vam sobre como tinham sido levadas a um mercado e quase que, imediatamente, resgatadas pela polcia lo_cal. Leanna 
apenas disse ter sido vendida a um sulto e resgatada por americanos que estavam em Baslaam a negcios. Considerando todos os fatos, no era exa_tamente uma mentira.
   - Voc est certa. Mas estou cansada.
   - Seu p?
   - Sim - Leanna concordou porque era mais fcil dizer isso do que admitir a verdade.
   Toda aquela histria de paixo passageira era mentira. Leanna amava Cam. Era um homem bravo, sem corao... e a bailarina sempre o amaria. Quanto mais cedo deixasse 
Dallas, melhor.
   Cam estava dentro do carro, do outro lado da rua, em frente ao hotel que hospedava o corpo de baile que visitava a cidade. O ex-soldado passara a noite andando 
de um lado para outro no prprio gabinete. No conseguia ficar em p. Tambm no conseguia sentar-se. At os exerccios respiratrios falharam.
   Quando Cam percebeu que estava checando o re_lgio a cada trinta ou quarenta segundos, murmurou uma blasfmia, pegou a jaqueta de couro e mais ou_tras coisas, 
e dirigiu-se  porta.
   Knight dirigira sem destino por algum tempo. O americano pegou uma estrada que o havia conduzido para fora da cidade. Depois, voltou a Dallas. O rapaz tinha um 
bom plano.
   Sim. Porm, quanto mais tempo Cam ficava ali sentado, do lado oposto ao hotel, esperando pelo tele_fonema do investigador, mais sabia que tinha de fazer isso. 
Ento, voltou a checar o relgio.
   - Vamos l. Por que est demorando tanto? - o rapaz resmungou, impaciente.
   Knight estava com o estmago embrulhado. Tam_bm sentia-se agitado. S pensava em confrontar uma estranha chamada Leanna DeMarco. Esse era o nome da bailarina. 
Nascida em Boston, viveu em Ma_nhattan, danou bale a vida toda e estava em uma turn com aquela companhia h seis meses.
   O investigador telefonou no final da tarde com to_das as informaes pertinentes. O nome da moa, o passado, o nome do hotel, o nmero do quarto. Ainda dissera 
que a jovem dividia o quarto com algum. Por um segundo, o mundo escureceu.
   - Outra danarina da companhia: Virgnia Adams. Ambas parecem ser amigas - o investigador disse.
   Cam suspirou. Outra garota. Sim. Tudo bem, exceto que isso poderia apresentar um problema de logstica.
   - Isso  bom? Quando Leanna deixar o teatro hoje  noite, ser que vai estar na companhia dessa Adams? - Knight questionou. E o investigador res_pondeu que sim, 
as duas bailarinas costumavam sair juntas.
   Um problema de logstica, mas no insolvel. Meia hora, e Cam imaginara uma forma de lidar com aquela situao. Rich Williams, um sujeito com quem havia jogado 
futebol americano na faculdade, escrevia para o jornal Dallas Register.
   Um telefonema. Diversos "como vai" e "lembra quando". Ento, um pedido.
   - Quer que eu entreviste uma bailarina de uma companhia de bale que est visitando a cidade? - Rich perguntou.
   - Hoje  noite, depois da apresentao.
   - Antes no precisava de uma armao como essa para marcar pontos - Rich riu.
   - Muito engraado - Cam retrucou.
   - Bem, est com sorte. Estou escrevendo sobre profisses incomuns. No h nada demais em acres_centar uma bailarina a essa mistura.
   - timo! Leve-a para jantar, por minha conta. Mantenha-a ocupada por algumas horas.
   - A belezura que vou entrevistar no  a que voc est de olho?
   -  a colega de quarto. Sabe como so as mulhe_res: viajam juntas.
   - Entendi - Rich voltou a rir.
   Tudo estava planejado. Ento, por que o investiga_dor no ligava? Cam olhou rapidamente o celular. O aparelho estava ligado, a bateria carregada.
   Cameron estava pronto para ir, e queria acabar com aquilo de uma vez. Sabia quem era Salom. No apenas o nome dela. Conhecia a mulher. E compreen_deu que ela 
nunca havia sido real.
   Engraado. Cam e os irmos costumavam fazer piada sobre a maioria das mulheres que conheciam por no poderem ser consideradas "reais".
   - Tire a maquiagem, o creme de cabelo, as roupas e quem sabe o que sobra? - Matt diria.
   - Uma belezura nua - Alex diria, solene, e todos iriam rir.
   Isso no era mais engraado. O que sobrava, Cam pensou, era uma mulher que no existia. Uma mulher que inventara a si mesma para servir  ocasio. Uma mulher 
que dissera que o amava. Que mentira!
   A vida dela era uma fantasia. Cam vira isso na noi_te anterior. A msica. Os cenrios. As roupas. Salo_m danava para viver. Um dia, uma princesa virginal. No 
outro, uma feiticeira.
   Era como uma daquelas bailarinas de brinquedo que ganham vida quando se abre a tampa da caixinha de msica. E, ento, sem aviso, a moa se encontrara desempenhando 
o papel de uma vida inteira. Uma mulher em perigo, com um homem diferente dos que pertenciam ao mundo dela, assim como a noite do dia.
   Dormir com aquele homem fora um passeio pelo lado selvagem da vida. Assim como para Cam... O ex-soldado fora atrado para aquela fantasia.
   Agora, era hora de deixar aquela experincia para trs. E a forma de fazer isso seria confrontando Leanna. Cameron tinha de se lembrar de quem a moa realmente 
era.
   Cam pensou em esper-la do lado de fora do tea_tro. Porm, imaginou que a moa estaria rodeada de gente. E o ex-soldado no queria que a ltima cena do pequeno 
drama dos dois tivesse platia.
   O melhor era ir para o hotel. E abord-la quando estivesse entrando. Exceto que a moa ainda estaria com outras pessoas. Amigas ou talvez um sujeito.
   A bailarina era boa na cama. Incrvel. Algumas, semanas se passaram, e Cameron no havia esquecido os sussurros da bailarina. O toque daquela mulher. O calor 
daquele corpo quando os dois se tornavam um s.
   Cam bateu com um dos punhos no volante. Por que o telefone no tocava? Por fim, decidiu abord-la quando estivesse desprevenida. Era a melhor forma. Knight vestiria 
roupas escuras e usaria a noite como escudo. Entraria no quarto da bailarina e a assustaria de forma que a jovem soubesse que no o faria mais de idiota. Depois, 
o americano iria embora, acabando com tudo aquilo.
   O celular tocou. Cam respirou aliviado e atendeu o telefone.
   - Estou do lado de fora do teatro. A colega de quarto da pessoa em questo est seguindo rumo ao leste, com um homem. Estatura mediana. Cabelos claros.
   Cam acenou com a cabea, concordando. Rich fizera a parte dele.
   - E a pessoa em questo?
   - Est indo rumo ao oeste, na direo do hotel.
   - Est sozinha?
   - Sim.
   Perfeito. Cam desligou o celular, jogou-o no banco do carona e preparou-se para esperar.
   
   
   CAPITULO TREZE
   
   As plantas do hotel estavam no arquivo da cidade. Cameron as estudara cuidadosamente. No final da tarde, tinha ido o hotel e checado tudo. Nunca colocaria um 
grupo de bailarinas em um lugar como aquele. Nem tinha certeza de que o lugar merecia ser chamado de hotel.
   Um corretor de imveis diria que aquele prdio era em estilo vitoriano. Era apenas um monte de tijolos velhos. Aquele bairro tambm no era dos melhores.
   - No era ruim. Mas, certamente, no era o tipo que a Cmara do Comrcio anunciaria.
   A idia de Salom caminhar pela rua  noite, sozi_nha... Exceto que a moa no era nada dele. E se tinha de lhe dar algum crdito, era que a bailarina podia to_mar 
conta de si mesma.
   O prdio era grande. Quando o ex-soldado entrou, notou que era relativamente bem conservado. No que a condio do imvel tivesse alguma importn_cia. A nica 
preocupao de Cameron tinha sido en_contrar o caminho para o quarto de Salom desviando-se da portaria principal do hotel.
   O reconhecimento feito previamente indicara uma viela que conduzia  parte detrs do prdio, onde ha_via uma escadaria de incndio que parecia a ossada de um 
dinossauro. A janela do quarto de Salom dava para a sada de incndio. Isso era perfeito para um intruso. Perfeito para um ex-soldado.
   Algo se movia do outro lado da rua. Cam pegou os binculos que estavam no banco do carona. Um ba_que no corao. Era Salom caminhando rapidamen_te pela calada. 
Aqueles cabelos dourados, o passo altivo...
   Knight a viu entrar no hotel. Ento, o rapaz deixou os binculos de lado e colocou um rolo de corda den_tro de um dos bolsos da jaqueta. Saiu do carro e atra_vessou 
a rua.
   Um olhar rpido para se certificar de que ningum estava vindo. Ento, cruzou a viela que conduzia  parte detrs do prdio. Ficou na sombra, olhou para o terceiro 
andar... E viu luz no quarto que, de acordo com o investigador e tambm com as plantas do pr_dio, era o da bailarina.
   Cam respirou fundo. Ento, jogou a corda sobre a escadaria de incndio, que estava suspensa, e come_ou a subir.
   Leanna trancou a porta do quarto e viu a nvoa da prpria respirao contrastar com o ar gelado. A moa sempre pensara que Texas era um lugar quente. Bobagem. 
Era um estado enorme com climas dife_rentes. Nessa poca do ano, o tempo em Dallas era frio.
   Parecia ainda mais frio naquela sala sombria. Leanna e Ginny tentaram de tudo para que o velho aquecedor emitisse mais calor. Sacudiram o boto que liga e desliga, 
viraram-no para cima, para baixo. Mas nada adiantou.
   Para a surpresa das moas, no havia falta de gua quente. Um banho quentinho era excelente para rela_xar os msculos. Alm disso, aquecia os ossos.
   A bailarina tirou a jaqueta, foi para o banheiro e comeou a se despir. Nua, prendeu os cabelos no topo da cabea. Depois, acrescentou leo de banho  gua fumegante.
   O leo cheirava  lavanda, no a flores. Isso signi_ficava que no havia motivo para que aquele cheiro a fizesse pensar em Cam. Ainda assim, a jovem estava pensando 
em Knight, em como se sentira em seus braos ao entrar naquela banheira de mrmore.
   Leanna piscou. Quanto mais cedo estivesse fora daquela cidade, melhor. A moa fechou a porta do banheiro e entrou na banheira. Era maravilhoso sen_tar-se ali 
e deixar que o calor agisse de forma mgica.
   Nada como um banho quente para acalmar no fim de um dia longo e estressante... Nada como um banho quente com o seu amor para transformar um dia lon_go e estressante 
em um preldio de uma noite longa e maravilhosa.
   Pare com isso! No passaria por tudo aquilo nova_mente. Todas aquelas semanas dizendo a si mesma que Cam telefonaria. Que o americano viria at ela e lhe diria 
que a amava. Que o que dissera naquele dia no era verdade.
   A jovem levara um bom tempo antes de enfrentar a realidade, e no se afastaria disso agora. Cam no viria atrs dela. Nem telefonaria. Ele nunca fizera promessas 
de eternidade. Nem se apaixonara. Leanna sim... E ainda o amava.
   Estar ali onde Knight vivia e trabalhava, sabendo que bastava discar um nmero para ouvir a voz dele... Isso a matava. Um telefonema. Apenas um. Leanna no teria 
de dizer nada, exceto  secretria. Ento, a bailarina poderia ouvir a voz de Cam, acrescentar aquela lembrana s outras.
   De repente, o banho pareceu frio. Leanna esvaziou a banheira, saiu dali, enrolou-se em uma toalha e abriu a porta do banheiro...
   Tudo escuro. O corao disparou. Como podia ser? Deixara a luz do quarto acesa. Mesmo que a lm_pada tivesse queimado, deveria haver luz vindo pela janela. Sempre 
fora cuidadosa em deixar a janela trancada - a escadaria de incndio l fora no a tran_qilizava. Mas nunca puxava as cortinas at que ela e Ginny estivessem prontas 
para dormir. O quarto dava para uma parede de tijolos. Ningum podia ver nada l dentro. Porm, a luz que vinha da viela, embora fraca, era bem-vinda.
   Ser que Ginny j voltara? Ser que tinha sido a amiga quem puxara as cortinas? Ser que a lmpada queimara? Ser que tudo aquilo podia ter acontecido ao mesmo 
tempo?
   - Ginny? ...?
   Algo se mexeu nas sombras. Uma pessoa. Alta. Ombros largos. Um homem. Leanna cambaleou para trs, aterrorizada. Oh, Deus...
   A luz de uma lanterna brilhou no rosto da moa. A danarina soltou um grito e levantou uma das mos para cobrir os olhos.
   - Oi, Salom - uma voz rude disse.
   - Cameron? - Leanna passou do terror  excitao em um segundo. O ex-soldado estava ali! Viera atrs dela. A moa sussurrou o nome do americano e comeou a se 
dirigir at Cam...
   A jovem gelou quando o brilho da luz desceu pelo corpo dela, demorando-se nos seios. Depois, voltou a subir, retornando ao rosto da bailarina. Apesar da ale_gria 
que sentira ao ouvir a voz do ex-soldado, di_versas perguntas povoaram a mente da moa. Como Cam entrara no quarto? Por que a esperava no es_curo?
   - No parece muito feliz em me ver. Leanna desviou a cabea da luz, dizendo:
   - A luz. No posso ver.
   A lanterna passou a iluminar o cho. A jovem pis_cou, tentando ajustar-se  escurido. Agora, podia ver Cam vindo em sua direo. O corao da moa disparou.
   Leanna desejara tanto v-lo novamente. E agora, Cameron estava ali. Mas o que a jovem sabia a res_peito do ex-soldado? Aquele homem salvara-lhe a vida e fizera 
amor com ela. Por fim, despedaara-lhe o corao.
    parte isso, era um estranho perigoso. Trabalhara para uma agncia do governo, um lugar to secreto que a moa no teria reconhecido as iniciais. Ao me_nos, 
tinha sido isso que Cam dissera.
   Knight estava a alguns centmetros dela. Leanna recuou e os ombros tocaram a parede.
   - No - a danarina disse.
   - No, o qu, Salom? - As palavras dele eram suaves como seda. Mas at mesmo a seda podia ser mortal nas mos certas.
   - Ainda estou esperando que me diga o quanto est feliz em me ver - Cam comentou.
   - No posso v-lo direito. Como entrou no meu quarto?
   - A gerncia precisa fazer alguma coisa com re_lao  sada de incndio. E a tranca da janela no vale nada. Como tem passado, querida?  uma per_gunta idiota. 
Conheo a resposta. Voc tem andado muito ocupada.
   A voz dele era rude, e ele acrescentou um tom g_lido  ltima palavra. A moa pensou nos dias que passara no hospital. Mas o que isso importaria ao ho_mem que 
estava em p, diante dela? O Cameron que conhecera havia sido carinhoso. Aquele ali no sabe_ria o significado dessa palavra.
   - Cam. Por que invadiu o meu quarto? Tudo o que tinha a fazer, se queria me ver, era...
   - Por que eu iria querer v-la? Passamos um bom tempo juntos, voc e eu, mas acabou.
   A lanterna caiu no cho. Ento, Cam a agarrou pe_los ombros, dizendo:
   - O que tivemos acabou no dia em que os homens de Asaad nos encontraram, no foi?
   A bailarina no respondeu. Cam a sacudiu, di_zendo:
   - Responda, droga. No foi assim?
   - Por que est fazendo isso? - Leanna questio_nou, os olhos cheios dgua.
   - Porque quero respostas.
   - Cam, por favor, me solte. Est me machucando.
   - No disse isso na ltima vez em que a toquei. A moa arfava quando Cam rasgou a toalha que a cobria e a prendeu de encontro  parede, uma das mos dele em torno 
do pescoo da jovem. 
   - Lembra, Salom? Mais, voc disse. Mais, Ca_meron.
   Uma das mos dele cobriu-lhe um dos seios. Leanna gritou de medo. Porm, o corpo dela a traiu, derretendo-se sob as carcias que nunca haviam sido esquecidas.
   - No, Cam, eu lhe imploro...
   - Bom. Implore.  isso que quero de voc esta noite.
   Cam abaixou a cabea e a beijou, dizendo:
   - Continue! Implore. Diga o que quer.
   Uma das mos dele deslizou pela barriga da moa, indo at o ponto que guardava os mais ntimos segredos daquele corpo feminino - segredos que apenas Cam conhecera.
   -  isso que quer de mim?
   Cameron abaixou a cabea e beijou-lhe um dos mamilos. A moa emitiu um som que poderia ter sido de desespero ou prazer. O ex-soldado no sabia, no se importava... 
Exceto que se importava.
   - Salom - Cam sussurrou. E o toque dele mu_dou. O corao tambm. A mo que estava ao redor do pescoo de Leanna passou para o seu rosto.
   - Salom - Cam disse novamente. E, enquanto a beijava, o ex-soldado sabia que o que queria daque_la mulher era estar com ela pelo resto da vida. Knight a amava, 
com o corao, a mente e a alma. Isso o assustava. Mas o que o amedrontava mais era que a jo_vem podia no am-lo.
   - Cameron. Por favor. No faa isso. O que tivemos...
   - O que tivemos, Salom?
   - Voc disse. Foi uma fantasia. O perigo. A excitao...
   - Foi s isso?
   A bailarina no respondeu, apenas abaixou o olhar. Knight rezou para que fosse uma indicao de que a moa o amava.
   - Salom. Lembra-se do que eu disse no deserto? Disse para parar de pensar.  o que quero que faa agora. No pense. Apenas sinta e me diga o que se passa em 
seu corao.
   Cam respirou fundo e continuou:
   - Diga que me ama tanto quanto eu amo voc.
   A jovem o fitou em silncio. Ento, quando o ame_ricano j perdia a esperana, a moa disse:
   - Oh, Cameron, meu amado.
   O mundo, a raiva, a desiluso que Cam carregara consigo, tudo desaparecera. O ex-soldado a tomou para si e a beijou.
   O gosto da moa era o mesmo dos sonhos do ame_ricano, doce como mel. As lgrimas da jovem eram quentes como uma chuva de vero. E, quando Leanna suspirou o nome 
do ex-soldado, Cameron soube que a perdoaria por no ter ido ao encontro dele, que a perdoaria por qualquer coisa desde que no a perdes_se mais.
   - Salom - Knight suspirou.
   O americano a tomou nos braos, beijou-a e a car_regou at a cama. Deitou-a devagar, dividido entre a vontade de continuar beijando-a para sempre e a ne_cessidade 
de se livrar das prprias roupas, mergulhar naquela mulher e torn-la dele novamente.
   Leanna acariciou os cabelos de Knight, dizendo:
   - No me deixe novamente.
   - Nunca.
   Cam pegou as mos da moa e as beijou. Depois, abaixou a cabea e mordiscou-lhe o pescoo, beijan_do-lhe os seios, sentindo seu perfume. Quando Lean_na gritou 
de prazer, Knight livrou-se da jaqueta, da camisa. Em seguida, puxou-a para si, gemendo alto ao sentir a pele macia da jovem na dele.
   - Diga que sentiu minha falta. Diga que sonhou comigo fazendo isso.
   - Sim. Senti sua falta. Sonhei com voc, Cam. Venha, fique comigo. Vamos fundir nossos corpos. Quero voc comigo. Quero senti-lo. Preciso...
   A moa arqueou o corpo em direo a Cam en_quanto este deslizava uma das mos por entre as suas coxas. Leanna estava quente, pronta para Cam. O ex-soldado no 
podia esperar mais...
   O grito da danarina, quando os dois corpos se fundiram, ecoou pela noite. A moa colocou os bra_os em torno do pescoo de Cameron, e as pontas dos dedos marcavam 
as costas dele. Ambos se deleitaram em uma onda de xtase.
   Cam a beijou ardentemente, chegando inclusive a sentir gosto de sangue. No sabia se era o dele ou o da moa. No importava.
   Soluando o nome do americano, Salom caiu por cima dos travesseiros. Knight jogou a cabea para trs, gritou e ambos viajaram at o paraso.
   Leanna lera que os franceses, s vezes, se referiam ao orgasmo como a pequena morte. A frase parecia elegante, mas impossvel. Agora, a jovem sabia a verdade 
com relao a isso.
   Certamente, a moa morrera de xtase nos braos do amante. Longos segundos se passaram. De algu_ma forma, conseguira encher os pulmes de ar. Cam rolou na cama 
abraado  jovem.
   - Minha Salom - disse, suavemente, beijando-a nas plpebras.
   A Salom dele. O corao da moa se envaidecia ao som do nome que pertencia apenas aos dois.
   - Cam. Estou to contente que esteja bem.
   - Estou bem - Cameron disse, rindo. Leanna sorriu e disse:
   - Sim. Voc est. Mas eu quis dizer, estou to contente que voc...
   - Est contente que eu o qu?
   - Tenha sobrevivido - a moa disse.
   Seria imaginao dela, ou o americano havia se afastado um pouquinho?
   - Sim. Bem, eu tambm. Se isso era importante para voc, por que nunca...
   - Nunca o qu?
   - Nunca telefonou - Knight respondeu.
   O americano tentou no demonstrar como se sen_tia, como um menino que perdera tudo porque, droga, sem a danarina dourada, Cam no tinha nada. O rapaz levantou-se, 
apoiando-se em um dos cotovelos, e a fitou.
   - No veio me ver. E Deus, eu a queria. Eu a de_sejava. Mas voc no...
   - Eu telefonei - Leanna disse e, com uma das mos, cobriu a boca do americano para impedir que continuasse falando.
   - Todos os dias. Todas as noites. Todo o tempo em que esteve no hospital - a moa explicou.
   Cam a fitou e indagou:
   - Voc fez isso?
   - Quase enlouqueci por no estar com voc. Mes_mo depois do que me disse, que no me amava...
   - Eu estava mentindo, querida. Para voc e para mim. Teria dito qualquer coisa para mant-la naquele quarto.
   Cam a beijou, e continuou:
   - E estava com medo de admitir que a amava. Leanna fechou os olhos. Depois, voltou a abri-los e disse:
   - Eu pensei... acreditei...
   - Foi por isso que no veio me ver durante todas aquelas semanas em que fiquei no hospital?
   - No podia. Eu estava doente, Cam.
   - Doente?
   Cameron sentou-se, abraando-a. A jovem podia sentir o corao dele acelerado.
   - O que aconteceu? Por que no deixou que eu soubesse?
   - Uma infeco em um dos meus ps. No podia deixar que soubesse. Quero dizer, primeiro, eu estava muito doente. E, depois, quando melhorei...
   A moa soluou e disse:
   - Eu sabia que voc no me queria.
   Cam a beijou, e a jovem quase sentiu o amor jorrando do corao do ex-soldado e inundando o dela.
   - Eu queria voc a cada momento. Aquelas semanas infindveis no hospital, todas desde... S conseguia pensar em voc.
   - Ento, por que no me procurou? Lgrimas nos olhos da bailarina.
   - Quando soube que voc estava fora do hospital, deixei que a esperana renascesse. Cada vez que o te_lefone tocava, que chegava a correspondncia, que algum 
batia  porta... Meu corao dizia:  ele,  Cameron. Ele veio. E voc nunca...
   A moa comeou a chorar. Cam a beijou e disse:
   - Minha doce Salom. No podia ir at voc, querida. Voc era a minha danarina dourada. Meu amor para sempre.
   Cam riu.
   - S um problema, querida. Eu no sabia o seu nome.
   Leanna recuou e o fitou.
   - O qu?
   - Seu nome verdadeiro. Eu no sabia. Foi por isso que no fui at voc. No podia encontr-la. To_mei um avio at Dubai. Contratei um detetive, fiz tudo o que 
podia, inclusive deixar meus irmos lou_cos. Ento, quando j havia perdido as esperanas, meu velho pai me convenceu a ir a uma apresentao no...
   - Music Hall! Sabia que estava l! Senti. Oh, Cam...
   Knight a beijou com doura.
   - Desculpe-me se a assustei hoje  noite.
   - Voc me emocionou. Quando vi que era voc...
   - Salom. Quero dizer, Leanna... A bailarina o beijou e sussurrou:
   - No. Salom. Prefiro.
   Cam e Leanna rolaram pela cama de forma que a moa ficou embaixo dele.
   - Nunca mais vou perd-la.
   Isso fez com que o americano ganhasse outro bei_jo.
   - No vou deixar.
   - Vou ter que mant-la onde possa v-la.
   Os olhos do ex-soldado ficaram sombrios. Cameron abaixou-se e a beijou no pescoo, dizendo:
   - Na cama, comigo. Alguma objeo?
   - Humm - Leanna gentilmente mexeu os qua_dris.
   - Claro. Posso pensar em outra forma.
   - Sim?
   - Salom, minha danarina amada, voc quer se casar comigo?
   Leanna respondeu-lhe com um beijo.
   
   FIM
   
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